Apesar dos ataques, a Lava-Jato continua

A corrupção não é um fato recente no país. Mas nos últimos governos, o sofisticado sistema montado para pagamento de propinas a políticos e agremiações partidárias e a  lavagem de dinheiro surrupiado dos recursos públicos, cujo destino são os bolsos e as contas “companheiras”, como ficou sobejamente evidenciado nos vários desdobramentos dos processos do mensalão e do petrolão, só para falar dos mais famosos, demanda ações mais efetivas das autoridades as quais devem ser acompanhadas passo a passo pela sociedade.

O fato inconteste é que, enquanto nesses anos todos  os políticos e seus asseclas  se utilizaram dos cargos públicos para roubar descaradamente o país, os brasileiros permaneceram nas filas dos hospitais públicos absolutamente desamparados ou morrendo de frio ou de fome nas ruas das cidades, sem falar na superlotação de presídios e outras demandas para as quais nunca existiram verbas.

Todas as vezes que a imprensa noticiava alguma informação a respeito dos processos e prisões dos artífices do crime organizado, hoje grande parte das suas cúpulas presas ou condenadas, espalhava-se pelos quatro cantos do país que se tratava de perseguição, que os presos eram presos político. Assim, o “pau cantava” em cima da Lava Jato. Vieram depois as prisões dos ex-governadores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, que continuam presos, por enquanto e ninguém mais falou em perseguição política. Agora, com a prisão do ex-presidente “golpista” Michel Temer e do seu ex-ministro Moreira Franco, espero que vá definitivamente para o espaço a cantilena de perseguição política. Já escrevi aqui, em tom de brincadeira, que pau que dá em Zé, dá em Bastião (Francisco fica fora disso). Lugar de ladrões lesa pátria é na cadeia.

Se o STF não interferir na continuidade das investigações, a Lava-Jato, que neste mês completou cinco anos de operação, muitos outros figurões da política contemporânea ainda vão “ver o sol nascer quadrado”. É o Brasil sendo passado a limpo, como sempre pediu o jornalista Boris Casoy. Apesar dos ataques, a Lava-Jato continua o seu irretocável trabalho.

Conscientes de que a corrupção no país, há anos, é endêmica e supra partidária,  é preciso que toda a sociedade apoie todos os tipos de investigação e que esteja atenta aos acontecimentos, sem deixar de fazer incessantemente as necessárias cobranças aos órgão da Justiça, para tentar virar esse jogo absolutamente adverso, fazendo com que os representantes do povo tenham mais respeito com a coisa pública. É o que se espera.

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