AS PEQUENAS MÁQUINAS QUE INVADIRAM A NOSSA VIDA

De repente aqueles sinais eletrônicos musicados anunciando uma nova mensagem e depois, mais outra e mais outra e os dias e as noites são insuficientes para receberem tantas mensagens. A maioria referindo-se a futilidades sem serventia alguma. Mas o fascínio do aparelhinho, seja um Iphone caríssimo da Apple ou um modelo mais modesto de um Android da Google, não interessa, os Smartphones invadiram as nossas vidas e transformaram o nosso modo de ser. Sem um aparelho daqueles nas mãos algumas pessoas se sentem mutiladas.

As mensagens se sucedem numa rapidez tamanha que às vezes é impossível ler todo o texto recebido, principalmente daquelas mensagens enormes, de autoria duvidosa e com o indefectível conselho: repasse para tantos amigos. E a maior parte das pessoas, como cordeirinhos, repassam…

Colocam-se na boca de filósofos, personagens ilustres, políticos e Papas coisas que eles talvez jamais tenham falado, mas são usados para se agregar um pouco de credibilidade àquilo que se afirma e as maquininhas não nos dão sossego com seus sinais musicados insistentes.

Muitos pais, talvez para se livrarem do trabalho de dedicar atenção aos filhos, dão a eles de presente os mais diversos tipos de Smartphones, de acordo com o gosto e o bolso de cada família e as crianças, em casa, nos restaurantes, nas ruas ou nos intervalos das aulas, clicando com os dois pequeninos polegares aquelas minúsculas teclas, com uma agilidade de fazer inveja aos adultos. As mulheres, à noite, trocam as caricias do casal pelo toque no já quase erótico aparelho num frenesi prazeroso que se estende até à madrugada.

O desempenho das crianças na escola cai, mesmo com a educação caótica que temos, incapaz de exigir grandes coisas dos alunos. Parece (a despeito de todas as vantagens da tecnologia) que existe uma estratégia por traz de tudo isso para formar um mundo de cordeiros internéticos, guiados pelo guizo eletrônico dos aparelhinhos. Teoria da conspiração? Que seja…!

Não sabemos ainda a extensão dos danos a essas crianças com 24 horas de celular nas mãos, mandando e recebendo mensagens ou conectadas nos jogos eletrônicos. Uma família, à mesa de um restaurante ou em um parque público, não conversa. Cada um “saca” o seu smartphone como se fosse um Colt nos filmes de faroeste e se conecta. Alguns diriam que isso também é comunicação. Tudo bem, mas não é uma comunicação com a pessoalidade da presença, olhos nos olhos, como se pretende uma relação. A não presença faculta a artificialidade ou até mesmo a falsidade do diálogo.

Eu me cansei. Não sei se pelos anos de estrada existencial ou se por um rigor crítico absurdo, o certo é que eu me cansei disso. Cansei de atender aos apitos eletrônicos e encontrar aquelas mensagens repetitivas de conselhos morais, de apelo religioso. Cansei de atender mensagens enviando textos de fanáticos ideológicos, excretando boçalidades. Passei a entender que a vida tem coisas muito mais importantes do que isso. Aí eu resolvi dar um tempo. Não frequento mais o Facebook; só acesso o meu E.Mail para enviar as minhas crônicas semanais ou ver se tem algo de importância que mereça a minha atenção; desabilitei do meu celular os aplicativos de whatsApp e outros mais. Agora o meu aparelho só tem função telefônica e isso me basta.

Faz um mês e me sinto ótimo. O meu tempo eu o tenho ocupado com a releitura do acervo da minha biblioteca pessoal e a cada releitura descubro um universo novo naquelas obras, porque as releio com um espírito sempre diferente do espírito que tinha na primeira leitura. Tenho livros que vão dar para eu reler até o fim da minha vida. Entrando nos 79 anos não é tanto tempo assim, preciso aproveitá-lo bem…!

