Editorial

Enquanto em Brasília os olhos dos três Poderes estão voltados para a questão política, ou seja, se a Dilma será destituída do seu cargo ou não, se o Lula assume o ministério ou não, e qual será o reflexo da saída do PMDB para a governabilidade daqui para frente, o país continua afundando cada vez mais na recessão.

Com os juros ao consumidor cada vez mais altos, o mercado automaticamente se retrai. Há duas premissas importantes que levam ao crescimento da economia e que estão intimamente ligadas, que são o grau de risco e a confiança. Se o grau de risco for alto, o investidor não investe, porque não tem a certeza da liquidez do seu investimento. O mesmo acontece com a confiança no mercado. O grau de confiança é o elemento mais importante para que haja investimentos com o consequente crescimento da economia.

Ora, com a sequência de rebaixamento do país pelas agências internacionais, o risco Brasil tornou-se muito alto, causando a desconfiança no mercado internacional, o que impede a entrada do capital estrangeiro. No mercado interno, devido à política mal direcionada, a economia também continua travada. O resultado de tudo isso é o crescimento da taxa de desemprego, mandando para o “espaço” as tão propaladas conquistas sociais.

Ao final, como sempre acontece, quem pagará essa conta toda serão os contribuintes, que não têm como se esquivar das altíssimas taxas de juros, e, principalmente, as camadas mais pobres da população, que já se encontram com os seus orçamentos extremamente apertados.

Editorial

A crise econômica que se instalou no país a partir do início de 2015 avança impiedosamente sobre as empresas. Nos últimos anos, uma série de medidas equivocadas do governo colocou o país numa recessão que vem se agravando a cada dia, com reflexos diretos sobre o emprego dos trabalhadores.

Segundo informações econômicas, em 2015, houve um aumento de 12,6 no total de indústrias que tiveram as suas falências decretadas pela Justiça em comparação com o ano anterior. Segundo levantamento da Central de Serviços de Proteção ao Crédito, 277 fábricas fecharam as portas, contra 246 em 2014, revela uma publicação do jornal “O Globo”, na sua página de Economia, assinada pelos seus repórteres econômicos do dia 23 de março deste ano.

As altas taxas de juros impedem o acesso ao crédito. Além do mais, com o quadro de recessão se agravando, poucas empresas se atrevem a fazer investimentos, com receio de não poderem honrar seus compromissos e entrar numa situação de inadimplência.

Outra questão a ser abordada é a alta carga tributária, que gira em torno de 38% do PIB – Produto Interno Bruto -, que é o conjunto de vendas e serviços do país.

Com todo esse cenário de incertezas, agravado pela crise política, certamente, não haverá investimentos capazes de fomentar o crescimento, uma situação que pode se estender pelos próximos três anos, segundo os economistas.

Resta aos brasileiros torcerem para que tudo se normalize no menor espaço de tempo possível. Do contrário, o aumento do desemprego será mais um problema sério a ser enfrentado pelos trabalhadores, principalmente aqueles que historicamente constituem as camadas mais pobres da sociedade.

Editorial

As investigações da Polícia Federal, na Operação Lava-Jato, escancarou um sistêmico esquema de corrupção envolvendo as maiores empreiteiras da construção de obras contratadas pelo Governo Federal nos últimos anos.

Dentre as dez maiores empreiteiras que têm seus contratos em curso com a Administração Pública Federal, sete delas estão envolvidas no esquema de propinas pagas a políticos e partidos, através de doações de campanhas registradas ou não. São elas: Odebrecht, Andrade Gutierres, OAS, Camargo Correa, Queiroz Galvão, Galvão Engenharia e Construcap. A maioria delas, ou está com seus diretores presos, aguardando julgamento, ou eles já foram condenados em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro.

Como se sabe, a lei de licitações para a contratação de obras públicas determina que a empresa licitante esteja completamente limpa, ou seja, são exigidos vários documentos como certidões negativas das Receitas Federal, Estadual e Municipal, previdenciária, trabalhista de ações cíveis e criminais, além de vários atestados que comprovem a idoneidade do licitante, sob pena de ser ele considerado inabilitado.

