Poder e corrupção

Há uma afirmação antiga que diz: “Dê poder a uma pessoa e ela demonstrará a sua índole”. É claro que podemos encontrar algumas raríssimas exceções, mas, normalmente, o que acontece é justamente isso. Mas não haveria problema algum se a índole revelada fosse boa. O ruim é que a má índole, quando revestida de poder, se transforma em um dano cruel para uma comunidade.

Quando um desonesto chega ao poder, tanto político como econômico, é a população que sofre as conseqüências, e é o que temos assistido em nosso país nos últimos anos: um verdadeiro assalto aos recursos públicos. A corrupção no Brasil não encontra limites e, como um vírus deletério, alastra-se nas esferas federal, estadual e municipal, de todas as formas e artifícios possíveis.

Historicamente, a corrupção sempre esteve presente em nosso país, mas atualmente os corruptos perderam de vez a vergonha e, conscientes da impunidade costumeira, perderam até os “cuidados” de antes e, descuidados em suas maracutaias, tornam-se presas fáceis de homens de fibra e de caráter como o juiz Moro, uma reserva moral raríssima hoje em dia em nossas instituições. Competente e corajoso, o Dr. Moro vai tentando passar a limpo a nossa história, mostrando à sociedade brasileira que o Brasil tem jeito. Basta um mutirão nacional de civismo e vergonha.

A sociedade tem em suas mãos a arma mais poderosa inventada pela democracia, que é o voto. Uma arma eficaz, se bem utilizada, mas que pode ser “um tiro no pé” se for manipulada, como tem sido, pelos políticos que chegam ao poder e se locupletam com os recursos públicos que poderiam e deveriam ser destinados em benefício da população.

O voto é uma arma poderosíssima, mas é como uma escopeta de um tiro só. Você só tem um para cada candidato. Sua mira não é como a de uma arma comum, para matar, mas deve ser criticamente salvadora. Por isso, sua trajetória não deve ser desviada pelos artifícios da demagogia, mas certeiramente dirigida pela certeza das boas intenções.

O exercício democrático deve ter seu início nas bases. O município é o lugar em que nascemos, vivemos e construímos nossas esperanças. É daqui que calibramos a nossa mira para o tiro certeiro do voto. Com esse poderoso tiro podemos colocar no poder pessoas moralmente íntegras ou… aqueles que vão se enriquecer cada vez mais com os recursos públicos.

No próximo ano teremos eleições. Um exercício democrático de “tiro ao alvo”, e está em nossas mãos lavarmos a honra desse nosso imenso e querido Brasil. Novas e velhíssimas raposas estarão à espreita, como lobos famintos, tentando galgar os corredores do poder, mas só entrarão com a “chave mestra” do nosso voto. Usarão de todos os recursos para chegarem ao poder. Farão promessas incontáveis, proclamarão qualidades e competências que nunca tiveram e, uma vez instalados no poder, serão os de sempre, desonestos e vorazes. Não mudam, pois sua desonestidade é atávica. São como na fábula do escorpião e do sapo, não conseguem contrariar a sua natureza.

Já passou da hora de todos nós, em um mutirão de civismo, darmos ao nosso Brasil o destino honrado que ele merece. Vamos iniciar desde já o nosso treinamento de “tiro ao alvo democrático”, e quando os corruptos apontarem aquelas velhas caras manjadas contando as suas velhas lorotas… fogo neles!