Nem sempre o vinho velho é o melhor…

Desde a antiguidade já se falava da supremacia dos vinhos envelhecidos sobre os vinhos novos. No próprio texto bíblico existe uma passagem em que Lucas afirma que ninguém trocaria o sabor de um vinho velho pelo de um vinho novo. Cícero, o grande jurista e orador romano afirmava, lá pelo ano 50 a.C. que “Os homens são como o vinho, a idade azeda os ruins e melhora os bons”. Na realidade, o envelhecimento pode aperfeiçoar sim alguns vinhos que, por si só, já possuem certos elementos que propiciam a melhoria das suas qualidades organolépticas, ou seja, aquelas qualidades que atuam sobre os sentidos, mais especificamente sobre o olfato e o paladar. Mas não são todos os vinhos que se prestam ao envelhecimento, assim como os cabelos brancos nos seres humanos jamais foram atestado de idoneidade, pois os crápulas também envelhecem.

O hábito de se falar que todo vinho melhora com o envelhecimento, vem da antiguidade, quando o processo de fabricação e armazenamento dos vinhos era bastante rudimentar. Os vinhos daquela época eram péssimos para se tomar quando recém fabricados. Quando “descansavam” por um certo tempo, passavam a ser mais palatáveis. Para se ter uma ideia,  na antiguidade grega ou romana os vinhos eram armazenados em ânforas de barro (enormes jarros) com tampas também de barro vedadas com cera de abelha. Mas foram os romanos que, aprendendo com os gauleses, passaram a usar toneis de Carvalho para o transporte de vinhos e outros gêneros, descobrindo que o vinho melhorava o seu sabor quando guardado naqueles barris. A invenção das garrafas de vidro pelos ingleses e o uso das rolhas de cortiça, que se credita ao monge francês Don Perrignon (o mesmo que inventou o Champagne), seriam conquistas do século XVII.

Com o avanço da tecnologia e o acúmulo de conhecimentos aperfeiçoou-se a fabricação do vinho e o seu armazenamento, além, é claro, dos cruzamentos para obtenção de variados tipos de uvas que, fermentadas sozinhas ou  nos chamados “cortes”, quando são misturadas em diversas proporções com outras uvas, produzem a imensa variedade de vinhos que conhecemos.    A tecnologia atual permite o surgimento de vinhos para serem bebidos pouco tempo após a sua fabricação. Aliás, a maioria dos vinhos que se consome hoje em dia, podem ser guardados no máximo de um a três anos, daí para frente correm o risco de se tornarem piores. Os chamados vinhos fortificados, geralmente doces, como o do Porto, os Madeira e outros congêneres, podem ser guardados em garrafas por tempo indeterminado.

É claro que alguns vinhos tintos de excelência, os chamados vinhos de guarda, podem e devem ser envelhecidos. São vinhos que melhoram a qualidade e atingem o clímax das suas qualidades quando guardados em garrafas por até vinte ou trinta anos. Isso após terem estagiado por um bom período em toneis de carvalho. Esses vinhos, além de aprimorarem a sua qualidade, elevam às alturas o seu preço. Se já eram caros quando jovens, imaginem o seu preço quando envelhecidos.

Na cidade do Porto, em Portugal, hospedei-me certa vez no “Grande Hotel do Porto”, um dos mais antigos da cidade, que ostenta uma placa de bronze em sua entrada que registra a visita do deposto Imperador brasileiro, Pedro II e da Imperatriz Tereza Cristina, em dezembro de 1889. Na vitrine da sua sala de refeições, deparei-me com alguns desses vinhos com mais de trinta ou quarenta anos de garrafa,  expostos para venda. Olhei, contemplei e imaginei o sabor daqueles vinhos. Apenas os contemplei imaginando o seu sabor, porque por mais que eu quisesse degustá-los, eles não caberiam no meu bolso. Esse é o grande defeito das roupas com bolso pequeno…

 

O histórico problema de Jerusalém

Sem dúvida alguma a história de Jerusalém se confunde com a história do povo hebreu. De acordo com os escritos bíblicos, David teria conquistado a cidade cerca de 1000 anos antes de Cristo, expulsando dali os Jebuseus, transformando-a na capital do Reino de Israel. Teria sido ali que Salomão, filho de David, construíra o primeiro templo. Isso, sem dúvida, transformou-se em uma simbologia para o povo judeu. Acredita-se que o nome Jerusalém, ou “Yerushaláyim”, resultado da composição: “Yir’a” (temor a deus ou ao sagrado) + “Shalem” (perfeição), deve ter sido associado à cidade no período pós-exílio para a Babilônia.

É impossível negar a pertinência da cidade de Jerusalém com o povo Judeu, mesmo levando-se em conta a quantidade de povos que a conquistaram e a perderam durante a sua longa história. Jerusalém foi destruída, seguramente, 2 vezes; foi sitiada e atacada cerca de 60 vezes, tendo sido conquistada e reconquistada quase 50 vezes. A parte mais antiga da cidade remonta há milênios antes de Cristo.

