Editorial 14/06/2019

O Brasil é um país de dimensões continentais, cujos problemas são diretamente proporcionais ao seu tamanho e a sua extensão.

Fala-se muito no aquecimento global. Pesquisas indicam, que todos os fatos geradores do chamado efeito estufa têm suas causas fincadas na degradação do meio ambiente. É certo que existem outros fatores determinantes, como o lançamento de gazes poluentes na atmosfera, principalmente aqueles que resultam da queima de combustíveis fósseis.

Certamente, existe uma relação direta com a ação destruidora do homem, que contribui com todos esses desequilíbrios climáticos e que acabam por ensejar, ao longo do tempo, reações da própria natureza, culminando com consequências às vezes graves.

No que se refere ao Brasil, a derrubada indiscriminada de florestas como a da Amazônia e outras, como a mata Atlântica, tem um peso determinante, neste contexto. É preciso uma ação mais efetiva do governo, na prevenção, fiscalização e punição de crimes ambientais.

Quanto à população, é necessário informações cada vez mais explícitas, através das escolas, órgãos de comunicação, ou qualquer outro meio, que seja capaz de levá-la à conscientização da importância da preservação ambiental, pois, se o homem continuar e destruir o meio ambiente, com certeza, a natureza continuará a cobrar-lhe a conta.

E a criminalidade, como contê-la?

A criminalidade é um dos temas que ocupa grande espaço na maioria dos veículos de comunicação. Ver televisão, então, durante o fim da tarde, ligados naqueles programas policiais apresentados ao vivo é um verdadeiro massacre.

Apesar da ação da polícia, que aos poucos vai conseguindo ferramentas de inteligência, além de recursos como carros blindados e outros tipos de armas destinadas a enfrentar bandidos de alta periculosidade, ela simplesmente não dá conta. Parece que, na maioria das cidades, principalmente os grandes centros, existe uma verdadeira fábrica de delinquentes.

Este ano, por exemplo, já tivemos massacres de pessoas indefesas em escola, feminicídios vários, homicídios, crimes de repercussão e muitos outros cometidos nas periferias das cidades que não chegaram aos noticiários.

A verdade é que há hoje uma banalização dos crimes, principalmente aqueles atentados contra a vida. Adultos e menores homicidas matam pessoas de bem ou não, sem a menor cerimônia, com motivo ou sem motivo.

É sabido que o Estado, além da obrigação constitucional de proteger e de dar segurança aos cidadãos de bem, deve também buscar meios capazes de ressocializar aqueles que praticam crimes, dando a eles a oportunidade de reinserção na sociedade.

Há, porém, algumas dúvidas que pairam sobre o assunto e que valem como  questionamentos: existe alguma possibilidade de reintegrar na sociedade um indivíduo praticante de algum crime repugnante, cometidos com alto grau de perversidade e, após ter cumprido um período de pena, voltar totalmente recuperado ao convívio social para ter uma vida normal? Como ressocializar um indivíduo que leva na alma o extinto assassino e que é capaz de afirmar que as atrocidades cometidas por ele são porque nada tem a perder, a não ser a própria vida, como se a vida não fosse o que de mais precioso existe?

Claro que, a princípio, não se tem resposta para tais perguntas. Certamente, um indivíduo com esse perfil, após cumprir pena e ter garantida a sua liberdade seria visto com desconfiança no meio social, uma vez que temos visto muitos casos de reincidências graves.

A questão é extremamente polêmica e as autoridades terão muito trabalho para buscar a ressocialização desse tipo de criminoso. O presidente Bolsonaro está empenhado em flexibilizar a posse e o porte de armas em algumas circunstâncias. Sinceramente, alguém ainda terá que me convencer que armar a população é uma boa medida para se ela defender. Sem dúvida, será preciso discutir melhor o assunto.

Com a palavra, além dos poderes constituídos, os psicólogos, juristas, antropólogos e também os defensores dos direitos humanos, uma vez que, com o avanço da criminalidade, a sociedade está pedindo socorro.

O desapreço pela ética

A palavra Ética, como tantas outras palavras, talvez pelo excesso de uso, acabou comprometendo o seu significado através dos tempos. Fala-se em ética como se fala em amor, sem a mínima atenção ao seu real significado. Na política brasileira, pelo menos em grande parte daqueles que a exercitam, é muito comum  esses desacertos.

