Editorial

O Brasil tem uma das cargas tributárias mais altas do planeta. Sempre que o governo se acha em dificuldades para equilibrar as suas contas, a primeira solução que passa pela cabeça dos chamados tecnocratas que mandam na economia é o aumento de impostos.

A notícia veiculada de que haverá uma mudança no PIS/Confins, unificando a base de cálculo, poderá, segundo estudos de especialistas, elevar os tributos em cerca de R$ 50 bilhões, sendo que só para o setor de serviços, o impacto será de mais de R$ 35 bilhões, o que representa uma carga extra que recairá sobre cerca de 2,5 milhões de empresas.

Ora, por mais que a crise mundial possa afetar a economia do país, não é só aumentando impostos que se resolve o problema. Se o governo não fizer a sua parte, cortando os seus gastos, qualquer outra medida será inócua.

O aumento de impostos onera as empresas, que acabam repassando os custos para o consumidor final, que é, na verdade, quem paga a conta.

O pior é que, com os investimentos cada vez mais escassos e o país mergulhando numa profunda recessão, o aumento de impostos vem na contramão de direção do crescimento, o que por si só já seria um importante impeditivo para este tipo de medida. Além disto, as empresas e todos os contribuintes já não têm como apertar mais os cintos, que andam pegando, não na cintura, mas no pescoço de todos eles.

Editorial

Nesta semana, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), uma das instituições mais representativas e de maior credibilidade do país, em conjunto com entidades empresariais como as confederações nacionais do Transporte (CNT), da indústria (CNI) e de saúde (CNS), lançaram um manifesto denominado de “Carta à Nação”, na qual afirma que o país vive uma “crise ética, política e econômica”, defendendo a adoção de medidas para o melhoramento do ambiente de negócios, como a desburocratização do processo produtivo, investimento em infraestrutura e aprovação de reforma tributária.

As ações propostas por entidades tão representativas, aliadas às manifestações populares, são de suma importância para que os poderes constituídos, principalmente aqueles que demandam a representatividade política, se sintam pressionados no sentido de se buscar soluções que sejam viáveis para pavimentar o caminho do crescimento socioeconômico da população, e por via de consequência, do país como um todo.

Diante disto, é importante que outras entidades façam o mesmo, uma vez que a inércia em nada contribui para ajudar nas soluções dos principais problemas do país.

Criticar faz parte do contexto, mas se faz necessário, também, que todos se unam apresentando ideias e soluções viáveis, independentemente de opções partidárias ou políticas. É o que se espera.

Editorial

A nossa presidenta Dilma tem buscado os meios de comunicação para tentar dar um pouco mais de qualidade ao seu governo e para convencer o povo de que todos precisam confiar na recuperação política e econômica do país.

Carregando nos ombros a responsabilidade de fazer o Brasil retomar o caminho do crescimento, sem o qual é impossível fazer baixar as taxas de desemprego, por exemplo, ela adota um discurso de que todos precisam buscar uma “agenda positiva para o país”. É, sem dúvida, a questão da confiança. Se não houver confiabilidade no mercado, o investidor se retrai, e, em não havendo investimentos, toda a cadeia produtiva permanece paralisada, o que promove, por via de consequência, a estagnação da economia.

A presidenta tem hoje o pior índice de popularidade da História do país. Apesar do aumento dos juros utilizado pela atual equipe econômica, como a única “panaceia” para interromper o crescimento da inflação, esta continua em alta, podendo chegar muito breve aos dois dígitos, o que não acontece desde 1994, quando foi implantado o Plano Real.

Já não se fala mais em programas sociais como o “Bolsa Família”, “Minha Casa, Minha Vida”, “Luz Para Todos”, “Mais Médicos” e outros programas dos quais o governo se utilizava para promover a administração e aumentar a sua popularidade, principalmente junto às camadas mais carentes da sociedade.

Sem autoridade para administrar a crise em que o seu governo mergulhou o país, busca na retórica uma saída para reunificar a sua base aliada, já bastante desgastada e onde ninguém se entende e, por conta disto, o Congresso vem impondo seguidas derrotas ao governo nas votações que a presidenta entende com a “salvação da Pátria”.

Enquanto a presidenta não fizer a sua “mea culpa” admitindo os erros cometidos pelo seu governo, dificilmente ela conseguirá reconquistar a confiança para impor a tal agenda positiva, e certamente continuará a ouvir os “panelaços” que o povo tem feito para protestar contra os desmandos que continuam mergulhando o país em uma das suas maiores crises política e econômica de toda a sua História. O resto é esperar para ver no que vai dar.

Certamente, será o povo que irá pagar mais esta conta.