Mais médicos ou mais “mutreta”?

Francisco Laviola  – 28/11/2018

“A saúde é um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação” (Artigo 196 da Constituição Federal).

Quando você pensa que viu acontecer de tudo na administração da ex-presidente defenestrada, eis que aparece mais um imbróglio a ser desvendado. Se não bastassem as pedaladas fiscais que caracterizaram crime de responsabilidade; se não bastassem os represamentos dos preços de energia elétrica e de combustíveis, medidas de caráter meramente eleitoreiras; se não bastassem o “balcão de negócios” instalado nos gabinetes do Planalto e a gastança que afundou o país na maior crise fiscal da sua História; se não bastassem o legado da recessão e os mais de 13 milhões de desempregados; se não bastassem aqueles discursos enrolados, sem nexo, que diziam sem nada dizer, escancara-se agora mais uma farsa de um verdadeiro desgoverno, que acabou em impeachment de uma presidente que não deixou saudade para nenhum brasileiro. E se querem saber o que penso, não deixou saudade nem para os seus próprios eleitores.

O tal programa “Mais Médicos”, do governo Dilma, que resultou na contratação de médicos cubanos, anunciado pelos quatro cantos do país como a grande solução para a saúde dos brasileiros não passou, segundo relatos oficiais, de uma grande negociata de caráter pecuniário em benefício da ditadura cubana. Foi através da embaixada brasileira que se descobriu que partiu de Cuba a proposta do  “Mais Médicos” no Brasil, justamente para viabilizar o regime cubano, que tem na exportação de serviços médicos um de seus principais produtos. Foi simplesmente um acordo comercial entre os dois países e não uma cooperação humanitária, como foi ruidosamente anunciado nos palanques.

A carência na saúde serviu apenas de pano de fundo para acobertar mais uma “tramóia” do governo petista. Enquanto os médicos cubanos contratados ficavam apenas com 30% dos salários pagos pelo governo brasileiro, 70% desses salários eram pagos diretamente ao governo cubano para sustentar a   sua ditadura. Bastou a eleição do novo presidente no Brasil e o anúncio de que ele iria rever o tal acordo, para que Cuba promovesse imediatamente a rescisão unilateral do contrato e mandasse levar de volta a sua “mercadoria” humana.

Agora, depois deste imbróglio todo, resta saber quanto se pagou nestes cinco anos em que os médicos cubanos estiveram no Brasil e se existem empreiteiras também envolvidas no caso. Por ora, sabe-se apenas que há um envolvimento do BNDES e desconfia-se de uma triangulação financeira para, mais uma vez, beneficiar o partido da ex-presidente.

Quando um presidente da República coloca aquela faixa verde e amarela no peito, ao assinar o ato de posse, ele jura cumprir a Constituição. E o artigo 196 da Carta Magna é muito claro. Saúde é direito de todos e dever do Estado. É um crime fazer política com uma carência tão grande do povo como tem sido a questão da saúde no Brasil.

Como já vimos acontecer tanta coisa neste país nos últimos anos, não será nenhuma surpresa se nas investigações ficar comprovada mais uma farsa, como diversas outras, que só serviram para colocar dinheiro no bolso de políticos corruptos.

Como sair da crise

Francisco Laviola – 22/11/2018

A depressão econômica que afetou o país a partir de 2015 já era esperada, tendo em vista o vasto pacote de bondades feito pelo já “pré-histórico” governo Dilma, para garantir a sua reeleição. Não satisfeita, ainda “enterrou” o pé no acelerador dos gastos com efeitos nocivos para as contas públicas, obrigando a sua equipe econômica a apelar pela tal contabilidade criativa, numa maquiavélica manobra para camuflar os rombos e escancarando a desobediência à Lei de Responsabilidade Fiscal. A partir desses pressupostos que depois foram sobejamente comprovados é que começou o processo de impeachment da “presidenta” petista. E foi exatamente por ser acusada de crime de responsabilidade que ela foi defenestrada do Palácio da Alvorada.

Se ainda estamos vivendo uma crise econômica que afeta sobremaneira a produção, e, por via de consequência, resulta na geração de uma quantidade imensa de desempregados – ainda se fala em quase de 13 milhões – deve-se isto em grande parte ao governo desastrado de Dilma Rousseff.