Vários povos habitam hoje a chamada “Cidade Santa”, principalmente depois da implantação do Estado de Israel em 1947, quando para lá afluíram judeus de vários países diferentes, mas a parte antiga da cidade é dividida em bairros habitados principalmente por Armênios, Cristãos, Muçulmanos e Judeus. A cidade ocupa uma pequena área de 0,9 km² e possui uma população de cerca de 750.000 hab.

Se examinarmos a história dessa cidade, será fácil perceber que, apesar das várias invasões de povos árabes, das dezenas de Mesquitas ali construídas, a sua ligação maior foi sempre com o povo judeu, por isso a decisão do governo israelense, através do “Knesset”, seu Parlamento, de transferir para aquela cidade que é o símbolo do povo judeu, a Capital do Estado israelense. É claro que isso desagradou a muita gente, principalmente sob o aspecto político estratégico que explora as convicções religiosas envolvidas. Jerusalém foi sempre disputada entre as nações, mas talvez nunca como nos tempos das “Cruzadas”, em que países europeus se digladiavam com povos árabes pelo domínio da região.

Agora, o governo de Israel decidiu instituir o hebraico como idioma oficial do país e o idioma árabe como a língua de segundo plano na comunicação oficial. É claro que isso criou mesmo uma polêmica. Mas um país é formado, principalmente, por um povo, um território e uma língua nacional e ainda que Jerusalém tenha uma multiplicidade de etnias que a habitam ela integra, mais que o Estado de Israel, o espírito judaico.

Em Londres, em termos de comunicação, por exemplo, podemos observar milhares de línguas, dialetos ou falares por suas movimentadas ruas. Em um vagão de metrô, são dezenas de línguas diferentes, numa verdadeira Torre de Babel, mas nem por isso o idioma oficial da Inglaterra deixa de ser a língua inglesa.

Pela significação histórica e pertinência com o povo judeu, nada mais justo do que a Capital do Estado de Israel ser transferida de Tel-Aviv para Jerusalém e a língua oficial ser mesmo a língua hebraica.

O problema é que uma decisão da ONU em 1947 classificou Jerusalém como “Território Internacional”, mas com a famosa “Guerra dos Seis Dias”, em 1967, Israel, que já havia anexado a parte ocidental da cidade, anexou também a parte oriental que havia sido anteriormente ocupada pela Jordânia. É claro que será sempre muito difícil uma paz definitiva entre povos e interesses tão conflitantes, como naquela região, principalmente quando grupos radicais usam do terrorismo como arma de persuasão.

 

CORRIGINDO  ERROS HISTÓRICOS

Por ocuparem a maior parte dos cargos nas Universidades Públicas e na direção burocrática do país durante cerca de duas décadas, a esquerda “aparelhou” o nosso país para a transmissão maciça da sua ideologia, destruindo os conceitos básicos da cidadania e criando uma “nova história nacional’, tão falsa como os pressupostos ideológicos que procuram transmitir.

As esquerdas usam as liberdades das Democracias Liberais justamente para tentar destruir essas democracias e implantar em seu lugar uma ditadura. Imagine como seria se um professor universitário em Cuba pregasse contra a ditadura cubana. Quanto tempo ele teria entre a sua fala e o “paredón” de fuzilamento ?

Seguindo ícones sócio-comunistas como Marx, Gramsci, Stalin, Trotsky, Mao e Fidel, a esquerda usa a educação (principalmente as Universidades) para destruir os conceitos nacionais e substituí-los por valores ideológicos da sua linha, com o objetivo final da implantação de uma ditadura chamada do proletariado, quando na verdade se refere à ditadura de uma casta de dirigentes, como ocorreu na URSS, na China, na Coreia do Norte, em Cuba e na Venezuela, onde o povo se contentava com os racionamentos e gêneros de péssima qualidade, enquanto os dirigentes se locupletavam com o dinheiro público. Os dirigentes soviéticos, por exemplo, tinham casas de campo no mar negro e usavam sapatos de cromo alemão, enquanto o povo compartilhava apartamentos de terceira categoria e usavam botinas de atanado.

