Os mistérios de um ditador

Os mistérios que cobrem a vida de uma celebridade são desvendados muitos e muitos anos depois de sua morte, principalmente os mistérios que envolvem a vida de um ditador. Foi assim com Stalin, cujas minúcias sobre seu regime de terror só foram desvendadas depois que o governante russo Mikhail Gorbachev, com a Glasnost e a Perestroika, abriu os arquivos da extinta URSS ao mundo civilizado. Só assim ficamos sabendo que os mais de 150 mil oficiais do Exército polonês fuzilados e sepultados em covas coletivas, foi obra de Stalin e não do Exército alemão. Do mesmo modo, ficamos sabendo das atrocidades da ditadura hitlerista.

No que se refere à ditadura de Fidel Castro (de 1959 a 2008) o desvelamento dos mistérios está sendo mais breve do que se esperava, pois muitos jornalistas já pesquisavam sobre os segredos do ditador cubano e as controvérsias sobre sua vida particular.

O primeiro grande problema é o verdadeiro nome do ex-ditador cubano. Segundo fontes do governo cubano seu nome era Fidel Alejandro, mas ele possui diversas certidões de nascimento em virtude de sua condição de filho ilegítimo, por isso, teve diversos outros nomes. A historiadora Cláudia Furiati, em um livro publicado em 2003, afirma que na certidão de batismo de Fidel, de 1935, ele foi registrado como Fidel Hipólito Ruz Gonzales. Já em 1938 consta outro nome: Fidel Cassiano Ruz Gonzales e em 1941, quando foi finalmente reconhecido pelo pai, passa a se chamar Fidel Alejandro Castro Ruz, nome pelo qual ficou conhecido até a sua morte.

Mulherengo ao extremo, teve muitos filhos, cerca de onze, entre legítimos e ilegítimos, segundo a jornalista americana  Ann Louise Bardach. A jornalista ainda inclui outros “herdeiros” não confirmados, como um homem chamado Ciro Redondo que teria sido fruto de uma breve relação do líder cubano. A mesma jornalista afirma ainda que em 2007 uma desertora do Serviço de Inteligência cubano disse ter tido um filho com Fidel nos anos 70.

Quanto à fortuna do ditador, a revista Forbes passou a incluí-lo entre os mais ricos a partir de 1997 e em 2006 o líder cubano aparece na citada revista com uma fortuna avaliada em USD 900 milhões (R$ 3,1 bilhões). Com o tempo, muitos outros segredos ainda virão à tona.

Por ocasião da morte do Ditador cubano, em 2016, fiz um poema, não em sua homenagem, mas para os milhares de cubanos mortos no “paredón” ou exilados do país.

 

A MORTE DO TIRANO

(25/11/2016)

Adellunar Marge

 

O tirano destruiu os ideais de muitos,

dobrou-lhes o corpo com a tortura, subtraiu vidas

no “paredón” ensanguentado.

Gestou, na crueldade das suas ações, multidões de órfãos e viúvas

ou matou, na semente da juventude, os filhos e esposas que seriam…

 

O tirano, ensandecido pelo poder, implantou o medo e o terror

no coração dos homens.

A melodia que embalava os sonhos na ternura dos boleros,

emudeceu na ilha.

 

O tirano espojou-se no sangue de gerações mas não derrotou

a morte.

Um dia ela chegou e o encontrou envelhecido de corpo e

de alma

e o tirano sucumbiu.

 

Já estava morto, quando morreu.

Os que sobreviveram à sua tirania bailaram à luz do luar

ainda longe da ilha,

com a esperança de voltar…

Afinal, quem cortou a orelha de Van Gogh?

Van Gogh foi e ainda continua sendo, através das obras que deixou, uma das maiores expressões da pintura mundial. Foi classificado como um representante pós-impressionista na pintura.

Vincent Willen Van Gogh nasceu em Zundert, Holanda, em 30 de março de 1853 e cometeu suicídio (versão às vezes contestada) em Auvers-Sur-Oise, França, em 29 de julho de 1890. Sua obra foi bastante influenciada pelas pinturas de Claude Monet, Rembrandt e Cézanne, para citar os mais importantes.