É claro que a crise política e a roubalheira que foi escancarada a partir das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público, também tiveram influência decisiva na questão da paralisia econômica do país.  A crise política e a crise econômica andam de braços dados. É a questão da confiança. O mercado nacional e internacional, e principalmente o sistema financeiro, dependem de confiança. Se o investidor confia, por certo, ele investe; se não confia, simplesmente ele não investe. Foi a partir desse imbróglio todo que as taxas de desemprego foram se avolumando e fazendo com que o brasileiro “se virasse nos trinta” nos trabalhos informais.

Por outro lado, não podemos negar que existem aqueles que empreendedorismo não é o seu forte.  Ficam à procura de um milagre e que aproveitam os momentos de crise para colocar a culpa só no governo. É uma forma de escapismo das suas responsabilidades. É muito mais fácil culpar os governantes pela crise econômica do que admitir a má gestão de seus próprios negócios, por exemplo. As mudanças para melhor, seja na economia, ou seja na política, têm que partir não só das sociedades civis organizadas, mas principalmente através das ações do povo. A transformação pleiteada pelo povo, só vingará se partir do próprio povo. Cruzar os braços e jogar a culpa na crise será um caminho sem volta. Em tempos de crise, trabalho e criatividade são fundamentais para alavancar o desenvolvimento. Agora que o país está prestes a dar uma guinada radical na sua administração, não podemos nos tornar um ilustre dependente de programas sociais do governo. Coragem para lutar, buscar os nossos direitos e trabalhar incessantemente são os caminhos para construir o nosso futuro.  Para quem só fica lamentando os momentos de crise, vai aí um pensamento do “cientista louco”:

“Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e um país, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise supera a si mesmo, sem ficar ‘superado’. Quem atribui à crise os seus fracassos e penúrias, violenta o seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência; sem crise, não há desafios; sem desafios a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um…” (Albert Einstein). Faz sentido, não?

Os desafios dos novos governantes

Francisco Laviola – 14/11/2018

O Brasil é um país de dimensões continentais. São 8.516.000 km² e a sua agenda de necessidades urgentes ou urgentíssimas a serem pautadas pelos novos governantes é diretamente proporcional à sua extensão territorial. Nesse cenário estão incluídos não só o novo presidente da República recém-eleito, mas também os novos governadores que somente agora estão começando a tomar ciência da caótica situação financeira da maioria dos estados brasileiros. Alguns pela péssima gestão dos seus administradores e outros por causa do inchaço da máquina pública, devido à subserviência criminosa dos eternos apaniguados que os ajudaram a se elegerem em outras eleições e que passaram os últimos quatro anos cobrando a fatura.

Vários estados chegaram a decretar situação de calamidade financeira, outros decretaram situação de emergência, mas nenhum deles procurou cortar as suas despesas ou buscar um ajuste fiscal que lhe desse um mínimo de condições de governabilidade. As informações trazidas pelos noticiários dão conta de que 14 estados da Federação estouraram o seu limite de gastos com pessoal.  Na pauta, sem dúvida, a irresponsabilidade fiscal.

O estado de Minas, por exemplo, neste mandato ainda em curso, resolveu meter a mão grande nos direitos constitucionais dos municípios, como o FUNDEB – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica – e outros repasses que deveriam ser feitos, como é o caso da cota parte do IPVA – Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores -, deixando os gestores municipais à míngua de recursos e sem possibilidades de honrar com os compromissos básicos, como saúde e educação, por exemplo. Nem assim deixou de atrasar os seus compromissos com o funcionalismo. Trata-se de uma engrenagem que não pode ser quebrada, pois se os recursos não chegam, quem mais sofre, lá na ponta, é a população carente que depende da contrapartida do Estado para arcar com as suas necessidades básicas.

Já o presidente recém-eleito tem uma extensa pauta de extrema urgência. Diferentemente das últimas eleições, ele não tem compromissos com partidos e políticos que têm por hábito utilizarem-se do fisiologismo barato. No entanto, não dá para pensar em governar sem negociar com o Congresso e com os governadores. Isto não quer dizer que ele tenha que se submeter à política rasteira do toma lá, dá cá, que foi a marca registrada dos últimos governos. Mas existe um legado maldito que está sendo deixado pelos governos Lula/Dilma/Temer, cujas soluções exigem tomadas de posições urgentes. A reforma da Previdência, a questão da saúde, o combate à corrupção, a precariedade dos presídios e as questões de segurança pública. Neste contexto, não há como negar que o contrabando de armas e o narcotráfico deverão merecer uma atenção especial do novo ministro da Justiça, a ser empossado em janeiro de 2019. Segundo informações, existem hoje cerca de 70 facções pertencentes ao crime organizado, literalmente em guerra em 14 estados da Federação e que vêm aterrorizando a população. Outra questão de urgência é a vigilância de nossas fronteiras com países vizinhos, cuja extensão chega a dezessete mil quilômetros.

