Vale tudo

Depois de deflagrado o Golpe Militar, em 1964, que culminou com a deposição do então presidente da República, João Goulart, o Brasil viveu mais de 20 anos de sua História sob o comando de marechais e generais, que só permitiram ao povo ir às ruas a partir do ano de 1984, quando a sociedade criou coragem e começou a exigir a redemocratização do país, nas memoráveis campanhas das “Diretas já”.

A partir daí, embora tenha avançado na sua redemocratização, o país viveu dez anos de uma intensa turbulência econômica, entre Planos e mais Planos, até chegar à estabilização com a criação do Plano Real, em 1994, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

Na política, o marco histórico mais importante foi a consolidação da redemocratização do país, através da promulgação da nova Constituição, em 5 de outubro de 1988, quando foram resgatados os direitos e as garantias dos cidadãos, o respeito às instituições, a liberdade de expressão e o direito à informação, elementos básicos do Estado Democrático de Direito.

Pois bem. Passados quase 28 anos da promulgação da Constituição, chamada por Ulisses Guimarães, então presidente da Câmara dos Deputados, de “Constituição Cidadã”, temos hoje um país novamente sacudido por turbulências, causadas pelas crises política e econômica. Temos um governo desastrado, sem credibilidade, em que a corrupção campeia livre, leve e solta. Temos um Congresso desmoralizado, que se deixou levar pelas falcatruas, resultado de uma degradação sem precedentes dos princípios da honestidade e da probidade. O famoso “jeitinho brasileiro” se tornou um gigante e colaborou decisivamente com a pavimentação da principal via de acesso, usada para a realização dos assaltos ao dinheiro público, patrimônio de todos os brasileiros que trabalham e pagam os seus impostos.

A turbulência se concentra hoje não só na economia. Ela está, principalmente, na política, onde o comandante e seu copiloto, representados pela dupla Lula/Dilma, estão prestes a serem defenestrados pela janela da aeronave, que desgovernada, busca desesperadamente o apoio do povo para encontrar alguma pista de pouso razoavelmente segura.

Enquanto se dá a partida para o possível “bota fora” da presidenta Dilma, exigido nas manifestações das ruas, Lula, o comandante, por enquanto sem foro privilegiado, procura desesperadamente o esconderijo ideal para que possa, em algum lugar seguro e fora do alcance das garras da Polícia Federal, ter tempo de explicar as falcatruas engendradas durante o seu governo. Se, por imposição do Judiciário, não der certo a trapaça do “manto” oferecido pela presidenta, e ele não puder assumir o Ministério da Casa Civil, já se fala até no seu refúgio em alguma embaixada, para não ser surpreendido mais uma vez às seis da manhã.

Como corolário de todo esse imbróglio, a substituição do ministro que comanda a pasta da Justiça à qual está subordinada a Polícia Federal, escancara uma nova artimanha engendrada pela dupla para tentar barrar as investigações da Lava-Jato. E a Democracia, conquistada a duras penas? Bem, como é próprio do pensamento e da forma de falar do ex-presidente Lula, a Democracia que se… Bem, deixa pra lá. É com esse desprezo que os brasileiros e as principais instituições do país estão sendo tratados. O caos está instalado. Vale tudo.

As manifestações de rua: “pedalinhos”, “pixulecos” e o número 13-171

As manifestações de rua feitas pelo povo no último domingo foi um show de civismo e, principalmente, de civilidade. Ir para as ruas espontaneamente em pleno domingo, um dia de descanso, para protestar contra o governo, contra a corrupção e contra o modelo político implantado a partir de Brasília nos últimos anos, sem dúvida, foi uma coisa bonita de se ver. Um verdadeiro espetáculo em cores verde e amarela.

Segundo as informações oficiais, mais de 3,5 milhões de pessoas estavam nas ruas. Ficou claro que, além de protestar contra a roubalheira petista, contra a presidenta, com palavras de ordem como “Fora Dilma, fora PT”, os manifestantes enxotaram também políticos da oposição, que, oportunistas, tentaram surfar na onda de protestos do povo. Ficou claro que mais do que os protestos contra a corrupção, contra a impunidade e contra a roubalheira que se instalou no país, os protestos foram contra os políticos e contra a política.