Durante seus trinta e sete anos de vida, Van Gogh foi uma alma atormentada. Sofria de Transtorno Bipolar ou maníaco depressivo, ansiedade, depressão e tinha ataques frequentes de epilepsia. Além de todos esses problemas, Van Gogh era usuário dependente do absinto, uma bebida de elevado teor alcoólico, tóxica e de uso muito comum entre artistas, escritores e poetas naquela época. Sua base de apoio psicológico sempre foi o irmão Teo, que atenuava suas crises.

O conjunto de todos esses problemas que transformaram a vida de Van Gogh em um drama existencial, não foi empecilho para que ele se transformasse em uma das maiores expressões nas artes plásticas. Sabia traduzir, como ninguém, as “impressões” interiores que tinha do mundo que o cercava, através das cores de suas tintas e da magia de seu pincel.

Apesar de nunca ter vendido nenhuma de suas mais de duas mil obras, enquanto vivo, seus quadros atravessaram o tempo, imortalizaram o pintor e atingem hoje, nos grandes leilões de empresas famosas como a Sotheby’s, por exemplo, milhões de dólares quando são leiloadas. Em 2015, por exemplo, seu quadro “L’Allée des Alyscamps” foi vendido por 66 milhões de dólares e o “Portrait de Dr. Gachet”, pintado em 1890, ano da sua morte, por 82,5 milhões de dólares.

Mas eu nomeei esta crônica como “Afinal, quem cortou a Orelha de Van Gogh”.

Ninguém desconhece a história de Van Gogh, em uma de suas crises depressivas, ter cortado parte da sua orelha com uma navalha e ter levado o pedaço que cortou para dar de presente à Rachel, uma prostituta sua amiga. Depois, Van Gogh, que gostava de pintar auto-retratos, pintou-se com um curativo cobrindo a sua orelha cortada. Mas segundo os escritores e pesquisadores alemães Hans Kalfmann e Rita Wildegans, no polêmico e recente livro “A Orelha de Van Gogh: Paul Gauguin e o Pacto de Silêncio”, o que pouco gente sabe é que tem muito mistério ainda por trás dessa história.

Quando Van Gogh mudou-se da Holanda para a França, encantou-se com as manhãs claras daquele país, principalmente em seus dias de Verão. As cores das flores e da vegetação, acentuadas pela luz brilhante do dia, entorpeciam o pintor e ele traduzia aquele sentimento para os quadros que pintava.  Segundo os autores do livro, certa vez, quando Van Gogh estava em Arles, na Provence, vivendo na famosa “Casa Amarela” da Praça Lamartine, convidou o seu amigo, também consagrado pintor, Paul Gauguin, que viveu ali, trabalhando com Gogh de outubro a dezembro de 1888. Durante esse período, precisamente no dia 23 de dezembro,  os dois pintores tiveram uma séria discussão por causa de uma disputa sobre a prostituta Rachel. Foi quando Van Gogh empunhou uma navalha agressivamente e Gauguin, que era um exímio esgrimista, desembainhou a sua espada para se defender e, talvez acidentalmente, acabou decepando um pedaço da orelha de Van Gogh. Para que Gauguin não fosse para a cadeia e Van Gogh não fosse para o hospital, fizeram o tal “Pacto de Silêncio”.  Segundo Hans Kalfmann, Van Gogh deixa uma pista na carta que enviou ao irmão Teo, quando afirma: “Felizmente Gauguin não estava armado com metralhadoras ou outras armas de guerra perigosas…”. Resta aguardar novas especulações para decifrarmos mais esse enigma na conturbada vida do pintor holandês.

A responsabilidade do articulista

Escrever em um jornal, ainda que seja através de uma crônica semanal, reveste-se de uma responsabilidade muito grande, tanto em relação ao Jornal como (e principalmente) em relação aos leitores que nos honram com a sua leitura.

Nem sempre os assuntos que abordamos agradam a todos que os leem. A visão de mundo difere em cada pessoa, por isso a diferença do juízo que cada um faz sobre aquilo que escrevemos.

No entanto, para quem gosta, escrever é um exercício de prazer, jamais um sacrifício. Quando  escrevemos, tiramos as palavras do isolamento em que se encontram e as ligamos umas às outras buscando transmitir uma ideia, que pode ser real ou até mesmo se situar no reino da fantasia, como na poesia.

Nesse exercício lúdico, os autores se diferem de acordo com a sua competência, a sua capacidade de expressar o pensamento e levar ao leitor um trabalho de qualidade. O mundo possui milhões e milhões de pessoas que escrevem, mas apenas uns poucos se destacam como grandes expressões na arte da escrita.

