O que torna uma nação estável

São muitos os fatores que tornam uma nação estável mas, sem dúvida alguma, entre esses fatores estarão um crescimento econômico sustentável e um conjunto de leis que possam garantir a tranquilidade social e a existência de um Estado Democrático de Direito.

Em nosso país, esses dois quesitos foram sempre um obstáculo ao nosso desenvolvimento. Basta atentarmos para o elevado número das nossas Constituições  para se ter uma ideia das turbulências internas que as originaram. A nossa primeira Constituição foi a de 1824, dois anos após a nossa independência político-administrativa e ainda no tempo do Império. Foi aquela que instituiu, além dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, o Poder Moderador, exercido pelo Imperador. Depois, tivemos a primeira Constituição Republicana, em 1891, que introduziu o Laicismo, separando a Igreja do Estado, uma grande conquista para a época. Depois, a de 1934 que, a despeito da sua inspiração autoritária, foi a que estabeleceu as eleições diretas, o voto secreto e sacramentou o direito de voto às mulheres.  A de 1937, essencialmente autoritária e que instituiu o “Estado Novo”, foi redigida praticamente por um único jurista, o eminente mineiro de Dores do Indaiá, Francisco Luís da Silva Campos, o famoso “Chico Campos”, amigo pessoal de Getúlio Vargas. Mas não paramos por aí. Em 1946, depois da deposição de Getúlio Vargas, tivemos a Constituição de 1946, apelidada de democratizadora.

Com as diversas conturbações e perturbações sociais do Governo de João Goulart, que sucedera Jânio Quadros, tivemos a Revolução de 1964 e uma nova Constituição promulgada em 1967. Ainda teríamos a Emenda Constitucional de 1969, que equivale a uma Constituição, promulgada pelos militares: Augusto Radmacker Grünewald (Ministro da Marinha), Aurélio de Lyra Tavares (Ministro do Exército) e Márcio de Souza e Mello (Ministro da Aeronáutica) que compunham a Junta Militar provisória após o falecimento do Presidente Artur da Costa e Silva. Logo depois, seria eleito pelo Congresso Nacional o Presidente Emílio Garrastazu Médici. Após o período dos Presidentes militares, tivemos a Constituição de 1988.

Perderam o número das Constituições que tivemos? Foram sete. Oito, se contarmos a Emenda de 1969 como Constituição.

A França, que passou também por conturbados períodos de Revoluções e crises internas, ao longo de séculos, alternando períodos monárquicos com presidencialistas, teve mais Constituições do que nós. Se contarmos a partir da Revolução de 1789, podemos anotar Constituições em 1791/1793/1795/1799/1814/1830/1848/1852/1875/1946 e a de 1958. São onze, se não me esqueci de nenhuma em minha pesquisa.

Há países que nem Constituição propriamente possuem, como a Inglaterra. O Reino Unido, apesar de toda a sua pujança, possui apenas uma Consolidação de Leis que emergiram desde uma Carta Magna de 1215 e que completou-se com o pensamento de John Locke exposto em sua obra “2º Tratado Sobre o Governo Civil”, do Séc. XVII. Durante todos esses séculos da sua história, o Reino Unido conciliou progresso econômico com conquistas sociais, sem abrir mão de suas convicções liberais.

O interessante é que os Estados Unidos da América, que há muitos anos é a nação mais poderosa do mundo e prima por seu regime democrático e conquistas de valores internos, só teve uma Constituição, aprovada em uma Convenção Constitucional realizada na cidade de Filadélfia, no Estado da Pensilvânia, entre os dias 25 de maio e 17 de setembro de 1787. Foi sua primeira e única Constituição. É claro que no decorrer desses mais de 230 anos de história  algumas emendas foram inseridas no texto original para se adaptarem à modernidade que surgia.

O número excessivo das nossas Constituições e, principalmente, o seu caráter detalhista, reflete a nossa própria insegurança institucional.

O MITO DA CAVERNA E A SUA ATUALIDADE

Mesmo considerando a importância dos filósofos pré-socráticos e do próprio Sócrates, para o pensamento da Civilização Ocidental, é impossível não reconhecer o significado de Platão para o conhecimento humano.

Nascido em 427 a.C em Atenas e falecido em 347 a.C, na mesma cidade, Platão, cujo nome deriva do fato de ter possuído ombros largos e corpo atlético, chamava-se na realidade Aristocles.