Empolga, realmente, a ironia e a criatividade do povo. Além de levar para as ruas cartazes, faixas e a Bandeira do Brasil, se vestiram de verde e amarelo e levaram também réplicas dos “pedalinhos” e os já famosos bonecos infláveis “pixulecos”, com as suas cores listradas, que simbolizam o desejo de ver Lula na cadeia, com o número “13-171”. Enquanto o número 13 significa o protesto contra o PT, o número 171 significa a roubalheira, a corrupção e os desvios do dinheiro público, utilizado para engordar as contas bancárias desses políticos corruptos que comandam o país. Tudo faz sentido. Enquanto o 13 é o número do PT, o 171 é o número do artigo do Código Penal Brasileiro, que define o crime de roubo e que diz exatamente o seguinte: “Artigo 171 – Obter para si ou para outrem, vantagens ilícitas, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer meio fraudulento”. É o famoso número, conhecido pelos malandros e bandidos, como “um sete um”. Quando um bandido encontra-se preso por roubo e alguém pergunta o porquê da sua prisão, ele responde sem titubear e na “cara de pau”: “Peguei um sete um, mano”.

Pois muito bem. Por uma obra do acaso, por coincidência, ironia, ou sei lá o porquê, a presidenta Dilma é hoje uma mega dependente do número 171. Se for instaurado o processo de impeachment da presidenta na Câmara dos Deputados, que é composta de 513 parlamentares e se todos votarem sem que haja abstenção, serão 171 votos que estarão no limite entre o céu e o inferno para a presidenta.

Para recompor a base e buscar os votos necessários, a presidenta, agora acuada pelo ronco das ruas, pede socorro ao seu criador e principal artífice político. Com Lula voltando ao centro do poder como ministro-chefe da Casa Civil, mata-se dois coelhos numa cajadada só. É uma questão de proteção mútua. Enquanto Lula articula para tentar unir de novo a base governista e conseguir os votos dos parlamentares para defender o cargo da presidenta, na qualidade de ministro e com foro privilegiado, ele se livra, também, da caneta impecável da qual se utiliza o juiz Sérgio Moro para assinar as suas sentenças de prisão. A trapaça da volta de Lula ao centro do poder ficou clara na divulgação do áudio do contato telefônico entre Lula e Dilma, numa clara obstrução às ações da Justiça: “Eu estou mandando o papel – Termo de Posse – só use em caso de necessidade”, disse a presidenta.

Desta forma, o “boneco pixuleco”, com o seu número 13-171, por enquanto, continuará mandando, obtendo as suas vantagens ilícitas em prejuízo de todos, induzindo e mantendo parlamentares em erro mediante artifícios, ardil e meios fraudulentos, ou seja, tudo o que o Código Penal define como crime. Colocar o Lula como ministro é mais um tapa desferido na cara do povo que foi às ruas. Mas, e daí? O povo que se dane, afinal de contas, apesar dos crimes, eles continuam no poder.

Lula, a “jararaca”

Na semana passada, escrevi e foi publicado aqui neste espaço o que eu já tinha dito a amigos: Lula é o maior político dentre todos esses que apareceram no Brasil nos últimos tempos. Dito, feito e confirmado na sexta-feira daquela semana. Ao escrever o texto, que seria publicado pelo jornal somente na sexta, eu não sabia o que iria acontecer com o ex-presidente, mas ele, sim. Ele já sabia. Pode ser que, talvez, não soubesse o dia certo, mas com certeza, ele sabia o que iria ocorrer e estava preparado para receber a Polícia Federal.

Saindo um pouco da linha de raciocínio, é necessário explicar que o termo “político” é definido pelos dicionários como sendo “pessoas que se ocupam de política, diplomático ou astuto”. Já a grande parte do povo brasileiro, por óbvio, tem outra definição para o vocábulo. As trapaças, as falcatruas, a malversação do dinheiro público estão cravadas na memória do povo – espera-se que seja por um bom tempo – e, por causa disso, atrela-se qualquer ação política e, principalmente, os políticos, à corrupção que impera no país.

Uma análise mais acurada da vida pública do líder petista demonstra que, um diplomata, realmente ele nunca foi. Longe disto. Porém, quanto a ser um político e ainda por cima astuto, pode-se chegar à conclusão de que, nestes dois casos, ele é um expert.

Como eu disse anteriormente, Lula já sabia de tudo que ia acontecer. Tanto que, segundo informações, ele já tinha confidenciado ao ex-secretário presidencial, Gilberto Carvalho, que seria preso ou conduzido coercitivamente. O fato é que ele já tinha sido convocado várias vezes pela Polícia Federal para prestar o seu depoimento a respeito das investigações que estão sendo feitas, tendo se negado a atender à convocação. Portanto, a condução coercitiva era apenas uma questão de tempo. Pode ter sido surpresa para qualquer um, menos para ele. O circo já estava armado e tudo planejado. Ele sabe que a imprensa está de plantão na porta da Polícia Federal, e que qualquer movimentação acaba vazando. Astuto, estrategista e um hábil ator da política-espetáculo, função que sabe fazer muito bem sob as luzes dos holofotes, esperou pacientemente em casa pela decisão do juiz Sérgio Moro. E mais, esperava que os policiais o algemasse. Segundo as declarações do delegado responsável pela missão de conduzi-lo, ele teria dito: “Só
saio daqui algemado”. Só que o delegado tinha ordens do juiz Moro para não fazê-lo.

