A educação no trânsito

Quando se fala em trânsito, o primeiro pensamento que vem à tona é a mobilidade urbana, uma das questões que mais desafiam os gestores na maioria das grandes cidades. A qualidade da mobilidade urbana está intimamente ligada à articulação e união entre diferentes políticas, como transporte, trânsito, circulação de pessoas, acessibilidade e uso do solo, entre outras. A definição de mobilidade é descrita como a facilidade de deslocamento de pessoas e bens nas vias urbanas, mas que é popularmente conhecida pela palavra trânsito.

Podemos distinguir vários fatores que contribuem de forma definitiva para o agravamento dos problemas que hoje são considerados crônicos e que são gerados diuturnamente no trânsito de boa parte das cidades do país.

A maioria delas não tem espaço físico nem a infraestrutura necessária para receber o volume sempre crescente de veículos e pessoas em circulação. São motocicletas, ônibus, veículos de passeio, vans, caminhões de carga, ciclistas e pedestres, todos misturados e se engalfinhando ao mesmo tempo, praticamente dentro de um mesmo espaço.

Também o aumento populacional das cidades e as facilidades de créditos para a compra de veículos automotores, são outros fatores que contribuem para o recrudescimento dos problemas, gerando os conhecidos “engarrafamentos”, comprometendo de forma significativa os deslocamentos e a vida da população. O problema da mobilidade urbana já não é um “privilégio” das grandes metrópoles, uma vez que isso vem se interiorizando e, por isso mesmo, vem merecendo uma maior atenção das autoridades.

Se tudo isso não bastasse, somam-se os flagrantes desrespeitos à legislação, como a velocidade excessiva, as ultrapassagens indevidas, a desobediência à sinalização, além da existência de motoristas agressivos ou alcoolizados, fazendo com que, ao final, o conjunto da obra seja sempre algum resultado trágico.

Nossa Muriaé não está fora desse contexto. O volume de veículos em circulação cresce assustadoramente. Já não há vagas nos estacionamentos. Há uma verdadeira invasão de motociclistas, especialmente os afoitos motoboys, que utilizam, às vezes, de forma agressiva os corredores deixados pelos carros. Há ciclistas trafegando na contramão de direção, além dos habituais maus motoristas, fazendo com que esse conjunto de fatores seja determinante para a incidência constante de acidentes. A instalação e manutenção de semáforos e a inversão da mão de direção de algumas das nossas ruas foram pontos positivos que melhoraram um pouco mais a mobilidade da cidade. Mas ainda está longe daquilo que se pode considerar ideal.

Como o problema é crônico e vem a cada dia se agravando, é necessário que as autoridades se unam, não só para aumentar a fiscalização, mas também para que possam desenvolver programas e campanhas educacionais que visem uma maior conscientização da população sobre os deveres a serem seguidos no trânsito, medidas que poderão a médio e longo prazo reduzir os problemas gerados, não só no que se refere à mobilidade urbana, mas também na busca da redução de acidentes com vítimas.

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