Platão sofreu as influências de diversos filósofos que o antecederam, tais como Sócrates, Pitágoras, Heráclito e da própria mitologia homérica. Escreveu centenas de obras abordando os mais diferentes assuntos, a maioria em estilo dialogal, em que os personagens estabeleciam diálogos sobre o tema que discutiam. Os temas mais abordados por Platão foram Amor, Amizade, Política, Justiça e Imortalidade da Alma, abordados em obras como A República, O Banquete, Fedon, Górgias e outros.

É na obra “A República” que Platão aborda o interessante Mito (ou Alegoria) da Caverna. Esta alegoria fala do condicionamento humano e da sua consequente prisão a determinados conceitos que são transmitidos e que acabam acorrentando as pessoas a determinadas ideologias e tabus, escravizando-as ideologicamente a determinados comportamentos.

Conta a alegoria que existiam vários homens no interior de uma caverna, todos acorrentados um ao outro, impedidos de saírem. Do lado de fora da caverna existia um muro e do outro lado desse muro passavam durante todo o dia dezenas de pessoas, carregando sobre os ombros os mais diversos objetos. O sol, brilhando intensamente, projetava no fundo escuro da caverna a sombra desses objetos. Os homens que lá estavam acorrentados, admiravam essas sombras e as admitiam como realidade, pois estavam acorrentados ali desde sempre e não conheciam outra coisa além daquelas sombras. Um dia, um dos homens conseguiu se libertar da corrente que o prendia e foi até ao exterior da caverna. Seus olhos arderam diante da brilhante luz, mas quando se habituaram à claridade, o homem percebeu que a realidade era o que estava fora da caverna e que na sua parede interior, o que viam eram apenas sombras do real que existia fora da caverna.

O homem encantou-se com a descoberta e de tão encantado, correu para dentro da caverna para comunicar aos amigos que o que viam projetado no fundo da profunda gruta era apenas uma sombra da maravilhosa realidade que existia do lado de fora. Os homens que continuavam acorrentados não acreditaram nele e o chamaram de louco e quando ele insistiu, tramaram a sua morte.

O mundo é assim. Existem contingentes de pessoas que, contaminadas por ideologias alienantes, apegam-se de tal maneira e com tanta convicção que são incapazes de examinarem as suas convicções com o valioso instrumento da análise crítica. Apegam-se às sombras em que acreditam como se fossem a suprema verdade.

Sempre existiram “cavernas” para a alienação dos homens. O que Platão flagrou naqueles longínquos séculos antes de Cristo, continua agrilhoando os homens na atualidade. “Cavernas” como a Televisão, com suas informações tendenciosas, suas programações deformantes de caráter, linhas religiosas radicais, partidos políticos com ideologias ultrapassadas e tantos outros tabus, continuam aí entre nós, como nos tempos de Platão, ostentando outros nomes talvez, mas com o mesmo objetivo pernicioso de alienar.

Sair da “caverna” e buscar a luz do conhecimento não é mesmo tarefa fácil, pois a visão do conhecimento não é fácil e normalmente desagrada a maioria reclusa na caverna. Mas vale a pena procurar desvencilhar-se das correntes e sair da escuridão da gruta interior. Afinal, no claro a gente pode ver até melhor as pedras que possam obstaculizar o nosso caminho.

O velho problema das estradas de Minas

Após o desgoverno do Pimentel (que agora, sem o manto protetor do foro privilegiado, deve enfrentar os Tribunais para prestar contas das acusações contra ele), o Governador Zema  vai ter muito trabalho para colocar o Estado de Minas Gerais nos trilhos.

Colocar as contas em dia, moralizar o pagamento do funcionalismo e transformar o nosso Estado em uma unidade da federação respeitada, não vai ser tarefa fácil.

As rodovias são um exemplo. A maior parte das estradas de Minas são estreitas, sem acostamento, sem a terceira via auxiliar para veículos pesados nas subidas e com depressões e irregularidades nas pistas que potencializam os riscos para os motoristas e passageiros que transitam por elas. Minas possui a maior malha rodoviária do país mas, com certeza, a mais mal conservada. Se comparadas com as rodovias de São Paulo, as nossas estradas parecem trilhas, e olhem que pagamos um dos mais elevados IPVAs do país.