Assim são as críticas que a eterna e recalcada esquerda faz ao juiz Sérgio Moro, alegando que ele teria sido antiético quando aconselhou alguns Procuradores a se esmerarem na busca de provas para a condenação dos corruptos nas ações da Operação Lava Jato.

As ações do Meritíssimo Juiz Sérgio Moro foram sempre elogiadas não só pela maioria esmagadora da população brasileira, mas também internacionalmente, pois ele foi um dos baluartes para o sucesso da grande operação moralizadora em nosso país e graças à operação e em grande parte graças a ele, estão hoje na cadeia as principais lideranças de uma linha política que institucionalizou a corrupção, banalizou os princípios éticos e dilapidou o nosso país durante quase vinte anos. Mas a memória popular às vezes é falha e as pessoas se esquecem facilmente daqueles que em passado recente tanto mal fizeram ao nosso país.

Mas beneficiados por esse esquecimento, eles estão aí como vírus em estado latente, ávidos para voltarem ao poder e sangrar os parcos e últimos recursos que ainda restam em nosso país. A tática é sempre a mesma: lutar contra qualquer medida que possa tirar o país do fundo de um poço onde eles mesmos o colocaram. A filosofia para conquistarem o poder é sempre a mesma usada no passado: quanto pior melhor.

Por que aprovar a reforma da Previdência se ela pode solucionar a maior parte dos problemas nacionais, principalmente o fantasma do desemprego? O caos sempre foi o passaporte de entrada das esquerdas para o poder. Por isso, jamais o conquistaram em países social e economicamente estáveis. A esquerda brasileira valeu-se, na década de 1960 de uma crise social e econômica provocada pela renúncia de Jânio Quadros e agravada ao extremo pela incompetência do desastroso “desgoverno” do Jango. Foi o quadro ideal para os Zés Dirceus, os Genoínos, os Lamarcas e Marighelas arrebitarem as tangas para tentarem conquistar o poder e transformar o nosso Brasil em mais uma ditadurazinha satélite da URSS.

O grande problema, (talvez o maior deles) foi que, além da incompetência comum aos ideólogos de esquerda, havia a briga entre eles pelo poder. É notória, quando se pesquisa fatos daqueles tempos dos “terroristas de araque”, a facilidade e constância de mudanças de lado dos chamados “terroristas”. Basta que se veja a quantidade de siglas e linhas existentes e como se passava de uma linha para outra, quando um eclipsava o poder do outro. Era o PCB, o PC do B, o MR 8, o POLOP, o COLINA, o VPR, o VAR-Palmares. Em nenhum país do mundo onde se instalou o comunismo houve tantas siglas como no Brasil.

O problema era mesmo a disputa pela hegemonia. Um poderzinho, pois na realidade nenhum desses grupos significou alguma coisa em termos de poder. Mas o pessoal transitava de uma para outra dessas organizações à medida em que se descontentava com quem estava no comando. E como romantizavam mudando de codinomes! A Dilma Roussef já foi “Estela”, “Luíza”, “Patrícia” e Wanda. O José Genoíno já foi “Geraldo”. O Franklin Martins já foi “Waldir”, “Francisco”, “Rogério” e até “Comprido”. O Fernando Pimentel chegou a ser “Oscar”, “Chico” e “Jorge”. Pior foi o Zé Dirceu que além de ter sido “Daniel”, fez uma plástica no México e trocou o nome para Carlos Henrique Gouvea de Mello.

Mas nada disso adiantou. Um dia, depois de anistiados e instalados no poder, tiveram que mostrar a verdadeira face e fizeram o que fizeram com o nosso país. Depois a amnésia popular passou como num passe de mágica e o mesmo povo os enxotou do poder.

A memória é sempre um bom instrumento para o aperfeiçoamento da Democracia e conservação dos ideais liberais.

Diversão & Cultura

Sertanejo VIP na Four

Uma das festas mais tradicionais da Four está de volta. Sábado (15), Sertanejo VIP com o Diego Lacer, um dos maiores cantores de toda a região. Na pista, Marcelo Brazil e Bruno Bidu no comando dessa super noite. Ingressos: Inove, Broa e fourdisco.com.br.