Além das questões econômicas, cujos acertos são primordiais para o crescimento do país, são, portanto, inúmeros os desafios do novo presidente, Jair Bolsonaro.

Tomara que os seus super ministros, como têm sido chamados pela imprensa os que foram escolhidos até agora, possam lhe dar o suporte necessário para promover uma mudança de rumo no país. E isto não sou eu quem está dizendo. É o povo que o elegeu que está esperando ansiosamente.

As lições que vieram das urnas

Francisco Laviola – 08/11/2018

As eleições de 2018 realmente deixaram algumas lições para os nossos políticos que, se eles bem as entenderam, deverão fazer uma boa reflexão se quiserem se manter em atividade. O povo, sem dúvida, deu o seu recado nas urnas.

Chamo a atenção do leitor para algumas delas. Um dos objetos de desejo da maioria dos partidos políticos é o tempo de propaganda no rádio e na TV. Tanto é assim que as coligações partidárias sempre foram feitas visando esse espaço, utilizando-se de alianças com legendas de aluguel que não têm nenhuma representatividade no Congresso, mas que são cooptadas em busca de alguns segundos a mais, durante a propaganda eleitoral. O maior exemplo nestas eleições foi do chamado Centrão, que apoiou o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, que tinha um verdadeiro time de partidos aliados: PSDB, PTB, PSD, SD, PRB, DEM e PPS. Essa aliança rendeu ao candidato Alckmin mais de seis minutos em cada bloco, enquanto Bolsonaro tinha apenas oito segundos. Enquanto Alckmin usava o seu tempo de TV, conseguido com as alianças, Bolsonaro buscou o atalho através das redes sociais. A tecnologia falou mais alto e ficou claro que ninguém quer mais saber de programas políticos na TV. De nada valeram as velhas práticas de cooptação de partidos e políticos que sempre foram feitas para ganhar tempo de visibilidade nos programas eleitorais.

Com a crise ética e moral pela qual passa o país há anos, ficou patente mais uma lição: o povo não quer mais saber da velha política. A “barca” passou e levou muitos figurões que se achavam inatingíveis. Cabeças de vários “caciques” rolaram nestas eleições. Além das surpresas que aconteceram no estado do Rio de janeiro e especialmente aqui nas “nossas Minas Gerais”, houve uma boa renovação no Congresso, o que restou demonstrado que o povo quer mudanças urgentes no comportamento de políticos e na forma de fazer política.

Além de outros partidos tradicionais como é caso do PSDB, outro partido que terá que se reinventar será o PT. Com a sua cúpula toda condenada ou presa, terá que renovar as suas lideranças e também o modus operandi, se quiser voltar ao poder algum dia. O povo já não aguenta mais essa história de golpe, de beija mão de presidiário na cadeia e discursos inflamados de meia dúzia de radicais, que disseminam o ódio usando recursos de uma retórica requentada baseada na tese de que Lula é uma vítima da Justiça, um preso político e não o chefe de uma organização criminosa que assaltou o país e que sob o seu comando, seja na Presidência ou fora dela, deixou o Brasil com mais de treze milhões de desempregados.

O PT já foi um partido de uma ideologia própria, quando sua causa maior era a luta pelos direitos dos trabalhadores. Mudou o rumo da sua história quando chegou ao poder.  Além do mensalão e do petrolão, debitados na sua conta, montou através dos seus líderes o maior esquema de permanência no poder da era republicana. O mau exemplo dado pelo Partido dos Trabalhadores e seus aliados foi uma das fases mais nefastas que o país experimentou.  Por isso terá que se reinventar.

As eleições de Jair Bolsonaro (PSL), para presidente, e dos governadores de Minas, Romeu Zema (Novo) e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), partidos de pequenas representatividades, mostra que o eleitor já está mudando os rumos deste país. Esta foi, sem dúvida, a maior lição que veio das urnas em 2018. Que seja o início de grandes mudanças, tendo como base a ética, a moral e, principalmente, a valorização do povo que com o seu trabalho do dia a dia constrói o futuro desta Nação. É o que se espera.