O pior é que (e isso ocorre no Brasil inteiro), enfrentamos um elevado número de caminhões e carretas que tornam o trânsito insuportável. No início eram as carretas comuns, compostas pelo cavalo, onde se encontra a cabine do motorista e a carreta propriamente dita que lhe era atrelada. Agora, a despeito de nossas péssimas e estreitas estradas, criaram as “Carretas articuladas, compostas pelo Cavalo e mais dois imensos reboques, com um aviso de alerta escrito atrás: “Veículo longo, 30 metros”. Uma verdadeira linguiça mecânica que, quando transita à nossa frente na rodovia, demoramos quilômetros para ultrapassá-la.  No trecho entre Leopoldina e Juiz de Fora, por exemplo, é comum uma fila de 10 ou quinze veículos leves morcegando durante vários quilômetros a 40/h atrás de uma geringonça dessas. Muitos motoristas imprudentes tentam ultrapassá-las em locais impróprios e arriscam a sua vida e a dos passageiros, quando não se metem em acidentes graves. O citado trecho é um dos exemplos clássicos de estradas sem nenhum acostamento e sem “Terceira Via” nos trechos de subida.

O Governo Jânio Quadros proibiu, na época, os chamados “caminhões trucados” (aqueles que possuíam um terceiro eixo com mais duas rodas. Alegavam que tais caminhões, por concentrarem muito peso em uma menor quantidade de metro quadrado da estrada, danificavam a rodovia, produzindo afundamentos. Assim, foram entronizadas as carretas, com o objetivo de distribuírem o peso da carga em um espaço maior por metro quadrado da pista.

O raciocínio, é claro, não foi errado mas o problema era que as estradas cediam ao peso por sua má qualidade e pelas mutretas de empreiteiras que, cobrando milhões pela obra, não compactavam adequadamente a base da pista e colocavam uma “camadazinha  furreca”  de asfalto.

Se as estradas fossem amplas e bem construídas não teríamos problema com o trânsito das imensas e lentas geringonças que tanto risco oferecem aos que trafegam por nossas estradas. Mas é claro que a solução melhor seria incrementar a malha ferroviária para longos percursos e deixar as estradas para os caminhões menores e de percursos menores.

A cada campanha eleitoral assistimos desfilarem nos palanques propostas de incremento da malha ferroviária e fluvial, uma solução que não foi inventada por nós, mas que já existe nos países desenvolvidos que usam vagões ferroviários para longas distâncias e implantam em países como o nosso as suas fábricas de caminhões imensos que oneram o nosso transporte e se refletem nos preços das mercadorias que transportam.

Mas é claro que a substituição do transporte rodoviário pelo ferroviário deveria ser lenta e gradual pois a diminuição drástica dos caminhões pesados geraria graves problemas de desemprego e crise social no país.

QUEVEDO, UMA LENDA NA PARAPSICOLOGIA

Embora muitas vezes contestada, a Parapsicologia é uma das ciências mais revolucionárias já surgidas. Nascida da necessidade de explicar aquilo que para muitos seria inexplicável, esta Ciência veio ocupar um espaço importantíssimo na existência humana, desobstruindo a mente (pelo menos daqueles que pretendem entender a verdadeira realidade) dos dejetos das superstições e dos sectarismos de certas crenças.

É claro que muitos mistérios ainda existem e continuarão existindo em nossa trajetória existencial, mistérios que vão demandar muito tempo para serem compreendidos por nós.

Dia 09 deste mês, o mundo perdeu, talvez, o maior pesquisador nessa complicada área do conhecimento, um dos maiores expoentes da Parapsicologia, o Padre Jesuíta espanhol, naturalizado brasileiro, Oscar Gonzales Quevedo.

Oscar Quevedo teve uma infância atribulada na Espanha, seu pai, deputado na Espanha, foi fuzilado pelas tropas comunistas em 1937, durante a Guerra Civil Espanhola. O menino Oscar passou a viver por algum tempo na clandestinidade em seu próprio país escondendo-se em casa de amigos das tropas comunistas que haviam fuzilado seu pai. Depois, fugiu para a Inglaterra, onde foi viver com os tios que o influenciaram no gosto e no estudo do Espiritismo e da Teologia, temas que mais tarde se aprofundaria.