A esquerda brasileira, chamada “festiva” ou do “caviar”, como a do Wagner Moura, do Chico Buarque ou da “República do Dendê”,  procuram dar a Carlos Marighela e Carlos Lamarca status de heróis, quando, na realidade, foram terroristas que, assassinando e assaltando bancos e quarteis, queriam implantar no Brasil uma Ditadura nos moldes de Cuba, jamais pensando em Democracia. Aliás, usam sim a liberdade das Democracias, como dissemos acima, para praticarem os atos terroristas.

Segundo dados da Internet, Wagner Moura obteve cerca de 10 milhões da Lei Rouanet para fazer um filme que falseia a história e tenta transformar um terrorista que nunca trabalhou, em herói. Inclusive levando para interpretar Marighela, que era um mulato claro, um ator negro, o “seu Jorge”, tentando incrementar o fator “racismo” em seu pífio filme.

Outro engano foi a tentativa de transformar o também terrorista Carlos Lamarca, em herói. Ainda segundo dados da Internet, Lamarca foi um capitão que desertou em 1969 do Exército brasileiro, roubando em sua saída dezenas de fuzis, metralhadoras e munições. Praticou com seus comparsas assaltos a Bancos em São Paulo, onde assassinaram o guarda Orlando Pinto Saraiva. Em 1970 promoveu o sequestro do Embaixador Suíço Von Holleben. Entre seus muitos crime, Lamarca assassinou com golpes de coronhadas de fuzil o Tenente PM Alberto Mendes Júnior. Lamarca foi morto em 17/09/1971, mas 36 anos após a sua morte, o então Ministro da Justiça, Tarso Genro, do PT, conseguiu a “promoção” do falecido Lamarca a Coronel, para benefício da viúva, com soldos equivalentes a de General de Brigada e mais uma indenização de 300 mil reais. Mas não é só, em 2007 foi concedido à viúva uma “reparação” econômica no valor de R$ 902.715, 97. Quanto às famílias dos assassinados por ele e tantos outros terroristas, nada…

Dilma Rousseff, que usava diversos codinomes, mais José Dirceu, José Genoíno e tantos outros que atuaram no terrorismo, não só permaneceram impunes como chegaram a galgar cargos eletivos, contribuindo decisivamente para a formação de uma ativa base de esquerda nas Universidades Públicas e na composição burocrática do país.

Felizmente a população acordou, mas ainda falta muito para extirpar da Educação brasileira, principalmente a universitária, aqueles que insistem em ideologizar a educação, alienando grande massa de estudantes.

O que torna uma nação estável

São muitos os fatores que tornam uma nação estável mas, sem dúvida alguma, entre esses fatores estarão um crescimento econômico sustentável e um conjunto de leis que possam garantir a tranquilidade social e a existência de um Estado Democrático de Direito.

Em nosso país, esses dois quesitos foram sempre um obstáculo ao nosso desenvolvimento. Basta atentarmos para o elevado número das nossas Constituições  para se ter uma ideia das turbulências internas que as originaram. A nossa primeira Constituição foi a de 1824, dois anos após a nossa independência político-administrativa e ainda no tempo do Império. Foi aquela que instituiu, além dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, o Poder Moderador, exercido pelo Imperador. Depois, tivemos a primeira Constituição Republicana, em 1891, que introduziu o Laicismo, separando a Igreja do Estado, uma grande conquista para a época. Depois, a de 1934 que, a despeito da sua inspiração autoritária, foi a que estabeleceu as eleições diretas, o voto secreto e sacramentou o direito de voto às mulheres.  A de 1937, essencialmente autoritária e que instituiu o “Estado Novo”, foi redigida praticamente por um único jurista, o eminente mineiro de Dores do Indaiá, Francisco Luís da Silva Campos, o famoso “Chico Campos”, amigo pessoal de Getúlio Vargas. Mas não paramos por aí. Em 1946, depois da deposição de Getúlio Vargas, tivemos a Constituição de 1946, apelidada de democratizadora.

Com as diversas conturbações e perturbações sociais do Governo de João Goulart, que sucedera Jânio Quadros, tivemos a Revolução de 1964 e uma nova Constituição promulgada em 1967. Ainda teríamos a Emenda Constitucional de 1969, que equivale a uma Constituição, promulgada pelos militares: Augusto Radmacker Grünewald (Ministro da Marinha), Aurélio de Lyra Tavares (Ministro do Exército) e Márcio de Souza e Mello (Ministro da Aeronáutica) que compunham a Junta Militar provisória após o falecimento do Presidente Artur da Costa e Silva. Logo depois, seria eleito pelo Congresso Nacional o Presidente Emílio Garrastazu Médici. Após o período dos Presidentes militares, tivemos a Constituição de 1988.