Enfim, venceu a democracia

Francisco Laviola – 31/10/2018

A data de 28 de outubro de 2018 ficará marcada para sempre na História do nosso Brasil. Aconteceu o que tinha que acontecer. Quando digo que aconteceu o que tinha que acontecer, não estou falando da eleição de Jair Bolsonaro. Penso que o leitor tem a ideia de quem foi a verdadeira estrela desta eleição. Claro que não foi o deputado Bolsonaro. O deputado recém-eleito foi apenas o instrumento possível.  A verdadeira estrela destas eleições foi, sem dúvida, o povo brasileiro.

Nunca antes na História deste país, como diria o nobre presidiário, houve uma demonstração tão forte da vontade popular no sentido de romper com um sistema que há anos vem se perpetuando no comando do país. Apesar do esforço dos radicais das esquerdas, até prova em contrário, o establishment foi derrotado. Ambos os candidatos tiveram que se render ao sentimento do povo. Nem Bolsonaro pode manter os arroubos configurados em teses autoritárias, as quais o caracterizaram ao longo da sua vida pública, nem Haddad pode continuar a sua campanha alinhada com a figura de Lula, que tentava, a todo custo, comandar as ações do candidato petista de dentro da sua atual morada, lá em Curitiba. Isso ficou evidenciado com a altíssima rejeição de ambos e por isso tiveram que recuar de forma estratégica para tentarem recuperar os votos perdidos. Ainda assim, o fato inconteste é que, muitos votaram em Bolsonaro porque não queriam mais o PT no comando do país. Há muito tempo que o povo estava esperando esta oportunidade de dizer não à velha política, revelada nas diversas Operações da Lava Jato. Romper com tudo isso era apenas uma questão de tempo, de oportunidade e, principalmente uma questão de honra.

Por outro lado, outros tantos também votaram em Haddad, simplesmente porque se demonstravam contrários às teses de autoritarismo de Bolsonaro. Desta forma, apesar da diferença de mais de dez milhões de votos entre o candidato vencedor e o vencido, nem todos os votos foram para um ou para outro.  Diante da polarização, boa parte desses votos não foram votos de representação política. Foram votos de protesto, seja contra o sistema implantado há anos por Lula e seus seguidores, seja contra as promessas com ranço de um autoritarismo que não cabe mais no nosso sistema democrático.

Após essas peculiaridades demonstradas nestas eleições, resta dizer que as nossas instituições funcionaram muito bem, que o povo deu uma demonstração da sua força ao romper com um sistema nefasto para o país e que, apesar de tudo, o presidente Jair Bolsonaro ganhou com o voto popular a legitimidade necessária, de forma democrática, para tentar tirar o país da vala em que o colocaram. Tomara que ele possa cumprir o que disse logo após confirmada a sua vitória: “Que sejamos mais Brasil e menos Brasília”.

Enfim, a democracia saiu fortalecida.

Os surrupiadores do poder

Francisco Laviola – 25/10/2018

A partir de janeiro de 2019 teremos novos governos em grande parte dos estados da Federação e principalmente, no comando do país, na Presidência da República. Um dos pilares da democracia, além da intocável manifestação do eleitor através voto, é, sem dúvida, a alternância de poder. Não se pode conceber que em um país cujo regime que se pretende ser democrático seja tomado por um grupo, seja de esquerda ou de direita e permanecer no poder por dez, quinze, vinte anos. A assunção do poder é democrática; a tomada do poder é antidemocrática, principalmente se a permanência no comando do país for defendida a todo custo, com unhas e dentes, onde o fim justifica todos os meios.

Isto aconteceu com o Brasil. Desde 2002, ano em que o PT assumiu o poder, que estamos vivendo uma espécie de ditadura branca. Dizem os “esquerdopatas” de plantão que estão governando para os pobres. O resultado está aí para quem quiser ver. Só não enxerga quem tem interesses escusos e não pensa num projeto de país para os brasileiros. Como é que estão governando para os pobres se deixaram o país com mais de 13 milhões de desempregados? E a culpa, é só do Temer?  O “golpista”? As instituições estão sendo sucateadas; a liberdade de imprensa começa a ser questionada, os poderes da República começam a entrar em conflito, quando a Constituição apregoa a harmonia e a independência entre eles. Pior. A maioria das estatais que representam o desenvolvimento do país, interna e externamente, foram comandadas por surrupiadores do dinheiro público. Vou mais além. São surrupiadores de sonhos da nossa população jovem, que depende do crescimento sustentável do país para conservarem a esperança de conseguir vencer na vida de forma digna. Não falo de classes sociais a, b ou c. Falo dos sonhos dos brasileiros por um todo, que trabalham e sustentam a nação com o seu trabalho, derramando o suor no seu rosto, pagando os seus impostos e esperando do Estado uma contrapartida mínima, representada pelos atendimentos em saúde, segurança pública, moradia digna, educação de qualidade, saneamento básico, enfim, o restabelecimento da sua dignidade.