Estudou Filosofia e Psicologia, tendo ingressado mais tarde em um Seminário Jesuíta onde se aprofundaria, além da Teologia, em coisas do Além, Magia e Ilusionismo, como ele mesmo declararia em diversas entrevistas. Após a sua formação Oscar Quevedo veio para o Brasil, onde fundou o “CLAP-Centro Latino-americano de Parapsicologia”, dotando-o de uma das maiores Bibliotecas na área e voltado à análise de casos considerados sobrenaturais

Padre Quevedo, como era conhecido, ficou famoso por desmistificar milhares de “casos sobrenaturais” tirando-lhes o caráter místico e debitando-os a simples fenômenos paranormais.

Quevedo sofreu intensas pressões por parte de alas da Igreja Católica que consideravam a Parapsicologia uma posição herética. Posteriormente foi convidado a expor a sua teoria no Vaticano e a partir da sua ida à Roma a sua teoria foi, não só respeitada, como também obteve autorização para ministrá-la aos padres, nos Seminários.

Oscar Quevedo viajou por inúmeros países do mundo proferindo palestras e analisando casos que eram apresentados a ele. Com residência em Belo Horizonte, Quevedo viajou por inúmeras cidades do nosso país e numa dessas viagens esteve em Muriaé, onde foi recebido por um numeroso público. Lamentavelmente naquele dia eu não estava em Muriaé e não tive a preciosa oportunidade de ouvi-lo expor suas brilhantes e interessantes ideias.

Amigos me contaram, posteriormente, que ele falou de ilusionismo, hipnotismo, e sobre fenômenos paranormais que costumam confundir a mente das pessoas como se fossem fenômenos sobrenaturais.

Dizem que chocou algumas pessoas ao falar sobre as aparições da Virgem Maria, dizendo que a única aparição que ele não conseguia explicar e que intrigava-lhe o espírito como manifestação divina era a de Nossa senhora de Guadalupe, no México. É claro que isso não foi bem recebido por muitos dos ouvintes da palestra. Talvez agora, liberto das limitações corpóreas, o Padre Quevedo possa atingir o entendimento pleno das verdades que tanto procurou em vida…

A CERTEZA DE UM BRASIL MELHOR A PARTIR DE 2019

Sofremos muito durante uma década e meia de desgovernos. Nossa economia foi para o buraco, o sistema educacional entrou em falência, o povo sofrendo nas filas e no precário atendimento de um sistema falido de saúde pública, o desemprego batendo o recorde em nossa história e, pior do que tudo isso, a nossa pátria ultrajada internacionalmente pelo maior esquema de corrupção do planeta. Sem dúvida alguma o Lulopetismo ficará na História como o coveiro que enterrou o nosso país nesse profundo poço de incompetência e desvios morais.

Construir um país, uma nacionalidade com o aperfeiçoamento gradativo das suas instituições é uma tarefa que demanda vontade, esforço e muito tempo histórico. Mas para destruir todas essas bases, basta uma década e meia de incompetência e desapego aos valores morais.

Mas o brasileiro é acima de tudo um forte e o que não lhe falta é a esperança. Uma esperança sempre renovada de dias melhores.

Não vai ser fácil consertar em quatro anos os estragos que fizeram em nosso país durante os últimos tempos. Muitos corruptos foram presos e condenados. Os líderes da quadrilha podem estar enjaulados, mas continuam buscando nos corredores tortuosos do nosso complexo sistema de justiça, uma forma de se livrarem e enquanto não conseguem, rosnam e ladram de suas celas e de suas tornozeleiras por uma liberdade imerecida.

O novo Governo que se inicia em 2019 carrega em seus ombros a esperança de todo um povo. Vem com o apoio maciço de uma população que, mais do que tudo, votou pelo aniquilamento da estrutura viciada de poder que se instalara em nossa pátria há uma década e meia. Disse um ostensivo NÃO à esquerda que detivera o poder por tantos anos, aos pseudos artistas que, se locupletando com as benesses da “generosa” Lei Rouanet, queriam manter o “estado de coisas” e que com o seu “Ele não”, queriam dizer na verdade NÃO às mudanças e à moralização do nosso país. Mas o povo reagiu rapidamente pelas Redes Sociais e como uma onda gigantesca optou por uma mudança histórica em nosso país.

Mas não pensem que o monstro está definitivamente morto, embora exale os odores da sua morte. Vão tentar atrapalhar ao máximo a governabilidade em nosso país, usando justamente as liberdades de uma democracia que eles tanto tentaram destruir no passado como no presente, para inquietarem o país com badernas, como no longínquo desgoverno de João Goulart.