Na Literatura encontramos inumeráveis exemplos de penas magníficas, capazes de conjugar a arte com a escrita, brindando o mundo com verdadeiras obras-primas. Estou me referindo a autores do porte de um James Joyce e o seu magnífico Ulisses, de um Machado de Assis e seus romances memoráveis, de um Victor Hugo e o seu Corcunda de Notre Dâme, de um Alexandre Dumas, de um Manoel Bandeira, Uma Cecília Meireles, um Dostoievsky, um Edgar Allan Poe ou excelentes cronistas como Rubem Braga, Fernando Sabino, Clarisse Lispector e tantos outros.

Todos nós podemos escrever se somos alfabetizados, mas escrever com a qualidade de um grande escritor é uma dádiva reservada apenas a alguns por sua genialidade, como os autores que citei acima. Mas isso não impede que pessoas como eu, ainda que não dotado das qualidades de um homem de letras, aventure-se no universo das crônicas ou da poesia, ocupando a coluna semanal de um jornal. Escrevo, talvez pela bondade do Jornal que me aceita ou da gentileza dos leitores que leem  os meus escritos. De qualquer modo é um prazer transitar pelas páginas do “A Notícia”, disfarçando-me de cronista enquanto o tempo passa e me transpassa com o passar dos anos. Mas mesmo assim tenho as minhas retribuições.

Uma dessas retribuições é a prezadíssima Dona Penha, que do alto dos seus noventa anos de vida e experiência, exercita a sua caminhada pelas manhãs, na Av. Kubitschek, ostentando o seu bom humor e o seu encanto pela vida. Caminha esguia, ao lado da sua filha, com o brilho nos olhos de quem contempla o futuro. O tempo não lhe abate o espírito e jamais lhe diminui a vontade de viver e celebrar a vida nas manhãs de sol da Kubitschek.

Penha significa rocha ou rochedo. Deriva do espanhol “Peña” e não poderia refletir melhor a firmeza de corpo e espírito da simpática e gentil Dona Penha.

Um dia desses eu a encontrei caminhando na avenida. Ela parou-me para cumprimentar-me e se disse, como de outras vezes, leitora assídua das minhas crônicas, com elogios que eu estou  muito longe de merecer. É uma honra ser lido por uma leitora como a senhora Penha. Nós valemos muito mais pela qualidade daqueles que nos elogiam. Obrigado Dona Penha…!

O lixo nas ruas e as enchentes

É certo que pesquisadores apregoam em altas vozes que as ações dos homens sobre o meio ambiente têm provocado alterações climáticas em todo o planeta, ocasionando tempestades como há muito tempo não se via. É claro que, (com muitos exageros), o homem tem sido visto como o grande vilão das desgraças do mundo, mesmo se levarmos em conta que na época das catástrofes que dizimaram os dinossauros e grandes florestas, o homem ainda nem existia sobre a face da terra. Mas não podemos negar que o homem tem tido, através dos tempos, uma considerável parcela de culpa nos problemas que afligem o mundo e ao próprio homem, o maior algoz de si mesmo.

As últimas terríveis enchentes que ocorreram nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro podem ser debitadas à incompetência de governos anteriores em solucionar os graves problemas de infraestrutura das cidades, principalmente no que se refere às redes pluviais urbanas. Mas é impossível não se debitar a maior parcela de culpa a uma grande parcela deseducada da população, que inunda as ruas de lixo, entupindo as redes urbanas de escoamento. Basta que se olhe os bueiros entupidos das cidades e toda a sorte de entulho espalhado pelas ruas pelas próprias pessoas que nelas transitam.

Em nossa Muriaé a situação não é diferente. É claro que os administradores municipais têm sim uma relevante parcela de culpa em não dotarem a nossa cidade de números necessários de lixeiras, de não manterem limpas de mato e de lixo as margens do nosso maltratado rio e, até mesmo, de não efetuarem limpezas mais frequentes dos bueiros da cidade. Mas seria injusto crucificar apenas a administração pública municipal pelos problemas da limpeza urbana. A maior parcela de culpa é mesmo da população.