O resto, todos viram. Ao invés de ir para casa, como qualquer outro que se sente humilhado, vilipendiado na sua honra ou mesmo deprimido, ele foi para onde?  Para a sede do Diretório do PT, onde todo o “circo” já estava montado para recebê-lo. A imprensa deu o destaque necessário, sendo usada no seu processo de vitimização. Depois de muito tempo encolhido, comandando o espetáculo por detrás das cortinas, aflora o astuto político que sabe muito bem o que está fazendo. Ele sabe que a melhor defesa é o ataque e já avisou que vai sair para viajar pelo Brasil. No seu discurso, planejadamente colérico, se disse indignado, magoado e perseguido, intitulou-se como uma cobra “jararaca” e espalhou o veneno pelo país, conclamando a militância, sindicatos e até as “milícias” petistas a reagirem.

Há algum tempo, ele disse: “Se mexerem comigo ou com o Partido dos Trabalhadores, o Stédile – ativista social, líder do MST – põe o seu exército na rua”.  A ameaça explícita do ex-presidente não interessa à sociedade, devido aos riscos de enfrentamentos de grupos prós e contras. Mas quem disse que ele está preocupado com a sociedade?

Esse é o Lula, o artífice político, esperto como sempre, ou, como ele mesmo disse, a “jararaca” que está viva.

Lula, o político

Um dia desses, conversando numa roda de amigos sobre política, arrisquei um palpite sobre a figura do ex-presidente Lula. Emiti uma opinião, que, na realidade, faz parte do meu entendimento sobre o perfil político e também pessoal do ex-presidente, até porque, se conseguirem provar tudo o que estão noticiando, Lula estará irremediavelmente perdido e, certamente, terá selado na sua biografia o título de maior trapaceiro entre todos os chefes de Estado da história contemporânea.

Mas, voltando à minha opinião, eu disse que considerava o Lula o maior político que o país conheceu nos últimos anos. Claro que os amigos levaram um susto. Além disso, quem lê essa coluna semanalmente, pode entender que a minha definição se trata de um contrassenso ou de uma enorme incoerência, levando-se em consideração tudo o que eu já escrevi aqui neste espaço sobre a política nacional.

Assim, vamos lá, e pensem comigo. Lula enquanto sindicalista, criou o PT, um partido de esquerda extremamente radical. Combateu as elites, insultou banqueiros e empresários, foi preso; depois solto, foi aclamado como o grande líder, ou seja, cultivou uma liderança conhecida como “petistas”, que era considerada pelos seus seguidores não como um partido político, mas como se fosse uma verdadeira seita, tal o tamanho do seu radicalismo.

Por três vezes, concorreu à Presidência da República, sendo derrotado. Começou a partir daí a sua metamorfose. Ao jogar no lixo toda a sua filosofia de esquerda radicalista e se unir aos empresários e banqueiros, aos quais ele tanto destratou, acabou sendo eleito e, em 2002, tornou-se o primeiro metalúrgico com direito a subir a rampa do Palácio do Planalto como presidente do Brasil. Os petistas, absolutamente eufóricos, exibiam, orgulhosos, a estrela vermelha, símbolo de muitas lutas anteriores. Até que enfim, era Lula lá, diziam. Surfando na onda do Plano Real e da estabilização econômica promovida pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, ele prometeu acabar com a fome, com a miséria, com a pobreza extrema, conheceu a popularidade, o mundo, desfilou de carruagem com a rainha da Inglaterra. Ao mesmo tempo, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, dizia: “Esse é o cara”.

Mas como governar o país sem uma base parlamentar? Esperto, e capitaneado pelos seus fiéis escudeiros, José Dirceu, José Genuíno e vários outros, montou uma base aliada em cuja fachada estava escrito: governo de coalizão. A estratégia deu certo até explodir o mensalão, uma compra de apoio de partidos e parlamentares em troca de votos a favor de projetos de interesse do governo. Mas Lula “não sabia de nada, nunca soube”, dizia sempre. Enquanto os “companheiros” eram presos, processados e encarcerados, Lula escapou ileso, e, ainda por cima, com uma alta popularidade, apesar dos escândalos de corrupção.

