As lições que vieram das urnas

Francisco Laviola – 08/11/2018

As eleições de 2018 realmente deixaram algumas lições para os nossos políticos que, se eles bem as entenderam, deverão fazer uma boa reflexão se quiserem se manter em atividade. O povo, sem dúvida, deu o seu recado nas urnas.

Chamo a atenção do leitor para algumas delas. Um dos objetos de desejo da maioria dos partidos políticos é o tempo de propaganda no rádio e na TV. Tanto é assim que as coligações partidárias sempre foram feitas visando esse espaço, utilizando-se de alianças com legendas de aluguel que não têm nenhuma representatividade no Congresso, mas que são cooptadas em busca de alguns segundos a mais, durante a propaganda eleitoral. O maior exemplo nestas eleições foi do chamado Centrão, que apoiou o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, que tinha um verdadeiro time de partidos aliados: PSDB, PTB, PSD, SD, PRB, DEM e PPS. Essa aliança rendeu ao candidato Alckmin mais de seis minutos em cada bloco, enquanto Bolsonaro tinha apenas oito segundos. Enquanto Alckmin usava o seu tempo de TV, conseguido com as alianças, Bolsonaro buscou o atalho através das redes sociais. A tecnologia falou mais alto e ficou claro que ninguém quer mais saber de programas políticos na TV. De nada valeram as velhas práticas de cooptação de partidos e políticos que sempre foram feitas para ganhar tempo de visibilidade nos programas eleitorais.

Com a crise ética e moral pela qual passa o país há anos, ficou patente mais uma lição: o povo não quer mais saber da velha política. A “barca” passou e levou muitos figurões que se achavam inatingíveis. Cabeças de vários “caciques” rolaram nestas eleições. Além das surpresas que aconteceram no estado do Rio de janeiro e especialmente aqui nas “nossas Minas Gerais”, houve uma boa renovação no Congresso, o que restou demonstrado que o povo quer mudanças urgentes no comportamento de políticos e na forma de fazer política.

Além de outros partidos tradicionais como é caso do PSDB, outro partido que terá que se reinventar será o PT. Com a sua cúpula toda condenada ou presa, terá que renovar as suas lideranças e também o modus operandi, se quiser voltar ao poder algum dia. O povo já não aguenta mais essa história de golpe, de beija mão de presidiário na cadeia e discursos inflamados de meia dúzia de radicais, que disseminam o ódio usando recursos de uma retórica requentada baseada na tese de que Lula é uma vítima da Justiça, um preso político e não o chefe de uma organização criminosa que assaltou o país e que sob o seu comando, seja na Presidência ou fora dela, deixou o Brasil com mais de treze milhões de desempregados.

O PT já foi um partido de uma ideologia própria, quando sua causa maior era a luta pelos direitos dos trabalhadores. Mudou o rumo da sua história quando chegou ao poder.  Além do mensalão e do petrolão, debitados na sua conta, montou através dos seus líderes o maior esquema de permanência no poder da era republicana. O mau exemplo dado pelo Partido dos Trabalhadores e seus aliados foi uma das fases mais nefastas que o país experimentou.  Por isso terá que se reinventar.

As eleições de Jair Bolsonaro (PSL), para presidente, e dos governadores de Minas, Romeu Zema (Novo) e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), partidos de pequenas representatividades, mostra que o eleitor já está mudando os rumos deste país. Esta foi, sem dúvida, a maior lição que veio das urnas em 2018. Que seja o início de grandes mudanças, tendo como base a ética, a moral e, principalmente, a valorização do povo que com o seu trabalho do dia a dia constrói o futuro desta Nação. É o que se espera.

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