As margens do nosso rio, ainda que não estejam capinadas e com o mato retirado com mais frequência, é um imenso depósito de lixo a céu aberto. As pessoas descartam diariamente naquelas margens, milhares de sacolas de mercado cheias de lixo caseiro, restos de materiais de construção, restos de móveis usados e plásticos de toda a ordem. É só olhar as margens do nosso rio Muriaé na extensão da Avenida Kubitschek. Uma operação de limpeza desses entulhos diários pelo Poder Público seria uma infrutífera tarefa de “enxugar gelo”.  Isso sem falar no lixo que se joga pelas ruas em forma de papéis, plásticos e cascas de frutas de toda a ordem.

A famosa tese de “conscientização” da população a respeito desses problemas parece não surtir muito efeito. As escolas ensinam essas noções fundamentais de cidadania mas parece que as pessoas já trazem de casa certos hábitos difíceis de serem corrigidos.

Há alguns anos, quando ainda lecionava em um curso superior, um aluno, durante uma aula de Ética, degustava balas na sala de aula. À sua volta, ele atirava dezenas de papeis das balas que consumia. Quando o interpelei educadamente sobre aquele acúmulo de lixo a sua volta ele respondeu, a mim e diante da turma, que ele pagava à Instituição pelo curso que fazia e que, portanto, era “obrigação” dos serventes da área procederem a limpeza do local.

Assim ocorre nas ruas das cidades e “conscientização”, ainda que aconselhável, não seria suficiente para a solução do problema. Talvez, uma medida mais eficaz fosse a instalação de câmeras por toda a cidade para flagrar os “sugismundos” urbanos e aplicar uma multa por ato de infração contra a limpeza urbana. Às vezes não adianta apenas apelar para a consciência das pessoas, pois muitos ainda não a possuem desenvolvida em nível de uma efetiva cidadania, mas uma sanção em dinheiro teria um efeito mais rápido e formador. Afinal, o órgão mais sensível do ser humano é o bolso…

AS PEQUENAS MÁQUINAS QUE INVADIRAM A NOSSA VIDA

De repente aqueles sinais eletrônicos musicados anunciando uma nova mensagem e depois, mais outra e mais outra e os dias e as noites são insuficientes para receberem tantas mensagens. A maioria referindo-se a futilidades sem serventia alguma. Mas o fascínio do aparelhinho, seja um Iphone caríssimo da Apple ou um modelo mais modesto de um Android da Google, não interessa, os Smartphones invadiram as nossas vidas e transformaram o nosso modo de ser. Sem um aparelho daqueles nas mãos algumas pessoas se sentem mutiladas.

As mensagens se sucedem numa rapidez tamanha que às vezes é impossível ler todo o texto recebido, principalmente daquelas mensagens enormes, de autoria duvidosa e com o indefectível conselho: repasse para tantos amigos. E a maior parte das pessoas, como cordeirinhos, repassam…

Colocam-se na boca de filósofos, personagens ilustres, políticos e Papas coisas que eles talvez jamais tenham falado, mas são usados para se agregar um pouco de credibilidade àquilo que se afirma e as maquininhas não nos dão sossego com seus sinais musicados insistentes.

Muitos pais, talvez para se livrarem do trabalho de dedicar atenção aos filhos, dão a eles de presente os mais diversos tipos de Smartphones, de acordo com o gosto e o bolso de cada família e as crianças, em casa, nos restaurantes, nas ruas ou nos intervalos das aulas, clicando com os dois pequeninos polegares aquelas minúsculas teclas, com uma agilidade de fazer inveja aos adultos. As mulheres, à noite, trocam as caricias do casal pelo toque no já quase erótico aparelho num frenesi prazeroso que se estende até à madrugada.

O desempenho das crianças na escola cai, mesmo com a educação caótica que temos, incapaz de exigir grandes coisas dos alunos. Parece (a despeito de todas as vantagens da tecnologia) que existe uma estratégia por traz de tudo isso para formar um mundo de cordeiros internéticos, guiados pelo guizo eletrônico dos aparelhinhos. Teoria da conspiração? Que seja…!

Não sabemos ainda a extensão dos danos a essas crianças com 24 horas de celular nas mãos, mandando e recebendo mensagens ou conectadas nos jogos eletrônicos. Uma família, à mesa de um restaurante ou em um parque público, não conversa. Cada um “saca” o seu smartphone como se fosse um Colt nos filmes de faroeste e se conecta. Alguns diriam que isso também é comunicação. Tudo bem, mas não é uma comunicação com a pessoalidade da presença, olhos nos olhos, como se pretende uma relação. A não presença faculta a artificialidade ou até mesmo a falsidade do diálogo.

