ATÉ QUANDO ABUSARÃO DA NOSSA PACIÊNCIA?

Adellunar Marge

Cícero, o grande advogado e orador romano, por volta do ano 50 a.C., criticando o Senador romano Catilina, escreveu em sua “Catilinárias”: “Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?”. “Quousque tanden, Catilina, abutere patientia nostra…”.

Em nosso país, quase dois mil e cem anos depois o povo faz a mesma pergunta de Cícero: até quando os políticos corruptos abusarão da nossa paciência?

Os crimes praticados pelos detentores do poder nos últimos 15 anos vão se avolumando e ainda que desvendados um a um pela justiça, os participantes da gigantesca trama criminosa insistem em continuar negando e negando a corrupção óbvia que praticaram. Excesso de cinismo ou insistência em acreditar que o povo brasileiro é desprovido de um mínimo de inteligência?

No último dia 23, sexta feira, segundo matéria publicada na Folha de São Paulo, o Juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal, em Brasília, aceitou a denúncia do então Procurador Geral da República, Rodrigo Janot , contra os ex-Presidentes Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Roussef,  além dos ex-Ministros Palocci, Mantega e o tesoureiro do PT, Vaccari. Todos eles acusados de participação no chamado “Quadrilhão”, um esquema montado para coletar propinas de cerca de 1,48 bilhão de reais. Esse esquema, segundo a Polícia Federal envolvia a Petrobrás, o BNDES e o Ministério do Planejamento à época dos ex-Presidentes citados que, agora, passam à condição de réus.

A citada denúncia do Juiz Federal inclui também a ainda Senadora Gleisi Hoffman, Presidente do PT, eleita Deputada Federal pelo Paraná para a próxima Legislatura e o Prefeito de Araraquara, Edinho Silva que, por motivo de foro privilegiado, vão ter os seus processos tramitando de forma diferente.

O foro privilegiado e certos benefícios criados em favor dos “Criminosos de Colarinho Branco” (um nome mais sofisticado para ladrões com destaque na sociedade), são recursos que já deveriam ter sido banidos da justiça há muito tempo.

A partir de janeiro parece que vai se abrir uma nova página na história do nosso país. Não diria que essa esperança vá se basear apenas em uma pessoa, como o novo Presidente da República que assumirá o governo do país. O importante é que existe um clamor geral da população brasileira pela moralização das nossas instituições. A entrada de Sérgio Moro na pasta da Justiça, com poderes sobre a Polícia Federal e sobre o órgão fiscalizador de crimes na área econômica, cria a esperança de caminharmos para o fim das impunidades que assistimos há tantos anos em nosso país. Uma impunidade que estimulou a corrupção e subtraiu volumosos recursos públicos que poderiam solucionar os crônicos problemas da saúde, da educação e da segurança, principalmente.

O prof. Ricardo Velez Rodrigues é outro indicado tem tudo para fazer um bom trabalho à frente do Ministério da Educação. Conheço-o de longa data. Foi meu professor no Curso de Mestrado e tive a oportunidade de trazê-lo diversas vezes a Muriaé para fazer palestras em nossa Faculdade Santa Marcelina, palestras que sempre fez gratuitamente por amor à cultura e ao seu trabalho como educador.

Os opositores de plantão e defensores da máquina corrupta que espoliou o Brasil durante tantos anos, afirmam que o governo que entrará em janeiro é conservador. Ora, como afirmou o próprio futuro Ministro da Educação, a sociedade brasileira é conservadora, defende a permanência dos valores da família e rejeitou nas urnas os projetos ideológicos que desassossegam as famílias como ideologia de gêneros nas escolas, defesa do aborto, uma visão distorcida da arte como expressão da cultura humana e etc.. Afinal, quem são meia dúzia de pseudos intelectuais para contrariarem o desejo de uma população inteira. Se ser conservador é ser favorável à moralidade pública e ao respeito às tradições da família, seremos com prazer conservadores sim. A propósito, a juíza Hardt parece que será muito mais severa em suas sentenças do que o bondoso juiz Sergio Moro…

LUCHO GATICA: UMA VOZ QUE MARCOU GERAÇÕES

Adellunar Marge

Infelizmente nada é perene neste mundo. As pessoas e suas realizações vêm e vão ao sabor do tempo. Algumas, é sempre bom que não voltem mesmo, pelo mal ou desventura que causaram. Mas algumas deixam um vazio, uma falta impossível de ser preenchida.