Perderam o número das Constituições que tivemos? Foram sete. Oito, se contarmos a Emenda de 1969 como Constituição.

A França, que passou também por conturbados períodos de Revoluções e crises internas, ao longo de séculos, alternando períodos monárquicos com presidencialistas, teve mais Constituições do que nós. Se contarmos a partir da Revolução de 1789, podemos anotar Constituições em 1791/1793/1795/1799/1814/1830/1848/1852/1875/1946 e a de 1958. São onze, se não me esqueci de nenhuma em minha pesquisa.

Há países que nem Constituição propriamente possuem, como a Inglaterra. O Reino Unido, apesar de toda a sua pujança, possui apenas uma Consolidação de Leis que emergiram desde uma Carta Magna de 1215 e que completou-se com o pensamento de John Locke exposto em sua obra “2º Tratado Sobre o Governo Civil”, do Séc. XVII. Durante todos esses séculos da sua história, o Reino Unido conciliou progresso econômico com conquistas sociais, sem abrir mão de suas convicções liberais.

O interessante é que os Estados Unidos da América, que há muitos anos é a nação mais poderosa do mundo e prima por seu regime democrático e conquistas de valores internos, só teve uma Constituição, aprovada em uma Convenção Constitucional realizada na cidade de Filadélfia, no Estado da Pensilvânia, entre os dias 25 de maio e 17 de setembro de 1787. Foi sua primeira e única Constituição. É claro que no decorrer desses mais de 230 anos de história  algumas emendas foram inseridas no texto original para se adaptarem à modernidade que surgia.

O número excessivo das nossas Constituições e, principalmente, o seu caráter detalhista, reflete a nossa própria insegurança institucional.

O MITO DA CAVERNA E A SUA ATUALIDADE

Mesmo considerando a importância dos filósofos pré-socráticos e do próprio Sócrates, para o pensamento da Civilização Ocidental, é impossível não reconhecer o significado de Platão para o conhecimento humano.

Nascido em 427 a.C em Atenas e falecido em 347 a.C, na mesma cidade, Platão, cujo nome deriva do fato de ter possuído ombros largos e corpo atlético, chamava-se na realidade Aristocles.

Platão sofreu as influências de diversos filósofos que o antecederam, tais como Sócrates, Pitágoras, Heráclito e da própria mitologia homérica. Escreveu centenas de obras abordando os mais diferentes assuntos, a maioria em estilo dialogal, em que os personagens estabeleciam diálogos sobre o tema que discutiam. Os temas mais abordados por Platão foram Amor, Amizade, Política, Justiça e Imortalidade da Alma, abordados em obras como A República, O Banquete, Fedon, Górgias e outros.

É na obra “A República” que Platão aborda o interessante Mito (ou Alegoria) da Caverna. Esta alegoria fala do condicionamento humano e da sua consequente prisão a determinados conceitos que são transmitidos e que acabam acorrentando as pessoas a determinadas ideologias e tabus, escravizando-as ideologicamente a determinados comportamentos.

Conta a alegoria que existiam vários homens no interior de uma caverna, todos acorrentados um ao outro, impedidos de saírem. Do lado de fora da caverna existia um muro e do outro lado desse muro passavam durante todo o dia dezenas de pessoas, carregando sobre os ombros os mais diversos objetos. O sol, brilhando intensamente, projetava no fundo escuro da caverna a sombra desses objetos. Os homens que lá estavam acorrentados, admiravam essas sombras e as admitiam como realidade, pois estavam acorrentados ali desde sempre e não conheciam outra coisa além daquelas sombras. Um dia, um dos homens conseguiu se libertar da corrente que o prendia e foi até ao exterior da caverna. Seus olhos arderam diante da brilhante luz, mas quando se habituaram à claridade, o homem percebeu que a realidade era o que estava fora da caverna e que na sua parede interior, o que viam eram apenas sombras do real que existia fora da caverna.

O homem encantou-se com a descoberta e de tão encantado, correu para dentro da caverna para comunicar aos amigos que o que viam projetado no fundo da profunda gruta era apenas uma sombra da maravilhosa realidade que existia do lado de fora. Os homens que continuavam acorrentados não acreditaram nele e o chamaram de louco e quando ele insistiu, tramaram a sua morte.