Ainda bem que temos as eleições. No dia 7 de outubro já mandamos uma fileira de usurpadores do poder e corruptos para casa. Tomara que a Justiça os encontre e os coloque no lugar mais alto do pódio. Pode ser a “Papuda”, “Bangu e seus complexos” ou qualquer outra moradia de segurança máxima. Temos tempo para mudar. Não falo de candidatos. Não me interessa quem está na frente das pesquisas. O que me importa é que seja alguém capaz de recolocar o país na vanguarda. Crescimento econômico e social do nosso povo é a palavra de ordem. Qualidade de vida também. O resto é balela. Que tal irmos de “Ordem e Progresso”? Fora os surrupiadores do poder.

A história que vamos contando

Francisco Laviola – 19/10/2018

No próximo dia 28 de outubro será o “dia D” dos dois candidatos sobreviventes de uma campanha presidencial que começou sob o signo da desconfiança, passou para o campo das  acusações e tiroteios contra o líder das pesquisas e só amenizadas com o “sangue” derramado em Juiz de Fora, a Manchester Mineira. É incrível como Minas Gerais sempre se faz presente na história do Brasil, ainda que por coincidências.

Foi para libertar Minas e o Brasil do despótico regime colonial que o mineiro Tiradentes morreu. O Brasil do século XVIII era uma colônia portuguesa sujeita a um regime extremamente severo e sufocado por impostos que se tornavam intoleráveis; e ao mesmo tempo, era um país que começava a sonhar com a independência, estimulados por jovens, especialmente mineiros, que voltavam das universidades européias e divulgavam princípios de autonomia, progresso e liberdade. Partiram de Minas, portanto, os ideais de liberdade e de independência de um país explorado pela Coroa portuguesa.

Já na era republicana, a história mostra o movimento desenvolvimentista de outro mineiro, o presidente Juscelino Kubistchek. Foi um período de grandes investimentos em transporte, produção de energia elétrica e indústria de base, além da interiorização da população com a construção da nova capital brasileira, centro do Poder nacional e objeto de desejo e sonho de consumo dos políticos brasileiros.

E os ideais de liberdade continuaram com mais um mineiro: Tancredo Neves e a era da Nova República. Foi eleito presidente depois de 20 anos de ditadura militar, onde a liberdade de imprensa inexistia, a censura, as prisões, as torturas e os exílios eram as marcas registradas do regime militar. E ai de quem ousasse pensar e agir diferente da cúpula que dirigia o país. A eleição de Tancredo, embora ele não tenha tomado posse, em virtude do seu falecimento, mostrou Minas mais uma vez na vanguarda da história, abrindo o caminho para a democracia e transformando o Brasil.

Pode ser que o leitor considere um exagero dizer que o candidato Bolsonaro começou a consolidar a sua vitória no primeiro turno, a partir do atentado que sofreu em Juiz de Fora. Mas com certeza, a agressão sofrida pelo candidato mudou os rumos da campanha presidencial. A maioria dos concorrentes ao cargo, que batiam forte no líder das pesquisas, deixaram de fazê-lo. Grande parte deles, por receio de perder votos dos eleitores, “amaciou” diante da situação grave em que se encontrava o candidato hospitalizado. Como a campanha presidencial acabou polarizada entre a esquerda e a direita, criou-se uma diferença abissal. Enquanto os seguidores de Bolsonaro o visitavam em um hospital, o seu principal concorrente, Fernando Haddad, visitava Lula na cadeia, sem saber se seria ou não ungido pelo chefe.

Veio o primeiro turno das eleições e Minas deu um novo sinal de liberdade contra os desmandos petistas. Além de não aceitar reeleger o governador Fernando Pimentel, um dos piores governadores que o estado já experimentou, mandou também de volta para casa a ex-presidente Dilma Rousseff, que pleiteava uma vaga no Senado Federal por Minas Gerais, onde ela, nos últimos meses,  só vinha a passeio com a nossa grana.