Este mês, por exemplo, o mundo despediu-se da inesquecível voz de Luís Enrique Gatica Silva, conhecido mundialmente como Lucho Gatica. Um cantor cuja voz, aveludada e extremamente afinada, embalou os corações durante muitas décadas

Lucho Gatica nasceu em Roncágua, no Chile, no dia 11 de agosto de 1928 e faleceu no último dia 13, aos 90 anos de idade.

Cantor de voz suave e marcante, foi considerado um dos maiores intérpretes de boleros de todos os tempos. É difícil alguém que não tenha escutado algumas de suas interpretações, como: “La Barca”, “Reloj”, “Besame Mucho”, “Sabrá Dios”, “Quizas, Quizas, Quizas” ou “Contigo em La Diatância”.

Seus discos em 78 rpm e posteriormente seus LPs e compactos, atravessaram as décadas de 1950, 60, 70, 80 e ainda são ouvidos e apreciados até hoje pelos amantes da boa e romântica música.

Durante a minha juventude (que já se perde na poeira do tempo) eram comuns os bailes em casas de família, sempre aos finais de semana. Reunidos ali, naquelas casas de pessoas amigas, dançávamos ao som daqueles boleros, saídos de Eletrolas automáticas ou toca-discos que envolviam o ambiente de romantismo e intenções.

Nas residências, onde a modernidade da televisão ainda não havia chegado, escutar disco era o prazer diário, principalmente dos jovens. Algumas residências possuíam as “modernas” eletrolas automáticas, cujas hastes de sustentação suportavam até 6 discos que iam caindo, automaticamente, no prato para execução; outras residências contentavam-se com os toca-discos, com braço de acionamento manual, para um disco de cada vez. O que importava mesmo era o som saído daquelas belezuras e o nosso contentamento em escutá-lo.

Certa vez cheguei a pensar que aquele estado de espírito fosse fruto exclusivo da nossa juventude que vê beleza nos mais insignificantes detalhes. Depois o tempo, esse professor magistral, me fez compreender que aquelas músicas tinham mesmo alguma coisa de especial. Ainda hoje as escuto no “Youtube”, na voz marcante de Lucho Gatica e sinto a mesma beleza da música e da interpretação.

Gatica iniciou suas turnês internacionais a partir de 1956 e acabou se fixando por longo tempo no México e posteriormente nos EUA, mas suas gravações correram todos os cantos do mundo. Embora seja considerado um dos maiores intérpretes de boleros de todos os tempos, Lucho Gatica não se limitou a esse gênero de música, pois estão entre as melhores interpretações suas gravações de tangos como “Uno”, “Percal”, “Pampa Mia”, “Média Luz” e tantos outros.

Essa voz que povoou de sentimentos jovens de várias gerações continuará entre nós através dos artifícios da tecnologia. A qualquer momento, podemos acessar os canais do Youtube ou colocar para rodar nos toca-discos retrôs, agora novamente fabricados, aqueles empoeirados 78 rpm ou os saudosos LPs e fazer uma viagem a um tempo que teima em não passar.