A sorte é que o “Capitão” do navio está decidido a comandar a embarcação rumo a um porto seguro, fortalecendo a nossa economia, diminuindo o tamanho gigantesco do Estado, restaurando a qualidade dos nossos sistemas de Educação e de Saúde, desideologizando as nossas Universidades e as nossas Escolas e reduzindo o desemprego que hoje atormenta as famílias brasileiras. Para isso, é fundamental a moralização das Instituições de Governo do país, com o aprofundamento e garantia de ação da Operação ‘Lava Jato”.

Pela equipe convocada pelo novo Presidente e pelas ações propostas podemos acreditar que, como na saudosa canção de Roberto Carlos, “daqui para frente tudo vai ser diferente…”.

Acredito que o nosso país caminhará calmo, dentro da lei e da ordem rumo ao desenvolvimento, pois é isso que o povo deseja. Que cada um faça a sua parte para que o novo ano concretize as nossas esperanças de um Brasil melhor para todos. O povo brasileiro cresceu em estatura política e tem nas redes sociais um poderoso instrumento de voz. Badernas como no passado, creio que não haverá espaço para isso em nossa Democracia já consolidada.

AS ESQUERDAS NO DESTINO DO BRASIL

As ideias da esquerda há muito tempo têm estado no caminho do nosso país, como pedras que dificultam o nosso desenvolvimento e atravancam a nossa nação. Com os olhos sempre voltados para horizontes utópicos e, por isso mesmo jamais realizáveis, sonham sonhos impossíveis, ao mesmo tempo que aparelham a máquina do Estado apenas para o exercício do poder e jamais para um estado de governança.

A esquerda, em qualquer dos seus matizes, costuma engrossar suas fileiras com a juventude, sonhadora e ainda incauta que, após a decepção advinda com a maturidade, vai esvaziando os seus quadros, restando entre seus defensores apenas os imaturos de consciência ou integrantes orgânicos do sistema que se lucram do aboletamento do poder. Tirá-los do poder onde estão encistados como óvulos de ameba, demanda um tremendo esforço em razão da sacralização quase religiosa dos seus líderes e da adesão obcecada dos seus seguidores.

Às vezes a doutrina esquerdista apresenta-se travestida de matiz Leninista, Stalinista, Maoísta, Trotskista ou até mesmo de expressões menores como a ditadura de Fidel Castro na pequena ilha de Cuba, que atrofiou a mente de uma geração de jovens em nosso país que só não chegou ao poder, a despeito de toda a violência de assaltos a Bancos e Quartéis, de badernas urbanas e atos terroristas, graças à Revolução de 31 de Março de 1964 que ainda que apoiada pela grande maioria da população, acabou mergulhando o nosso país em um Estado de exceção que, mesmo necessário naquele momento, jamais é um remédio saudável para um país de vocação democrática como o nosso.

Depois, graças justamente à opção democrática do nosso povo, os mesmos baderneiros daqueles anos passados, voltaram ao poder através do voto, pois assim funciona uma democracia, e se instalaram nas instituições não com um plano de governo, mas com um plano de poder, como é do feitio dos sistemas extremistas. Não vai ser fácil tirá-los do poder, onde se instalaram como cistos amebianos. Foram impedidos de voltar ao governo pela sanção penalizadora popular, através do voto livre e secreto da população. Mas não será fácil remover as seqüelas da doença que continuam encistadas nas cátedras universitárias e capilarizadas por extensos setores da educação.

Ainda mais que uma parcela considerável da mídia, regiamente remunerada, usou de todos os artifícios para manter o “status quo” e permanecer usufruindo dos generosos contratos com o governo. Nos governos Lula e Dilma, de 2003 a 2014, por exemplo, conforme noticiado no Portal da Transparência, a Rede Globo (sem contar as afiliadas) recebeu do Governo Federal a importância de 6,2 Bilhões de Reais para veiculação de matérias do governo, o que deu uma média de 47 milhões de reais por mês. O então candidato Jair Bolsonaro, posteriormente eleito e diplomado como futuro Presidente da República a partir de janeiro próximo, havia denunciado essas cifras milionárias. Como o Governo Temer não publicou mais o montante das verbas com mídia a partir de 2017, esses dois últimos anos são uma incógnita. O certo é que se não fossem as redes sociais, com toda a sua capilaridade e liberdade de expressão, seria muito mais difícil impedir a volta ao poder do lulopetismo, agora através do sistema de “posteamento” de candidatos.