 

 Sarau Literário Itinerante

A Academia Muriaeense de Letras (AMLE) realizará, nesta sexta-feira (14), mais um “Sarau Itinerante”. Segundo a entidade, o objetivo é promover a cultura literária de forma geral, abordando produções locais, regionais e nacionais. O evento acontecerá Bar do Trotta, à Rua Benedito Valadares, na Barra, a partir das 20h30, e é aberto ao público. Todos poderão ouvir e declamar poesias, com tema livre – autorais e outros. As inscrições acontecerão no próprio local.

 

Marcelo Falcão no Festival de Inverno de Viçosa

O eterno vocalista do Rappa, Marcelo Falcão, agita o Festival de Inverno de Viçosa no próximo final de semana. O cantor se apresenta na sexta-feira (14), a partir das 21h na Fazendinha Viçosa. Os ingressos podem ser comprados no site www.ingressonacional.com.br ou nos pontos físicos em Viçosa, Ubá, Visc. Do Rio Branco, Ponte Nova, Ervália e Teixeiras.

 

4º Festival de Cervejas Artesanais em Itaperuna

O 4º Festival de Cervejas Artesanais de Itaperuna pretende repetir o sucesso das edições anteriores, reunindo em um só espaço 22 cervejeiros, apreciadores de cervejas artesanais, apaixonados por uma boa gastronomia, amantes do Rock and Roll e muita gente bonita. O evento – com dez horas de duração – pretende reunir 1.000 pessoas no dia 15 de junho, a partir das 14h, no Espaço Lounge, em Itaperuna, RJ. O ambiente será planejado para recepcionar os visitantes de forma aconchegante e com múltiplos espaços. Ingressos: www.sympla.com.br

Sociarte 14/06/2019

Parabéns, Júlio Soares

O dono da voz mais querida e lembrada do rádio muriaeense, Júlio Soares, completa neste sábado (15) 73 anos de vida, com muitas histórias pra contar. O nosso amigo Júlio é casado com a querida Preta e pai de Paulo, Sérgio e Juliana, e avô de 9 lindos netos. Ao nosso amigo, que esteve por 52 anos levando notícias pelas ondas do rádio, enviamos votos de muitas felicidades, saúde e muita paz. Parabéns, Júlio.

 

Parabéns, Handerson

Os nossos parabéns para o amigo Harderson Martins, representante da fábrica Granvita na Zona da Mata Mineira e região noroeste do Rio de Janeiro, que comemorou idade nova no dia 12 de junho. Ele é casado com Mariele Martins e pai de Gabriel Martins e João Pedro Martins. Parabéns, Handerson!

 

Niver de Daniele Pedrosa

Da redação os nossos cumprimentos para a nossa amiga jornalista Daniele Pedrosa que completou idade nova no domingo (9). Enviamos à Daniele, que atualmente trabalha na Votorantim Metais, votos de muitas felicidades e desejos que essa data se repita por muitos e muitos anos mais.

 

Chá da Cecília

Os papais Rayane de Araújo e Raniery de Oliveira estavam explodindo em felicidade no sábado (1º), durante o chá de fraldas da princesa Cecília, que está a caminho. A festa aconteceu na residência do casal, com a presença das irmãs Rhielly e Roberta, da tia Lorrayne e das avós Ronice das Graças e Márcia. Que a Cecília venha com muita saúde trazer ainda mais alegria para a vida do casal!

 

Parabéns, Professor Pena

Quem comemora nova idade na próxima terça-feira (18) é o professor José Geraldo Ferreira Pena, que por muitos anos coordenou o curso de Comunicação Social – Jornalismo do Centro Universitário UNIFAMINAS. Da redação, nosso caloroso abraço a esta figura tão cativante!

 

Parabéns, Jair

O próximo sábado (22) será dia de festa para nosso amigo Jair Sanches Abreu Filho, o Jairzinho, colaborador da Universo Virtual e filho do vereador Jair Abreu. Esperamos que a data seja repleta de alegrias e que novas conquistas venham a cada dia. Parabéns, Jairzinho!