Ao inesquecível Lucho Gatica, os nossos agradecimentos pelo bem que fez aos nossos corações ao longo de tantos anos…

O RIO MURIAÉ

Adellunar Marge

A solução do problema das enchentes do Rio Muriaé acabou ficando mesmo na conversa. Tanto se falou em soluções, em estratégias políticas e o escambau… E nada. Não adiantaram as promessas do Anastasia, a ineficiência do Pimentel e o regimento de políticos que pressupostamente se engajavam na nobre causa de acabar de uma vez por todas com um drama que, mesmo nos anos em que não acontece, povoa a mente dos muriaeenses de medo e preocupações. Principalmente a população ribeirinha que, na época das chuvas, dorme com um olho aberto e outro fechado… Alternadamente, em uma eterna vigília.

A esperança eram os trezentos milhões para as obras que, segundo os técnicos, os políticos e os profetas já estavam destinados. Seriam obras magníficas: o leito do rio seria rebaixado, suas margens alargadas em muitos pontos, parques temáticos seriam construídos em toda a extensão urbana do nosso Rio Muriaé. Ah..e tinha a represa de contenção, bem acima da cidade que regularia o ímpeto do caudaloso e violento rio na época das cheias. Tudo estava previsto para as maravilhosas obras que acabariam com as enchentes. Uma computação gráfica, feita com muita competência por renomado especialista da área, mostrava as belezas das obras, com tal nitidez e realismo, que tínhamos até vontade de entrar pela tela do computador e sentar às margens do nosso rio e contemplar como o homem, com o seu gênio criador, é capaz de transformar os desígnios da natureza em beleza e segurança.

Um amigo meu, proprietário rural conceituado, além de educado e paciente, vinha semanalmente à minha sala, na Chefia de Gabinete ou me encontrava pelas ruas da cidade e perguntava-me ansioso: “A obra sai mesmo… não é professor…?”. Preocupava-se o laborioso ruralista com a área da sua propriedade que seria indenizada e desapropriada para as obras da represa.

Eu nunca menti para esse senhor, pois acreditando com toda a minha convicção na boa fé dos governantes e políticos envolvidos na obra, garantia a ele, com a minha palavra, que a obra ia sair sim e nada poderia interromper o seu processo.

Faltava apenas a assinatura do Governador, como último ato daquela peça, para “startar”, como dizem os engenheiros, a magnífica obra. Os engenheiros normalmente não falam “começar”, preferem aportuguesar e conjugar o esquisito verbo “to start”, que significa justamente “começar” na língua inglesa. Pois foi na última semana do Governo Anastasia, quando fomos ao Aeroporto nos despedirmos dele que voltava a Belo Horizonte, que ele disse que seu governo já estava encerrando e que ele ia deixar a “assinatura” para o próximo Governador, o Pimentel. Naquele momento eu percebi que a obra não sairia do papel e percebi também que havia mentido para o honrado ruralista, para a minha família e para centenas de amigos, afirmando que as obras sairiam.

A Política, idealizada pelo gênio criador do povo grego era a arte de dirigir a “Polis”, que eram as “Cidades-Estado” no mundo grego. A ideia era magnífica, mas, infelizmente, o elemento para materializá-la era justamente o ser humano, com todas as suas mazelas, os seus desvios e os equívocos que sempre nos acompanharam. Por isso, o homem não conseguiu implantar a sua sonhada “Democracia” ou governo do povo, em sua etimologia.

Mas em compensação conseguiu criar com todo esmero a “Demagogia”, que é como “conduzir” (e às vezes nos piores sentidos), o sofrido povo.

A DANÇA DAS TERMINOLOGIAS NO IDEÁRIO POPULAR

Adellunar Marge

O tempo e as contingências alteram as significações dos termos de acordo com o próprio comportamento humano. Tudo parece fluir em um “vir-a-ser” constante e interminável. O ser humano é um “sendo”, pois vai se construindo e se reconstruindo em um processo contínuo. Há muito tempo, por exemplo, costumava-se chamar as linhas de esquerda de “progressistas” e as linhas liberais de “reacionárias”, porque reagiam às mudanças na organização social. Mas não existem conceitos que se mantém por muito tempo, justamente porque são formulados por seres humanos que se alteram e se reconstroem através dos tempos.