O mundo é assim. Existem contingentes de pessoas que, contaminadas por ideologias alienantes, apegam-se de tal maneira e com tanta convicção que são incapazes de examinarem as suas convicções com o valioso instrumento da análise crítica. Apegam-se às sombras em que acreditam como se fossem a suprema verdade.

Sempre existiram “cavernas” para a alienação dos homens. O que Platão flagrou naqueles longínquos séculos antes de Cristo, continua agrilhoando os homens na atualidade. “Cavernas” como a Televisão, com suas informações tendenciosas, suas programações deformantes de caráter, linhas religiosas radicais, partidos políticos com ideologias ultrapassadas e tantos outros tabus, continuam aí entre nós, como nos tempos de Platão, ostentando outros nomes talvez, mas com o mesmo objetivo pernicioso de alienar.

Sair da “caverna” e buscar a luz do conhecimento não é mesmo tarefa fácil, pois a visão do conhecimento não é fácil e normalmente desagrada a maioria reclusa na caverna. Mas vale a pena procurar desvencilhar-se das correntes e sair da escuridão da gruta interior. Afinal, no claro a gente pode ver até melhor as pedras que possam obstaculizar o nosso caminho.

O velho problema das estradas de Minas

Após o desgoverno do Pimentel (que agora, sem o manto protetor do foro privilegiado, deve enfrentar os Tribunais para prestar contas das acusações contra ele), o Governador Zema  vai ter muito trabalho para colocar o Estado de Minas Gerais nos trilhos.

Colocar as contas em dia, moralizar o pagamento do funcionalismo e transformar o nosso Estado em uma unidade da federação respeitada, não vai ser tarefa fácil.

As rodovias são um exemplo. A maior parte das estradas de Minas são estreitas, sem acostamento, sem a terceira via auxiliar para veículos pesados nas subidas e com depressões e irregularidades nas pistas que potencializam os riscos para os motoristas e passageiros que transitam por elas. Minas possui a maior malha rodoviária do país mas, com certeza, a mais mal conservada. Se comparadas com as rodovias de São Paulo, as nossas estradas parecem trilhas, e olhem que pagamos um dos mais elevados IPVAs do país.

O pior é que (e isso ocorre no Brasil inteiro), enfrentamos um elevado número de caminhões e carretas que tornam o trânsito insuportável. No início eram as carretas comuns, compostas pelo cavalo, onde se encontra a cabine do motorista e a carreta propriamente dita que lhe era atrelada. Agora, a despeito de nossas péssimas e estreitas estradas, criaram as “Carretas articuladas, compostas pelo Cavalo e mais dois imensos reboques, com um aviso de alerta escrito atrás: “Veículo longo, 30 metros”. Uma verdadeira linguiça mecânica que, quando transita à nossa frente na rodovia, demoramos quilômetros para ultrapassá-la.  No trecho entre Leopoldina e Juiz de Fora, por exemplo, é comum uma fila de 10 ou quinze veículos leves morcegando durante vários quilômetros a 40/h atrás de uma geringonça dessas. Muitos motoristas imprudentes tentam ultrapassá-las em locais impróprios e arriscam a sua vida e a dos passageiros, quando não se metem em acidentes graves. O citado trecho é um dos exemplos clássicos de estradas sem nenhum acostamento e sem “Terceira Via” nos trechos de subida.

O Governo Jânio Quadros proibiu, na época, os chamados “caminhões trucados” (aqueles que possuíam um terceiro eixo com mais duas rodas. Alegavam que tais caminhões, por concentrarem muito peso em uma menor quantidade de metro quadrado da estrada, danificavam a rodovia, produzindo afundamentos. Assim, foram entronizadas as carretas, com o objetivo de distribuírem o peso da carga em um espaço maior por metro quadrado da pista.

O raciocínio, é claro, não foi errado mas o problema era que as estradas cediam ao peso por sua má qualidade e pelas mutretas de empreiteiras que, cobrando milhões pela obra, não compactavam adequadamente a base da pista e colocavam uma “camadazinha  furreca”  de asfalto.