Eu me cansei. Não sei se pelos anos de estrada existencial ou se por um rigor crítico absurdo, o certo é que eu me cansei disso. Cansei de atender aos apitos eletrônicos e encontrar aquelas mensagens repetitivas de conselhos morais, de apelo religioso. Cansei de atender mensagens enviando textos de fanáticos ideológicos, excretando boçalidades. Passei a entender que a vida tem coisas muito mais importantes do que isso. Aí eu resolvi dar um tempo. Não frequento mais o Facebook; só acesso o meu E.Mail para enviar as minhas crônicas semanais ou ver se tem algo de importância que mereça a minha atenção; desabilitei do meu celular os aplicativos de whatsApp e outros mais. Agora o meu aparelho só tem função telefônica e isso me basta.

Faz um mês e me sinto ótimo. O meu tempo eu o tenho ocupado com a releitura do acervo da minha biblioteca pessoal e a cada releitura descubro um universo novo naquelas obras, porque as releio com um espírito sempre diferente do espírito que tinha na primeira leitura. Tenho livros que vão dar para eu reler até o fim da minha vida. Entrando nos 79 anos não é tanto tempo assim, preciso aproveitá-lo bem…!

Nem sempre o vinho velho é o melhor…

Desde a antiguidade já se falava da supremacia dos vinhos envelhecidos sobre os vinhos novos. No próprio texto bíblico existe uma passagem em que Lucas afirma que ninguém trocaria o sabor de um vinho velho pelo de um vinho novo. Cícero, o grande jurista e orador romano afirmava, lá pelo ano 50 a.C. que “Os homens são como o vinho, a idade azeda os ruins e melhora os bons”. Na realidade, o envelhecimento pode aperfeiçoar sim alguns vinhos que, por si só, já possuem certos elementos que propiciam a melhoria das suas qualidades organolépticas, ou seja, aquelas qualidades que atuam sobre os sentidos, mais especificamente sobre o olfato e o paladar. Mas não são todos os vinhos que se prestam ao envelhecimento, assim como os cabelos brancos nos seres humanos jamais foram atestado de idoneidade, pois os crápulas também envelhecem.

O hábito de se falar que todo vinho melhora com o envelhecimento, vem da antiguidade, quando o processo de fabricação e armazenamento dos vinhos era bastante rudimentar. Os vinhos daquela época eram péssimos para se tomar quando recém fabricados. Quando “descansavam” por um certo tempo, passavam a ser mais palatáveis. Para se ter uma ideia,  na antiguidade grega ou romana os vinhos eram armazenados em ânforas de barro (enormes jarros) com tampas também de barro vedadas com cera de abelha. Mas foram os romanos que, aprendendo com os gauleses, passaram a usar toneis de Carvalho para o transporte de vinhos e outros gêneros, descobrindo que o vinho melhorava o seu sabor quando guardado naqueles barris. A invenção das garrafas de vidro pelos ingleses e o uso das rolhas de cortiça, que se credita ao monge francês Don Perrignon (o mesmo que inventou o Champagne), seriam conquistas do século XVII.

Com o avanço da tecnologia e o acúmulo de conhecimentos aperfeiçoou-se a fabricação do vinho e o seu armazenamento, além, é claro, dos cruzamentos para obtenção de variados tipos de uvas que, fermentadas sozinhas ou  nos chamados “cortes”, quando são misturadas em diversas proporções com outras uvas, produzem a imensa variedade de vinhos que conhecemos.    A tecnologia atual permite o surgimento de vinhos para serem bebidos pouco tempo após a sua fabricação. Aliás, a maioria dos vinhos que se consome hoje em dia, podem ser guardados no máximo de um a três anos, daí para frente correm o risco de se tornarem piores. Os chamados vinhos fortificados, geralmente doces, como o do Porto, os Madeira e outros congêneres, podem ser guardados em garrafas por tempo indeterminado.

É claro que alguns vinhos tintos de excelência, os chamados vinhos de guarda, podem e devem ser envelhecidos. São vinhos que melhoram a qualidade e atingem o clímax das suas qualidades quando guardados em garrafas por até vinte ou trinta anos. Isso após terem estagiado por um bom período em toneis de carvalho. Esses vinhos, além de aprimorarem a sua qualidade, elevam às alturas o seu preço. Se já eram caros quando jovens, imaginem o seu preço quando envelhecidos.