Há um ditado que diz: “só reclama do sistema quem nele não está inserido”. Assim, a Esquerda sempre exerceu uma crítica feroz ao poder, quando nele não estava, mas é violentamente “reacionária” à mudança no poder quando nele está inserida. O apego ao poder é próprio do ser humano, independente de qualquer ideologia. Se o intelectual chamado de “tradicional” pela esquerda gramsciana defende um tipo de estrutura de poder, o chamado intelectual “orgânico” defende outro. É claro que o “idealizado” intelectual orgânico já não guarda pertinência alguma com a classe que defende, uma vez que, tendo freqüentado os bancos das Universidades, ou sendo integrante das chamadas classes de artistas, escritores, compositores e outras tantas áreas, já não tem mais nenhum resquício das supostas classes que afirma defender. De organicidade já não têm nada. Justamente por isso são chamados, principalmente em nosso país, de “Esquerda Festiva” ou “Esquerda Caviar”, que elogiam ao extremo os regimes de Cuba, Venezuela e Nicarágua, mas passam suas longas férias em Paris ou nos badalados shoppings dos EUA. A diferença entre aquilo que se prega e aquilo que se faz sempre foi o grande fardo moral do ser humano.

O Brasil, por exemplo, optou pela mudança. A vontade popular em sua maioria sinalizou com um “basta” à corrupção institucionalizada pelo “lulopetismo” em quase uma década e meia de poder. Um câncer social em processo de metástase, que passou a destruir as principais células da sociedade, como a Política, a Família, a Educação, a Cultura e significativa parte do chamado grande empresariado da construção civil.

Alguns críticos, que estavam antes obviamente instalados no poder ou os que são seus adestrados seguidores, tentam alinhavar a falsa teoria de um retorno ao conservadorismo. Ora, existem valores que são mesmo perenes e quando transgredidos ou quando sofrem ameaças de serem destruídos, provocam a reação da sociedade como um todo. A família, a condenação da corrupção e prisão dos corruptos, a recusa em aceitar a ideologização das escolas e o abastardamento da arte em quaisquer das suas expressões, por exemplo, não podem, em hipótese alguma, serem considerados depreciativamente como  “conservadorismos”, pois valores como a moral e a dignidade humana devem mesmo ser perenes. Mas ainda bem que a maioria do eleitorado brasileiro recusou a destruição desses valores fundamentais da sociedade.

É claro que os “intelectuais” que se apelidam de orgânicos mas que na realidade formam uma casta de privilegiados no sistema, vão usar de todos os artifícios para voltarem ao poder mas agora vai ser muito difícil. Além da maioria esmagadora dos seus líderes estarem presos, cumprindo penas elevadas, outros, já sem o manto protetor das imunidades, estão prestes a enfrentar o Tribunal de Curitiba.

O emérito Juiz Sérgio Moro não estará mais naquele Tribunal, mas com o cargo de Super Ministro da Justiça, estando sob o seu comando a Polícia Federal, o COAF e outras áreas que agora farão parte do seu Ministério, não terá mais impedimentos para as investigações dos crimes de colarinho branco e a justiça, conforme deseja o povo, será mais ágil para a higienização do país.

A RESPOSTA DAS URNAS

Adellunar Marge

Apesar de todos os seus defeitos, a Democracia Liberal ainda é o melhor dos sistemas para a garantia de um Estado de Direito. Às vezes pode ser fragilizada pela demagogia dos extremismos e, justamente por isso, Eduardo Gomes, baseando-se em Tocqueville, afirmava: “O preço da Democracia é a eterna vigilância”.