Ora, um dos pilares da democracia é a alternância de poder. Se no dia 28 de outubro próximo, o candidato do PSL comprovar nas urnas o que as pesquisas estão apontando, estará se encerrando um ciclo nefasto da nossa História, representado pelo poder lulopetista, que durante anos sucateou as instituições com a sindicalização da máquina pública e afundou o país numa prática de corrupção sem precedentes. E pior, o seu projeto de permanência no poder, a qualquer custo, mostrou que o Brasil ficou refém de uma espécie de “ditadura branca”, que se não for interceptada a partir de 2019, poderá levar o país à “venezuelização”.

Tomara que o povo tenha acordado de vez.

Uma eleição atípica

Francisco Laviola – 10/10/2010

Na semana passada escrevi e foi publicado aqui neste espaço que este ano teríamos uma eleição atípica para a Presidência da República. Realmente, tudo indicava que as duas extremas radicais iriam cruzar as espadas. Foi o que aconteceu. Por ampla maioria de votos, deu Jair Bolsonaro, candidato polêmico da direita, contra Fernando Haddad, da esquerda e mais um achado de Lula. Certamente, Haddad não chega a ser um poste, como foi considerada Dilma Rouusseff em 2010. Até porque, o candidato que se apresenta como a extensão das pretensões de Lula, hoje cumprindo pena de 12 anos e um mês na cadeia, tem alguma experiência administrativa, adquirida como prefeito da cidade de São Paulo.

E foi realmente uma eleição atípica. Não só pelo duelo nas urnas das duas extremas radicais, cujas emoções ficaram reservadas para o segundo turno a se realizar no dia 27 deste mês. Atípica também foi a atitude do eleitorado. Parece que o povo acordou e mandou às favas uma boa parcela de figuras carimbadas da política contemporânea. A “barca” passou e levou com ela o presidente do Senado, Eunício de Oliveira (MDB), o seu vice, Cássio Cunha Lima(PSDB-PB, o eterno líder de vários governos, Romero Jucá (MDB-RR), os herdeiros do Sarney, representados pelo Sarney Filho e Roseana, Fernando Pimentel (PT-MG), um dos piores governadores que Minas já experimentou, Lindbergh Farias (PT-RJ), a âncora da tropa de choque “#Lula Livre” e muitos outros que a história se incumbirá de mostrar que se tratavam daquilo que havia de mais pernicioso na política brasileira.

Ficou claro que o voto em Bolsonaro é mais do que nunca o voto de protesto contra a corrupção, contra as negociatas e contra o balcão de negócios que foi instalado no Planalto nos últimos anos. Ficou claro também que o povo está cobrando do PT e seus aliados a conta da corrupção instalada a partir do segundo mandato de Lula. Colocar Jair Bolsonaro na frente com mais de 46% dos votos válidos para a Presidência da República é o voto do anti-petismo, sem dúvida. Mas ainda teremos o segundo turno e até lá vamos ver como se comportará o eleitorado com as inevitáveis alianças de puro fisiologismo.

E “barca” que passou e levou os figurões já citados, não deixou para traz a presidente defenestrada, Dilma Rousseff. Deixei para falar dela por último, por se tratar de um caso especial. Curiosamente, os mineiros que a elegeram em 2014, derrotando Aécio Neves, fizeram questão de reafirmar para o Brasil que o seu impeachment não foi um golpe como sempre alardeou a “casta” lulopetista. Beneficiada por uma manobra urdida no Senado Federal, durante o seu processo de impeachment, quando sob as bênçãos do ministro do STF, Ricardo Lewandowisck, garantiram a ela os direitos políticos em flagrante desrespeito à Constituição, sobrou para os mineiros promover a aplicação da justiça, restabelecendo a ordem constitucional por vias transversas. Se dizem que Deus escreve certo por linhas tortas, os mineiros fizeram questão de corrigir o erro do Senado ao mandá-la de volta para o Rio Grande do Sul, onde reside com a sua família. Representar o nosso Estado com todas as nossas tradições, não. Aqui, não violão, como diria os nossos antepassados. Que ela vá pousar em outra freguesia. E por fim, nem as pesquisas de intenção de votos deram certo. Foi uma “canelada” em cima da outra. Foi realmente uma eleição atípica.