Na cidade do Porto, em Portugal, hospedei-me certa vez no “Grande Hotel do Porto”, um dos mais antigos da cidade, que ostenta uma placa de bronze em sua entrada que registra a visita do deposto Imperador brasileiro, Pedro II e da Imperatriz Tereza Cristina, em dezembro de 1889. Na vitrine da sua sala de refeições, deparei-me com alguns desses vinhos com mais de trinta ou quarenta anos de garrafa,  expostos para venda. Olhei, contemplei e imaginei o sabor daqueles vinhos. Apenas os contemplei imaginando o seu sabor, porque por mais que eu quisesse degustá-los, eles não caberiam no meu bolso. Esse é o grande defeito das roupas com bolso pequeno…

 

O histórico problema de Jerusalém

Sem dúvida alguma a história de Jerusalém se confunde com a história do povo hebreu. De acordo com os escritos bíblicos, David teria conquistado a cidade cerca de 1000 anos antes de Cristo, expulsando dali os Jebuseus, transformando-a na capital do Reino de Israel. Teria sido ali que Salomão, filho de David, construíra o primeiro templo. Isso, sem dúvida, transformou-se em uma simbologia para o povo judeu. Acredita-se que o nome Jerusalém, ou “Yerushaláyim”, resultado da composição: “Yir’a” (temor a deus ou ao sagrado) + “Shalem” (perfeição), deve ter sido associado à cidade no período pós-exílio para a Babilônia.

É impossível negar a pertinência da cidade de Jerusalém com o povo Judeu, mesmo levando-se em conta a quantidade de povos que a conquistaram e a perderam durante a sua longa história. Jerusalém foi destruída, seguramente, 2 vezes; foi sitiada e atacada cerca de 60 vezes, tendo sido conquistada e reconquistada quase 50 vezes. A parte mais antiga da cidade remonta há milênios antes de Cristo.

Vários povos habitam hoje a chamada “Cidade Santa”, principalmente depois da implantação do Estado de Israel em 1947, quando para lá afluíram judeus de vários países diferentes, mas a parte antiga da cidade é dividida em bairros habitados principalmente por Armênios, Cristãos, Muçulmanos e Judeus. A cidade ocupa uma pequena área de 0,9 km² e possui uma população de cerca de 750.000 hab.

Se examinarmos a história dessa cidade, será fácil perceber que, apesar das várias invasões de povos árabes, das dezenas de Mesquitas ali construídas, a sua ligação maior foi sempre com o povo judeu, por isso a decisão do governo israelense, através do “Knesset”, seu Parlamento, de transferir para aquela cidade que é o símbolo do povo judeu, a Capital do Estado israelense. É claro que isso desagradou a muita gente, principalmente sob o aspecto político estratégico que explora as convicções religiosas envolvidas. Jerusalém foi sempre disputada entre as nações, mas talvez nunca como nos tempos das “Cruzadas”, em que países europeus se digladiavam com povos árabes pelo domínio da região.

Agora, o governo de Israel decidiu instituir o hebraico como idioma oficial do país e o idioma árabe como a língua de segundo plano na comunicação oficial. É claro que isso criou mesmo uma polêmica. Mas um país é formado, principalmente, por um povo, um território e uma língua nacional e ainda que Jerusalém tenha uma multiplicidade de etnias que a habitam ela integra, mais que o Estado de Israel, o espírito judaico.

Em Londres, em termos de comunicação, por exemplo, podemos observar milhares de línguas, dialetos ou falares por suas movimentadas ruas. Em um vagão de metrô, são dezenas de línguas diferentes, numa verdadeira Torre de Babel, mas nem por isso o idioma oficial da Inglaterra deixa de ser a língua inglesa.

Pela significação histórica e pertinência com o povo judeu, nada mais justo do que a Capital do Estado de Israel ser transferida de Tel-Aviv para Jerusalém e a língua oficial ser mesmo a língua hebraica.