Foi justamente o exercício dessa objetiva vigilância que impediu em nosso país o retorno ao poder de um sistema de fundamentação comunista, marcado pela corrupção e pelos escândalos em cerca de uma década e meia no comando do país. Jamais construíram um sistema de governo, optando pela construção de um “sistema de poder”. Truculentos e manipuladores, substituíram as liberdades individuais dos menos favorecidos pela miséria alienante do assistencialismo, garantindo o sucesso provisório do processo com a ação de uma intelectualidade orgânica gestada no imoralismo ideológico das Universidades Públicas que formavam contingentes de “formadores de opinião” capazes de guiar uma extensa e subserviente “massa de manobra” infiltrada na população. Jamais se diriam “Comunistas”, pois o termo assustador poderia alertar e alarmar a massa popular. Melhor se autodenominarem de “Socialistas”, um termo mais palatável para a população, embora nem de longe deixassem de refletir os sistemas cruéis e autoritários que lhes deram origem, como as ditaduras de Cuba, da Venezuela, da Coreia do Norte ou da extinta e sepultada URSS.

O Foro de São Paulo com líderes como Lula, Fidel Castro, José Dirceu, Chaves e membros das FARC (Organização criminosa colombiana, à época em grande evidência no tráfico de armas e drogas), nutria o grande sonho de criar um monstrengo similar à URSS, que seria a URSAL – União das Repúblicas Socialistas da América Latina, uma organização que pudesse eternizar no poder uma ideologia já morta e sepultada na modernidade. Só um problema impediu a concretização desse ideal macabro: Todas as vezes e em todos os lugares em que a esquerda chegou ao poder ela sempre foi: incompetente, autoritária e corrupta. Autodestruiu-se pelos seus próprios pecados.

O filósofo e lingüista marxista norte-americano, Noan Chomsky, disse há algum tempo que “o problema do PT foi, ao chegar ao poder, não conseguir manter as mãos fora do dinheiro público”. Palavras de Chomsky citadas por Marcelo Rubens Paiva em sua coluna no jornal “Estado de São Paulo”.

Se a esquerda brasileira tivesse feito o exercício do “Mea Culpa”, reconhecendo os seus erros, a corrupção dos seus líderes e a responsabilidade dos seus atos; se tivesse admitido a justa condenação e prisão dos seus líderes pela soberana justiça brasileira, mesmo usando de todos os recursos legais cabíveis, talvez tivesse conquistado o perdão da sociedade. Mas o posicionamento de “donos da verdade” e a resistência em reconhecer os erros cometidos, provocou o veredicto da população no exercício soberano do seu voto. O mesmo voto que corrigiu o erro da não cassação dos direitos políticos da Dilma quando do seu “impeachment”.

A Democracia Liberal pode até mesmo não oportunizar que levemos ao poder o melhor dos candidatos, mas nos dará sempre a oportunidade de tirar do poder ou impedir que voltem a ele os que já demonstraram a sua inaptidão moral ou administrativa para exercê-lo.

A maioria da população brasileira, compromissada com o combate efetivo da corrupção, com a retomada do crescimento econômico, com a recuperação da qualidade da Educação, da Saúde e da Segurança Pública e com a recuperação dos valores da família e da nacionalidade, espera do Presidente eleito, Jair Bolsonaro, as ações necessárias para que isso aconteça. Não é uma tarefa fácil, pois o país foi destroçado por muitos anos de péssima administração. Vão ser cobradas do Presidente eleito as ações prometidas e esperadas por todos, mas igualmente, e com a mesma veemência, vai ser cobrada da oposição atitudes e comportamentos responsáveis, sem anarquia, sem badernas ou atos que perturbem a normalidade democrática. As nossas instituições já estão maduras o bastante para garantir um Estado permanente de Direito e a tranqüilidade que a nossa população merece e exige. Somos um povo múltiplo em etnias, matizes culturais e convicções. Que o futuro Presidente tenha a competência e a firmeza necessárias para guiar a nossa pátria para o destino que o nosso povo merece e sinalizou através do seu voto.