Pior do que assistir a volta ao poder dos mesmos quadros políticos que escandalizaram o mundo com a mega corrupção, seria assistir à morte anunciada da Operação Lava Jato, o arquivamento da infinidade de processos de corrupção que correm nas várias instâncias e a infinidade de “Habeas Corruptus” (me permitam o neologismo) que seriam impetrados por esse Brasil afora.

A democracia, embora traga em si inúmeras imperfeições, ainda é o melhor sistema de governo. Pelo seu espírito de equidade, trata todos os cidadãos da mesma forma. Por isso, honestos e bandidos são assistidos por todos os recursos legais e não poderia ser diferente…

OS VISITANTES HABITUAIS

Adellunar Marge

Quando eu era criança a gente aprendia que as aves do céu não plantam, não cultivam a terra, mas sempre têm o que comer. Inspirados, quase certo, em Mateus 6,26. As aves do céu e todos os animais selvagens, não são como os homens que foram condenados a ganhar o pão de cada dia com o suor do seu rosto. O homem coleta aquilo que semeou com dificuldade e zelo para saciar a sua fome.

O meu jardim, embora pequeno, é um exemplo disso em miniatura. Ocupa um espaço de pouco mais de quarenta metros quadrados, mas abriga, além das ixoras e outras plantas ornamentais, a Bené, uma jabuticabeira de pouco mais de vinte anos (uma adolescente para uma espécie de longa vida como ela) e a Vitinha, uma videira com pouco mais de quatro anos, mas que ostenta duas vezes por ano cachos de uvas dulcíssimas que se estendem por sua ramagem que sobe do jardim e circunda o terraço da minha casa.

Duas vezes por ano, tanto a Bené, com suas doces jabuticabas, como a Vitinha com suas saborosas uvas, atraem a cobiça de Sabiás, Sanhaços, Saíras, durante o dia e dos negros Morcegos, durante a noite.

Os Sabiás, pelo menos, pagam a sua refeição diária com o seu canto majestoso, que se inicia com o romper da aurora e se estende até o último raio do sol. Sei que o Sabiá possui uma variedade aproximada de cem cantos diferentes, baseados em uma média de dez notas. Talvez por um orgulho próprio, gosto de dizer que o canto mais belo é o do Sabiá que canta em meu jardim.

O certo é que duas vezes por ano os pássaros e os morcegos vêm e as frutas vão, sobrando pouco para mim. Eu sei que, como dizia aquela passagem bíblica citada lá atrás, os pássaros e os animais selvagens não preparam a terra, não a cultivam, mas sempre têm o que comer. Mas no meu jardim? Com o fruto do meu esforço e do suor do meu rosto? Pera aí…!

Então eu resolvi botar um pouco de ordem na casa. Primeiro pensei em uma armação de tela em volta da Bené para blindar as jabuticabas dos pássaros e dos Morcegos (os danados dos morcegos são praticamente cegos, mas não perdem uma investida contra uvas e jabuticabas graças ao uso do seu maravilhoso “sonar” que lhes compensa a deficiência visual). Telar a jabuticabeira poderia dar certo, mas seria impossível telar toda a extensa parreira. Foi aí que,  com um ataque repentino de “eco-humanismo”, pensei: Vai que, com a escassez dos alimentos naturais, com as queimadas e os desmatamentos, o Criador queira alimentá-los com os frutos do meu jardim…! Então tive uma idéia: dividir com os pássaros e os morcegos, visitantes habituais, a produção dos frutos. Mas como fazê-lo?

Bem, a produção da Bené, como é imensa, deixei aberta democraticamente a todos: pássaros, morcegos e humanos. Afinal eu não daria conta mesmo das jabuticabas que a Bené produz.