Editorial 07/06/2019

Não há dúvidas de que a Operação Lava-jato, apesar da oposição velada de políticos e corruptos, obteve um grande avanço rumo à moralidade da administração pública. Deflagrada há cinco anos, após o inicio de uma investigação de postos de combustível, em Curitiba, pela Polícia Federal, culminando com a prisão de um doleiro, ela continua escarafunchando os meandros das organizações criminosas de colarinho branco.

As ações que envolveram não só a Polícia Federal, mas também o Ministério Público, resultaram, a princípio, em 242 condenações contra 155 pessoas, em 50 processos sentenciados por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, organizações criminosas, evasão de divisas, tráfico internacional de drogas, crime contra a ordem econômica, embaraços a investigações, falsidade ideológica, entre outros.

O mais importante é que nos acordos de leniência com empresas envolvidas, por exemplo, está prevista a devolução de cerca de 13 bilhões de reais aos cofres públicos.

Nesta semana, o jornal “O Globo” noticiou que o Ministério Público Federal está cobrando na Justiça, do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral e outros 29 réus, cerca R$ 4,1 bilhões, isto, só de desvios de superfaturamentos das obras do Maracanã. Agora imaginem se isso ocorrer em outros estádios do Brasil, que foram construídos por ocasião da Copa do Mundo.

Ou seja, além das condenações, parte do dinheiro surrupiado está sendo devolvido aos cofres públicos. Apesar das tentativas de frustrar as investigações a Operação Lava-Jato está prestando um grande serviço ao Brasil.

A hora de ser brasileiro

O presidente Jair Bolsonaro foi eleito com mais de 56 milhões de votos dos brasileiros. Não se pode questionar a legitimidade da sua representatividade. A eleição para presidente, mais do que uma polarização entre a extrema esquerda e a extrema direita, foi uma grande encruzilhada. Ou o país optava por sustentar o establishment da roubalheira denunciada ou já provada, ou partia de forma radical para um sistema de virada de mesa, em busca de um novo horizonte, mesmo sabendo das dificuldades que um novo governo com esse perfil iria encontrar para quebrar um paradigma de vários anos.

A eleição foi um gargalo estreito, onde qualquer aproximação entre as parte envolvidas era um risco iminente de curto circuito. Eram os protagonistas e seus seguidores destilando veneno e espalhando o ódio.  De lado outro, todos os candidatos que se apresentaram como sendo de centro foram alijados da disputa pelo povo, já cansado da mesmice. Sem dúvida, Bolsonaro, apesar do discurso radical e meio maluco, mas, com propostas diferentes, representou e continua representando a esperança de mudança de um sistema falido que levou o país inapelavelmente para um poço sem fundo.

Viabilizar as reformas estruturantes faz parte de um complexo de ajustes que são fundamentais para começar a movimentar a economia do país. Ocorre que o governo Bolsonaro carece de uma base parlamentar de apoio no Congresso Nacional, já acostumado com as negociatas para apoiar projetos oriundos do Executivo. O que mais impressiona é que, se houve uma renovação no Congresso em torno de 40%, como já foi amplamente divulgado, o que fazem esses novos representantes do povo que prometeram nas últimas eleições agirem de forma diferente daqueles que estavam no poder? Será que as orientações partidárias são mais fortes do que a convicção de cada um? Ao que nos parece, ninguém tem convicção de nada a não ser a de continuar a empurrar a “locomotiva”, mesmo que descarrilada.

Enquanto continua a guerra fria entre o Congresso e o Executivo, a paralisia do país continua, recrudesce a recessão, aumenta o desemprego, ficam pelo caminho as principais demandas da população como saúde, educação e saneamento básico; a oposição bate palmas. Quanto mais perdido o governo no meio dessa turbulência, que não passa nunca, melhor. Parece que todos estão satisfeitos com essa indigestão. Dizem que a agenda do governo é monotemática, mas a reforma da Previdência, que deve ser melhor explicada para a população, é a primeira de outras que deverão ser discutidas, devido ao seu alto grau de déficit que há anos ajuda a empurrar o país para a fossa.