OS FUNDAMENTOS DA DEMOCRACIA

Adellunar Marge

Um dos temas mais recorrentes na atualidade tem sido a Democracia. Por sua própria etimologia significa um modelo de governo em que o poder emana do próprio povo que constitui a nação. A Democracia tem a sua origem na Grécia antiga e deve a sua criação não apenas à disposição do próprio povo, mas às idéias de Clístenes, por volta do ano 508 a.C., que privilegiou os direitos dos cidadãos na organização e no governo da cidade de Atenas, em oposição aos interesses de uma oligarquia desejosa apenas da concentração de poder. Menos de um século depois, entre 440 e 430 a.C., Atenas atingiria o seu clímax como civilização sob o governo de Péricles.

Apesar de todo o crédito que se dá à Grécia pela criação da Democracia, esse sistema de governo nas cidades gregas ainda estaria muito longe dos ideais democráticos que ansiamos nos dias atuais. Se no auge da civilização grega a cidade-Estado de Atenas possuía uma população em torno de 300.000 habitantes, pouco mais de 10% eram os chamados cidadãos, denominados “eupátridas” que tinham o direito de opinar na ágora (praça pública) sobre os destinos da nação. O restante da população era composto, além de crianças, pelas mulheres, pelos metecos (estrangeiros que viviam em Atenas) e pelo grande número de escravos. A esses contingentes humanos, que eram a grande maioria, não se dava o direito de opinar sobre os destinos do país.

A nossa Democracia, com todas as suas limitações, é muito mais abrangente do que aquela Democracia idealizada há tantos séculos pelo povo grego, embora jamais possamos negar o gênio criador daquele povo mediterrâneo em concebê-la.

Hoje, como naquela época, encontramos os fariseus da política, que ferindo os ideais da Democracia, utilizam-se dos artifícios da “Demagogia”, para iludir e “conduzir” a massa popular para a satisfação de interesses próprios, geralmente nocivos ao interesse comum.

Luís Inácio, o torneiro mecânico que um dia representou a classe trabalhadora e se tornou um líder popular, deixou que o poder lhe subisse à cabeça. Despiu-se da simplicidade que o tornou um ícone na política nacional e vestiu a roupagem da soberba colocando-se acima do bem e do mal. Não resistiu às tentações dos atos ilícitos e, corrompendo-se, destruiu-se a si próprio e a esperança de um povo que um dia acreditou nele. Ao negar exaustivamente sua participação e sua conivência com a ilicitude que se instalou no país, menosprezou a capacidade investigativa de uma Polícia Federal e de um Ministério Público operantes, de juízes isentos e competentes e, acima de tudo, do juízo severo de uma população decepcionada. Acreditou estar acima da lei e que jamais seria alcançado por ela. Uma pena não só para os seus seguidores, mas acima de tudo para o próprio país. Nenhum brasileiro sente-se bem ao ver um ex Presidente condenado e preso por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Como figura política expressiva no Brasil e no mundo, o retirante nordestino Luís Inácio, que se fez tão grande, decepcionou a todos. Agora Inês é morta.

Seu grupo, antes coeso e poderoso e ideologicamente organizado, desarvorou-se com a queda do seu líder maior. Instrumentalizado para uma repetição exaustiva de falsos conceitos, tenta desesperadamente a volta ao poder, mas não possui a astúcia do antigo líder que dominava a arte da negociação, a ponto de perceber, após duas tentativas, que sendo impossível a sua eleição para Presidente, chamou para seu vice um grande empresário que, apesar de não ser uma força política expressiva, afastava o fantasma que atemorizava o empresariado nacional. Agora, sem o Luís Inácio livre para articular, a esquerda ficou perdida lamentando-se em uma infinidade de “se”: “Se o Luís Inácio não tivesse se deixado levar pela tentação, se não tivesse se despido da sua simplicidade, se não tivesse dado motivo para a sua condenação e prisão e se, acima de tudo estivesse à frente da campanha como candidato e com um vice politicamente mais palatável para o empresariado, talvez perdêssemos, ainda assim, a eleição, pois não há força capaz de deter o anseio popular pela mudança, mas a derrota não teria um sabor tão amargo motivado por um dever de casa não executado