Com as uvas foi diferente. Neste mês de dezembro são cerca de oitenta cachos amadurecendo. Envolvi quarenta deles (a metade) com sacolas de papel. A metade desprotegida ficará com os pássaros e os morcegos. O grande problema são as Saíras, pequeninas, bonitinhas, mas ordinárias. Estragam mais do que comem, tanto uvas como jabuticabas. A sorte é que, mesmo ariscas como são, amedrontam-se com a presença dos imensos Sabiás que, mesmo sendo um casal só, impõem respeito aos demais pássaros. Talvez nem tanto pelo seu tamanho, mas, sobretudo pelo seu canto soberbo que ecoa a quadras de distância ou pelo seu título de “Pássaro Símbolo do Brasil”.

Este ano terei menos uvas para mim, mas pássaros e morcegos se fartarão das delícias do meu jardim…

IMUNIZAÇÃO COGNITIVA

Adellunar Marge

O ser humano, apesar de ser a obra prima da natureza, carrega consigo certas distorções que o fazem pagar, por sua própria culpa, um elevado preço em sua existência. É o único ser que tem consciência de si mesmo e do mundo que o cerca. Por isso, como dizia Pascal, “o mais mesquinho dos homens vale mais do que todo o Universo, pois esse ser, ainda que mesquinho, tem consciência do Universo que o cerca e o imenso Universo, com toda a sua grandeza, não tem consciência desse homem…”

Mas mesmo com toda essa pujança o ser humano tropeça em seus próprios pés em sua caminhada existencial ao abdicar de sua condição de ser individual e se transformar em apenas mais um membro de um imenso rebanho a ser tangido pelas ideologias e pelos oportunismos demagógicos, uma “massa de manobra”. Sem dúvida, não se deixar levar por outra pessoa demanda uma postura crítica, o que não é fácil, pois ser crítico é examinar com a razão todo e qualquer problema que se apresente diante de nós.

Aceitar o que lhe falam sem o exame da razão é alienar-se. E o que é alienar-se se não deixar se conduzir como um cego intelectual por outra mente que não a sua. Afinal, alienar tem sua origem no termo “alienus”, que no latim significa “que pertence a outro, alheio, estranho”.

Há pouco tempo a Senadora Ana Amélia, com o brilhantismo que lhe é peculiar, lembrava um comportamento típico da esquerda, que é ilustrado pelo que a Neurolinguística chama de “Imunização Cognitiva”.  Esse tipo de comportamento seria a negação obsessiva de uma verdade que, apesar de clara e evidente para a maioria dos seres comuns, incomoda aquele que insiste em negá-la. É o caso daqueles que negam insistentemente a culpa de um político condenado por crime de corrupção, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, etc.

É comum, nos noticiários da mídia, os envolvidos sempre negarem a participação em qualquer esquema de corrupção de que são acusados. Por extensão, os seguidores dos tais envolvidos prosseguem na mesma linha. Para convencerem a si próprios de que estão corretos em sua negação, imunizam-se contra o conhecimento, praticando a “imunização cognitiva”.

Isso é comum no mundo todo e em todas as épocas e não se restringe apenas ao campo da política, podendo ser observado também nas áreas da Religião, da Moral, etc. Daí o fanatismo daqueles que a praticam.

Assim se deu na longa e trágica época dos Tribunais da Inquisição da Igreja Católica, em que milhares de pessoas eram queimadas vivas em fogueiras nas Praças públicas, processo também utilizado pelos Calvinistas da Igreja Reformada. Fanatismo semelhante observamos em algumas alas do Islamismo que escandalizam o mundo até os nossos dias,  com os terríveis “homens-bombas”. Na política, o mundo tem na memória os mais de 50 milhões de pessoas assassinadas pelo Ditador Joseph Stalin na URSS comunista; os assassinados por Hitler na Alemanha nazista; os milhares levados ao “Paredon de Fuzilamento” pela Ditadura de Fidel Castro e tantos outros regimes de alienação e opressão.

Em todos esses casos, apenas alguns poucos que lideram o processo, induzem grandes contingentes humanos a seguirem cegamente uma ideologia impedindo-os de procederem a uma análise crítica daquilo que estão seguindo.O rebanho imuniza-se assim contra o conhecimento praticando a chamada “Imunização Cognitiva”.

O grande problema é que essa aberração não aconteceu apenas nas épocas chamadas de “trevas do conhecimento”. Aconteceram em épocas de grande desenvolvimento cultural e intelectual como no Nazismo e no Comunismo nas primeiras décadas do século XX. O Comunismo ainda permanece presente em algumas Ditaduras que pontificam pelo mundo afora ou no regime que, em uma década e meia, tanto mal provocou em nosso país.