A pergunta que não quer calar é a seguinte: com tantas empresas envolvidas em falcatruas diversas, tendo os seus principais diretores condenados a vários anos de cadeia, como ficarão os contratos em curso com o governo? Os acordos de leniência feitos as eximirão do requisito de idoneidade para contratar? Como não se tem resposta, resta agora esperar para ver no que tudo isso vai dar.

Editorial

Há uma ideia geral cultivada pelo povo brasileiro, notadamente os mais pobres, de que qualquer criminoso que tiver poder e recursos financeiros para pagar um bom advogado, não vai para a cadeia, ou, se vai, lá não fica.

Embora não seja uma regra, a história mostra alguns exemplos que, ao longo do tempo, deixaram a Justiça na “corda bamba”, levando-a, muitas vezes, a ser criticada pela sociedade já estressada e que, às vezes, não entende que tudo que se julga tem que se ater aos limites da lei. Este sentimento crítico sobre a Justiça emanado da sociedade é ruim em todos os sentidos, uma vez que ela é, sem dúvida, a tábua de salvação da moralidade e um real instrumento contra a impunidade reinante neste país.

Porém, esta desconfiança que leva às mais diversas críticas da população está mudando de rumo. No caso do mensalão, teve o trabalho sério e consistente do ex-ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), impecável nas suas convicções de relator e que levou à condenação e tirou de cena políticos corruptos que nadavam de braçadas nas águas mansas da corrupção, certos da impunidade e da leniência do governo que representavam.

Com a execução da Operação Lava-Jato, a Polícia Federal e o Ministério Público, que são as instituições colaboradoras da Justiça, mostram a importância da sua missão institucional, ganhando, a cada dia, o respeito da sociedade brasileira e um alto grau de confiabilidade, após trazer à luz toda a podridão que impregnava o comando da mais importante estatal brasileira e que já levou para a cadeia altos diretores, políticos e empreiteiros.

Agora, com a nova jurisprudência do STF, que autoriza a Justiça mandar para a cadeia todos os condenados em 2ª instância, por órgão colegiado, é mais um tiro certeiro na impunidade. Que o diga o ex-senador Luiz Estevão. A confiança está voltando.

Editorial

O mosquito aedes aegypti continua atacando sem dó e nem piedade. Vai fazendo as suas vítimas sem distinção de raça, cor, escolaridade, credo ou classe social. É claro que os habitantes de bairros mais populosos e de menor poder aquisitivo sofrem mais, devido ao aglomerado de moradias sem as condições mínimas de saneamento básico.

Outro fator extremamente deficiente é o atendimento nos postos de saúde, que devido à epidemia e ao volume de pessoas infectadas pelo vírus, não dá conta de atender toda a população. Na verdade, não sabem nem o que fazer, a não ser receitar a ingestão de líquidos e de antitérmicos seletivos para controlar a febre. No mais, é sofrer por um certo período – que pode passar de uma semana -, torcer para que não haja outras complicações e esperar que as  terríveis reações (febre, coceira pelo corpo, dor de cabeça constante, ânsia de vômito, falta de apetite) vão embora com as suas próprias pernas.

Uma reportagem do jornal O Globo publicada nesta semana, mostra que pesquisas feitas em laboratório de pesquisadores da Fiocruz, em Pernambuco, comprovaram que o mosquito do gênero culex, conhecido como pernilongo, também pode transmitir o zika. Se isso realmente for comprovado, o caso se torna mais sério ainda.

É fato que o poder público, sozinho e com as condições que tem, não vem dando conta de debelar a proliferação do mosquito. É preciso que a sociedade civil acorde e leve mais a sério essa batalha, que está sendo irremediavelmente perdida a cada dia que passa.

Editorial

A crise econômica pela qual passa o país no momento, e que vem sendo anunciada desde 2014, embora o governo não admitisse por razões óbvias, está se aprofundando cada vez mais. A espiral inflacionária é uma realidade, os juros nas alturas impedem os investimentos, e por via de consequência, atinge a produção que, por sua vez, provoca o desemprego. É como um efeito dominó, que uma vez derrubado o primeiro, torna-se impossível amparar o último. O governo tem dito que a culpa é da crise mundial, que vem atingindo até países ricos.