AS LIÇÕES PRIMÁRIAS DA POLÍTICA

Adellunar Marge

A política é uma ciência que, em sua expressão mais pura, se aproxima da arte. Mao Tsé Tung disse certa vez que “a política é uma guerra sem sangue e a guerra é uma política sangrenta”. As campanhas políticas mudaram muito através dos tempos. O período dos Coronéis de patente comprada, surgidos a partir da época da Regência, onde os votos de cabresto eram definidos pelos donos das extensas propriedades rurais, permaneceu por muitos anos em nosso país, principalmente em nosso Estado de Minas. A nossa Constituição de 1934, embora redigida sob o império da ditadura getulista, deveria, através do voto secreto que implantava e do direito de voto às mulheres, proporcionar uma expressão mais democrática da preferência popular por um candidato. Mas não foi assim. A tradição autoritária do coronelismo e a subserviência de uma população ainda com baixo nível de esclarecimento, cristalizaram o sistema patrimonialista e paternalista herdado da colonização portuguesa. Infelizmente não nos tocara os ideais liberais de John Locke, ainda que o Marquês de Pombal tentasse, através da introdução dos ideais liberais de Luís Antônio Verney, mentor da educação no governo de Dom José I e da expulsão dos Jesuítas tanto do território português, como das colônias do além mar.

Se não deu certo naquela oportunidade, o tempo contribuiu para o amadurecimento da nação brasileira e, a despeito das diversas dificuldades de percurso, para a evolução do nosso  contingente eleitoral.

Hoje, as redes sociais, ainda que prejudicadas aqui e ali pelos “fake-news”, se incumbiram de informar melhor e em tempo real toda a população. As mentiras continuam como no tempo dos coronéis, a demagogia, sob as suas mais diversas formas ainda persistem nos profissionais da política, mas o eleitorado mudou muito e já possui um maior grau de discernimento como instrumento de escolha dos seus representantes nos diversos níveis dos poderes Legislativos e Executivos.

Hoje, em nosso país, há uma consciência geral e unânime na população de repúdio à corrupção e ao autoritarismo. Há uma vontade férrea e unânime por um Brasil diferente e por uma renovação nos quadros políticos. Basta observarmos a quantidade de políticos envolvidos, de uma maneira ou outra em corrupção, que não conseguiram a reeleição. Alguns, para conseguirem a manutenção do imoral foro privilegiado, mudaram suas candidaturas de Senadores para Deputados, em que a necessidade de voto é menor. Alguns, iludidos com a possibilidade de chegarem ao poder ou de manter o poder que já possuíam, desafiaram o veredicto popular e “deram com os burros n’água”, como no caso da Dilma e do Pimentel.

Mas o grande erro da esquerda brasileira está sendo justamente menosprezar a consciência coletiva que, mais bem informada, não quer a volta ao poder da corrupção e do autoritarismo truculento, das ameaças de invasões de terras e de imóveis; não aceita mais o quadro de violência urbana que aterroriza a população; ou uma crise econômica geradora de desemprego e desesperança para todos.

Afrontar a força de uma população tangida pelo descontentamento de mais de uma década é uma tarefa impossível. Já se foi o tempo em que se ganhava política com currais eleitorais ou com mentiras eleitoreiras. Sim, porque “fake-news” sempre existiram, ainda que não circulassem em redes sociais internéticas, mas circulavam de boca em boca, em panfletos anônimos ou nas palavras de palanque. É um vício tão antigo quanto o próprio homem que o inventou, mas que teve também a sabedoria de inventar as redes sociais, um veículo de informações instantâneas que mesmo com os riscos das notícias falsas, desarma com mais facilidade os demagogos de plantão que tentam galgar o poder. As redes sociais são hoje a voz do povo e os romanos já diziam: “Vox Populi Vox Dei”.