Não tenho procuração para defender governo algum. Mas FHC tentou fazer a reforma e não conseguiu, Lula só gastou e distribuiu benesses, Dilma manteve o ritmo do seu criador, Temer, também tentou e não conseguiu, devido a sua falta de credibilidade. Bolsonaro, ainda que a seu modo, fixou essa agenda como ponto de partida do seu governo para estancar a sangria. É hora de pensar no país. É hora de deixar de lado as intrigas, o ódio e o veneno e  procurar apoiar qualquer agenda que for positiva no sentido de alavancar a economia. É hora de cobrar dos representantes do povo uma saída honrosa para tirar o país do buraco. Afinal, as redes sociais estão aí e não devem ser utilizadas somente para mandar figurinhas e piadinhas. Use-as de forma positiva. É hora de ser brasileiro.

Oftalmologistas do Calçadão

Há muitos anos, antes das fiscalizações dos Conselhos que autorizavam o exercício das profissões, existiam os chamados “práticos”, pessoas que aprendiam ao lado de outro profissional durante algum tempo e depois tornavam-se profissionais na área. Assim, tínhamos os “Farmacêuticos Práticos”, muitos deles, ou a maioria, com grande conhecimento e experiência na área. Além de conhecedores das drogas manipuladas e exímios “decodificadores” das letras dos médicos para entenderem os complicados nomes dos componentes químicos dos remédios que iam manipular, possuíam um profundo conhecimento dos remédios da flora, fabricados com folhas e raízes de diversas plantas. Os Farmacêuticos Práticos, principalmente nos pequenos lugarejos de parcos recursos médicos, assumiam muitas vezes as funções de parteiros para aquelas mulheres simples que, àquela época, pariam os seus filhos em sua própria casa. Os Farmacêuticos, tanto os práticos como os formados em bancos de Universidades, receitavam até óculos. Lembro-me da “Pharmácia Paschoal”, do Sr. Bernardino (formado em Faculdade), com o seu balcão repleto de óculos com lentes de diversos graus. O cliente ia experimentando um a um, até encontrar aquele que lhe proporcionasse uma visão mais nítida das letras que eram postas à sua frente. Esses Farmacêuticos costumavam ser, como os padres locais, os pontos de apoio das comunidades em que viviam. Por isso muitos deles foram expressivos líderes políticos locais.

Paralelamente existiam também os “Dentistas Práticos” que, após aprenderem o ofício por algum tempo, exerciam a sua profissão, tanto em consultórios fixos, como atuando como profissionais ambulantes, percorrendo fazendas e lugarejos com o seu limitado equipamento (normalmente espátulas, pinças e boticões, pois não se usava anestesia), atendendo os seus clientes. O nosso Tiradentes, por exemplo, foi um desses práticos, embora tenha ficado na história como o protomártir da nossa Independência.

Existiam também as “Professoras Leigas”, sem diplomação para o cargo mas com o conhecimento necessário para transmitir conhecimentos naquelas escolas rurais tão carentes de professores. Algumas, meigas e pacientes com os alunos, outras, com a pedagogia da régua grossa no lombo ou a temível palmatória, que não tive o desprazer de conhecer ou experimentar. Das “reguadas” tenho boas lembranças…

Mas eu queria falar mesmo era dos “Oftalmologistas do Calçadão”. Os que citei atrás foram frutos do tempo, de uma época em que, existindo poucos centros de formação, esses profissionais cumpriam um relevante papel nas comunidades carentes daquelas profissões. Muitos deixaram o seu nome na memória das cidades ou comunidades em que viveram graças aos bons serviços que prestaram. Mas o que causa espanto é a gente ver nos dias atuais, nos calçadões de cidades maiores, aqueles “oftalmologistas” com uma banca repleta de óculos com lentes dos mais variados graus e as pessoas “experimentando” à procura daquele que lhe proporcione uma melhor visão. A desculpa é que as pessoas têm interesse apenas nas armações, que ficariam hipoteticamente mais em conta do que uma armação de marca em uma Ótica. Mas o fato é que muitas pessoas acabam usando mesmo aqueles óculos, desconhecendo se o grau da lente que necessita é aquele mesmo ou, principalmente, se é o mesmo para cada um dos seus olhos. É uma pena que ainda seja permitida a venda de óculos de grau em bancas de rua sem uma fiscalização do órgão competente.