É claro que, como dependentes que somos da economia de outros países, sem dúvida, pode haver uma correlação, que acaba tomando grandes proporções se não houver um sistema inteligente de defesa econômica, através de medidas preventivas de proteção.

Todos sabem que o mercado está intimamente ligado a duas premissas fundamentais para que aconteçam os investimentos: a confiança e o grau de risco. Se o investidor confia, ele investe, e em havendo investimentos, automaticamente, haverá produção e crescimento, formando-se uma cadeia positiva. Se o investidor desconfia de que há um aumento do grau de risco, certamente, ele não investirá e a cadeia se torna negativa.

Devido ao baixo crescimento do país, as agências de classificação de risco vêm rebaixando sistematicamente a nota brasileira, fazendo com que o país perca o selo de bom pagador. Ou seja, o grau de desconfiança e o alto risco para investimentos estão presentes. Tudo isso em função de um governo incompetente, que gasta mais do que arrecada, cujo cenário fiscal se agrava a cada dia, devido à evolução das más perspectivas também do cenário político negativo aos olhos de diversos países que sempre foram parceiros.

Agora, só resta torcer para que o governo, apesar da sua incompetência, encontre alguma “panaceia” milagrosa para curar todos os males que impedem o crescimento do país.

Editorial

Há muito tempo que os órgãos de comunicação vêm falando e alertando a população a respeito da dengue, disseminada pelo mosquito – ou pela “mosquita”, segundo a presidenta Dilma -, o aedes aegypti.

Depois da dengue, que tem sido suportada pela população, apesar da constatação de várias mortes, apareceram também a febre chikungunya e, agora, a zika, com toda essa polêmica da ligação com casos de microcefalia e o risco que correm as mulheres grávidas ou que queiram se engravidar.

Todos sabem que a saúde pública no Brasil é de uma precariedade intolerável, por causa da leniência dos governos. A saúde pública encontra-se, literalmente, no fundo do poço. Aliás, a “mosquita”, como disse a presidenta, nem precisa de poço para se reproduzir. Basta qualquer água parada, num lugar qualquer, num quintal, numa caixa d’água ou em cima de um plástico, jogado em algum terreno baldio.

Agora, com mais essa novidade da microcefalia, se realmente houver ligação com o mosquito transmissor, a insegurança da população será muito maior, levando-se em consideração a gravidade da nova doença.

É preciso que a população esteja cada vez mais atenta para o problema, agindo e pressionando o poder público, no sentido de mitigar a incidência das doenças causadas pelo aedes aegypti.

Editorial

Durante a Operação Carnaval de 2016, a Polícia Rodoviária Federal registrou, segundo os últimos informes, entre os dias 5 e 9 de fevereiro, 1.429 acidentes, sendo 150 acidentes graves, perfazendo um total de 1.415 feridos e 94 mortos. De acordo com a PRF, os números ainda não estão totalmente fechados e existe a possibilidade de serem ampliados.

O que se deve levar em conta é que o carnaval é um típico “feriadão”, no qual as pessoas o utilizam para se divertir, descansar dos trabalhos diários, e, outras, preferem viajar para buscar o entretenimento em outras cidades. Todos sabem que a maioria das estradas brasileiras, apesar da alta carga de impostos que pesa sobre os ombros dos brasileiros, são de péssimas qualidades. São estradas esburacadas, tortuosas, com muitos declives e sem acostamento. Este é um dos fatores importantes que ocasionam os mais variados acidentes.

Há de se considerar, também, que, com as novas tecnologias, a grande maioria dos veículos é altamente potente, o que estimula os condutores a imprimirem uma velocidade incompatível com as estradas de péssima qualidade da malha viária existente em todo o país. Essa incompatibilidade é um dos fatores que vão gerando acidentes cada vez mais violentos e que vão deixando um rastro de dor nas famílias pela perda irreparável de seus entes queridos.

É preciso que sejam feitas campanhas mais eficientes nos meios de comunicação no sentido de conscientizar motoristas de todas as idades, alertando-os dos riscos que estão correndo por causa  da junção destes dois fatores apontados como causas de acidentes graves, sem as quais continuarão ocorrendo os acidentes nas estradas, cujos números são maiores do que muitas guerras que são travadas entre países em conflito. Com a palavra, as autoridades.