A TERRÍVEL ARMA DO VOTO

Adellunar Marge

Nos últimos anos os governos sempre procuraram impor o desarmamento da população civil, embora os bandidos continuassem cada vez mais bem armados, provocando a insegurança e o medo entre as pessoas de bem. Mas existe uma arma terrivelmente poderosa que os governantes não conseguem tirar da população, que é o voto, essa expressão da vontade pessoal livre e soberana que, por ser secreta, não se subordina à vontade de outrem. Pelo menos enquanto vivermos em uma democracia e em um Estado de Direito.

No primeiro turno, das eleições deste ano, presenciamos essa manifestação democrática de norte a sul do nosso país com o povo exercitando a arma do voto. Presenciamos e vamos continuar presenciando no segundo turno, um anseio profundo de mudança. A população, em sua grande maioria está dando um recado claro e objetivo aos políticos de que não aceita e não quer mais a continuidade da corrupção em nosso país.

Quando o Lewandovski não quis suspender os direitos políticos da Dilma por oito anos, como fora feito com Collor de Mello e qualquer político cassado, o povo não aceitou a decisão e, na primeira oportunidade que teve, usou a sua terrível arma e cassou, com o seu voto o seu pretendido mandato de Senadora por Minas Gerais. Foi infrutífera a benevolência do Lewandovski.

De norte a sul do país uma quantidade imensa de políticos tiveram os seus mandatos “cassados” pelo voto popular, como Lindberg Farias, Eunício Oliveira, Cássio Cunha Lima, Chico Alencar, Miro Teixeira, Pimentel, Romero Jucá, Edson Lobão, Eduardo Suplicy e tantos outros, alguns deles tangidos por acusações e ou processos de corrupção, escondiam-se atrás do manto protetor das imunidades e do Foro Privilegiado. Esses estão agora na fila para um encontro com o Juiz Sérgio Moro. O encontro está agendado a partir do dia primeiro de janeiro de 2019, em Curitiba, cidade símbolo da moralização e do encarceramento de integrantes de uma facção que dominou e corrompeu o nosso país por tanto tempo. O que não se pode negar é que o crime organizado que contaminou as instituições brasileiras foi de fato “democratizado”, tem entre seus integrantes representantes dos mais diversos partidos políticos. Foi um câncer em processo de metástase que se espalhou por instituições públicas e privadas, atingindo políticos e empresários, independente de sexo, cor ou convicções religiosas. Todos irmanados no ideal comum da corrupção. O povo não agüentava mais esse estado de coisas e está usando a terrível e saneadora arma do voto para mudar. O voto popular, livre e democrático é infenso a liminares de quaisquer instâncias, a posicionamentos pessoais de membros do STF, do STE, STJ e até de “puxadinhos” da ONU que queiram interferir na vontade do povo brasileiro.

Só uma coisa atrapalha uma higienização maior e melhor na política nacional: é o maquiavelismo de alguns políticos que, cientes da sua não re-eleição ao Senado, disputaram a vaga de Deputado Federal, como último recurso de, com menos voto, continuarem com suas imunidades e com o foro privilegiado. Quanto a esses, o Juiz Sérgio Moro vai ter que esperar mais um tempinho para pegá-los. Mas o Moro alia à sua competência, uma paciência de Jó.

Agora é aguardar o Segundo Turno. Parece que o anseio pelo fim da corrupção e o apoio à Operação “Lava a Jato” generalizou-se demais no seio da população e permanecerão como itens importantes no debate político, além, é claro, do apelo à moralidade, aos valores da família e os valores nacionais. Que, acima de tudo, Deus ilumine os eleitores nesta hora decisiva para o nosso país.