O problema é que uma decisão da ONU em 1947 classificou Jerusalém como “Território Internacional”, mas com a famosa “Guerra dos Seis Dias”, em 1967, Israel, que já havia anexado a parte ocidental da cidade, anexou também a parte oriental que havia sido anteriormente ocupada pela Jordânia. É claro que será sempre muito difícil uma paz definitiva entre povos e interesses tão conflitantes, como naquela região, principalmente quando grupos radicais usam do terrorismo como arma de persuasão.

 

CORRIGINDO  ERROS HISTÓRICOS

Por ocuparem a maior parte dos cargos nas Universidades Públicas e na direção burocrática do país durante cerca de duas décadas, a esquerda “aparelhou” o nosso país para a transmissão maciça da sua ideologia, destruindo os conceitos básicos da cidadania e criando uma “nova história nacional’, tão falsa como os pressupostos ideológicos que procuram transmitir.

As esquerdas usam as liberdades das Democracias Liberais justamente para tentar destruir essas democracias e implantar em seu lugar uma ditadura. Imagine como seria se um professor universitário em Cuba pregasse contra a ditadura cubana. Quanto tempo ele teria entre a sua fala e o “paredón” de fuzilamento ?

Seguindo ícones sócio-comunistas como Marx, Gramsci, Stalin, Trotsky, Mao e Fidel, a esquerda usa a educação (principalmente as Universidades) para destruir os conceitos nacionais e substituí-los por valores ideológicos da sua linha, com o objetivo final da implantação de uma ditadura chamada do proletariado, quando na verdade se refere à ditadura de uma casta de dirigentes, como ocorreu na URSS, na China, na Coreia do Norte, em Cuba e na Venezuela, onde o povo se contentava com os racionamentos e gêneros de péssima qualidade, enquanto os dirigentes se locupletavam com o dinheiro público. Os dirigentes soviéticos, por exemplo, tinham casas de campo no mar negro e usavam sapatos de cromo alemão, enquanto o povo compartilhava apartamentos de terceira categoria e usavam botinas de atanado.

A esquerda brasileira, chamada “festiva” ou do “caviar”, como a do Wagner Moura, do Chico Buarque ou da “República do Dendê”,  procuram dar a Carlos Marighela e Carlos Lamarca status de heróis, quando, na realidade, foram terroristas que, assassinando e assaltando bancos e quarteis, queriam implantar no Brasil uma Ditadura nos moldes de Cuba, jamais pensando em Democracia. Aliás, usam sim a liberdade das Democracias, como dissemos acima, para praticarem os atos terroristas.

Segundo dados da Internet, Wagner Moura obteve cerca de 10 milhões da Lei Rouanet para fazer um filme que falseia a história e tenta transformar um terrorista que nunca trabalhou, em herói. Inclusive levando para interpretar Marighela, que era um mulato claro, um ator negro, o “seu Jorge”, tentando incrementar o fator “racismo” em seu pífio filme.

Outro engano foi a tentativa de transformar o também terrorista Carlos Lamarca, em herói. Ainda segundo dados da Internet, Lamarca foi um capitão que desertou em 1969 do Exército brasileiro, roubando em sua saída dezenas de fuzis, metralhadoras e munições. Praticou com seus comparsas assaltos a Bancos em São Paulo, onde assassinaram o guarda Orlando Pinto Saraiva. Em 1970 promoveu o sequestro do Embaixador Suíço Von Holleben. Entre seus muitos crime, Lamarca assassinou com golpes de coronhadas de fuzil o Tenente PM Alberto Mendes Júnior. Lamarca foi morto em 17/09/1971, mas 36 anos após a sua morte, o então Ministro da Justiça, Tarso Genro, do PT, conseguiu a “promoção” do falecido Lamarca a Coronel, para benefício da viúva, com soldos equivalentes a de General de Brigada e mais uma indenização de 300 mil reais. Mas não é só, em 2007 foi concedido à viúva uma “reparação” econômica no valor de R$ 902.715, 97. Quanto às famílias dos assassinados por ele e tantos outros terroristas, nada…

Dilma Rousseff, que usava diversos codinomes, mais José Dirceu, José Genoíno e tantos outros que atuaram no terrorismo, não só permaneceram impunes como chegaram a galgar cargos eletivos, contribuindo decisivamente para a formação de uma ativa base de esquerda nas Universidades Públicas e na composição burocrática do país.

Felizmente a população acordou, mas ainda falta muito para extirpar da Educação brasileira, principalmente a universitária, aqueles que insistem em ideologizar a educação, alienando grande massa de estudantes.