Se as estradas fossem amplas e bem construídas não teríamos problema com o trânsito das imensas e lentas geringonças que tanto risco oferecem aos que trafegam por nossas estradas. Mas é claro que a solução melhor seria incrementar a malha ferroviária para longos percursos e deixar as estradas para os caminhões menores e de percursos menores.

A cada campanha eleitoral assistimos desfilarem nos palanques propostas de incremento da malha ferroviária e fluvial, uma solução que não foi inventada por nós, mas que já existe nos países desenvolvidos que usam vagões ferroviários para longas distâncias e implantam em países como o nosso as suas fábricas de caminhões imensos que oneram o nosso transporte e se refletem nos preços das mercadorias que transportam.

Mas é claro que a substituição do transporte rodoviário pelo ferroviário deveria ser lenta e gradual pois a diminuição drástica dos caminhões pesados geraria graves problemas de desemprego e crise social no país.

QUEVEDO, UMA LENDA NA PARAPSICOLOGIA

Embora muitas vezes contestada, a Parapsicologia é uma das ciências mais revolucionárias já surgidas. Nascida da necessidade de explicar aquilo que para muitos seria inexplicável, esta Ciência veio ocupar um espaço importantíssimo na existência humana, desobstruindo a mente (pelo menos daqueles que pretendem entender a verdadeira realidade) dos dejetos das superstições e dos sectarismos de certas crenças.

É claro que muitos mistérios ainda existem e continuarão existindo em nossa trajetória existencial, mistérios que vão demandar muito tempo para serem compreendidos por nós.

Dia 09 deste mês, o mundo perdeu, talvez, o maior pesquisador nessa complicada área do conhecimento, um dos maiores expoentes da Parapsicologia, o Padre Jesuíta espanhol, naturalizado brasileiro, Oscar Gonzales Quevedo.

Oscar Quevedo teve uma infância atribulada na Espanha, seu pai, deputado na Espanha, foi fuzilado pelas tropas comunistas em 1937, durante a Guerra Civil Espanhola. O menino Oscar passou a viver por algum tempo na clandestinidade em seu próprio país escondendo-se em casa de amigos das tropas comunistas que haviam fuzilado seu pai. Depois, fugiu para a Inglaterra, onde foi viver com os tios que o influenciaram no gosto e no estudo do Espiritismo e da Teologia, temas que mais tarde se aprofundaria.

Estudou Filosofia e Psicologia, tendo ingressado mais tarde em um Seminário Jesuíta onde se aprofundaria, além da Teologia, em coisas do Além, Magia e Ilusionismo, como ele mesmo declararia em diversas entrevistas. Após a sua formação Oscar Quevedo veio para o Brasil, onde fundou o “CLAP-Centro Latino-americano de Parapsicologia”, dotando-o de uma das maiores Bibliotecas na área e voltado à análise de casos considerados sobrenaturais

Padre Quevedo, como era conhecido, ficou famoso por desmistificar milhares de “casos sobrenaturais” tirando-lhes o caráter místico e debitando-os a simples fenômenos paranormais.

Quevedo sofreu intensas pressões por parte de alas da Igreja Católica que consideravam a Parapsicologia uma posição herética. Posteriormente foi convidado a expor a sua teoria no Vaticano e a partir da sua ida à Roma a sua teoria foi, não só respeitada, como também obteve autorização para ministrá-la aos padres, nos Seminários.

Oscar Quevedo viajou por inúmeros países do mundo proferindo palestras e analisando casos que eram apresentados a ele. Com residência em Belo Horizonte, Quevedo viajou por inúmeras cidades do nosso país e numa dessas viagens esteve em Muriaé, onde foi recebido por um numeroso público. Lamentavelmente naquele dia eu não estava em Muriaé e não tive a preciosa oportunidade de ouvi-lo expor suas brilhantes e interessantes ideias.

Amigos me contaram, posteriormente, que ele falou de ilusionismo, hipnotismo, e sobre fenômenos paranormais que costumam confundir a mente das pessoas como se fossem fenômenos sobrenaturais.

Dizem que chocou algumas pessoas ao falar sobre as aparições da Virgem Maria, dizendo que a única aparição que ele não conseguia explicar e que intrigava-lhe o espírito como manifestação divina era a de Nossa senhora de Guadalupe, no México. É claro que isso não foi bem recebido por muitos dos ouvintes da palestra. Talvez agora, liberto das limitações corpóreas, o Padre Quevedo possa atingir o entendimento pleno das verdades que tanto procurou em vida…