Com o seu mandato por terminar, inventou a Dilma, ou a “Dilminha”, como ele dizia. Na campanha da sua sucessão, na inauguração de uma plataforma para extrair petróleo, sujou literalmente as mãos com o “ouro negro” e carimbou o macacão da então candidata Dilma. Mal sabíamos nós que aquelas mãos sujas de petróleo, mostradas sob as luzes dos holofotes, naquele momento, era o prenúncio do maior assalto aos cofres públicos da nossa História. Já estava em curso o “propinoduto” e selado o novo “alvo” da corrupção. Ali, naquele momento, a Petrobras já estava sendo assaltada para saciar a fome de políticos ligados ao governo. Como sempre, Lula nunca soube de nada e continua sem saber. Pobre dos brasileiros que não sabem votar. Reconduziram a “Dilminha” para um novo governo, ou desgoverno, como queiram. O Brasil está naufragando e o “comandante”, que nunca deixou de agir, agora acuado pela Polícia Federal, continua afirmando que “não sabe” se tem um triplex na praia de Guarujá e nem um sítio em Atibaia (SP), até porque, ao que parece, os dois imóveis não estão no seu nome, embora a empreiteira OAS tenha feito as reformas por sua conta, tendo sido enviado, pela família, móveis e objetos pessoais do ex-presidente para o local.

E assim caminha a humanidade, ou melhor, caminham os brasileiros. Quando eu disse que Lula é o maior político que apareceu no Brasil nos últimos tempos, é porque, apesar de acuado pela Polícia Federal, e de tudo mais que já se sabe em relação à sua conduta, ele continua mandando. O ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que o diga. Além disso, eu disse o maior, e não o melhor, até porque, é bom que se esclareça que, ressalvadas as exceções, político no Brasil virou sinônimo de corrupção.

A esperança de uma Justiça mais célere

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de modificar a jurisprudência sobre a prisão de réus que tenham as suas penas confirmadas em 2ª instância, definindo que ela ocorra mesmo antes do trânsito em julgado da sentença condenatória – quando não há mais possibilidade de recursos -, vai ao encontro dos anseios da população, que já se encontra estressada de tanto ver a impunidade prosperar no nosso país.

Com esse novo ordenamento jurídico, o réu pode ser considerado culpado e preso, após a confirmação da condenação levada a efeito por um órgão colegiado, como por exemplo, os tribunais de Justiça estaduais, mesmo que existam recursos tramitando nas instâncias superiores. É necessário esclarecer, entretanto, que o entendimento do STF não é automático e que precisa ser analisado caso a caso, após um pedido manifestado pelo Ministério Público.

Por certo, a decisão será alvo de polêmica entre os juristas, que entendem tratar-se de uma modificação de cláusula pétrea da Constituição Federal, que diz, textualmente, no seu artigo 5º, inciso LVII: “Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença final condenatória”. Até então, as prisões somente poderiam ocorrer nos casos em que todo o processo chegasse ao fim após a análise de todos os recursos disponíveis, ou quando a prisão servisse para a garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal ou, ainda, para assegurar a aplicação da lei penal.

Um exemplo clássico da impunidade é o caso do ex-senador Luiz Estevão, condenado a 30 anos e oito meses de prisão, em segunda instância, por desviar dinheiro público na construção do fórum trabalhista de São Paulo. Segundo informações veiculadas nesta semana, desde a sua primeira condenação, em 2006, o ex-senador, que continua solto, já apresentou 34 recursos às instâncias superiores. Este é um caso típico da indústria da postergação do cumprimento de sentenças. Nesta semana, amparada na nova decisão do STF, a Procuradoria Geral da República pediu a prisão do ex-senador. Já se tem notícias de que outros casos idênticos estão sendo formalizados pelo Ministério Público.

É de se considerar, neste momento, que a alteração da jurisprudência pelo STF chega em muito boa hora, considerando que muitos dos “artistas” que estão sendo flagrados e processados no caso do petrolão e da Operação Lava-Jato, já estão contando com a gama de recursos existentes para tentarem postergar o cumprimento das penas que já lhes foram impostas ou quaisquer outras eventuais que possam levá-los à prisão.

Em que pese à possibilidade da existência da polêmica sobre a presunção de inocência, que certamente envolverá os vários operadores do direito e, principalmente, instituições com credibilidade como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a nova decisão do Supremo Tribunal Federal é vista pela sociedade com muito bons olhos, uma vez que a nova jurisprudência mira na mitigação de deficiências da Justiça, como a burocracia e a morosidade na prestação jurisdicional, duas das principais inconsistências basilares da impunidade que sempre realimentaram o crime no país.

Embora a decisão ainda possa ser revista pela própria Corte, esse novo paradigma se alia perfeitamente à filosofia do novo Código de Processo Civil, que entrará em vigor no mês de março próximo e que visa desobstruir os canais de impedimento da aplicação da lei, tornando a Justiça mais célere e mais objetiva.  Sem dúvida, é tudo que a sociedade almeja.

Dúvida cruel

Considerando toda essa polêmica que envolve a possibilidade de impedimento da presidenta Dilma, entendo que o desfecho dessa história pode ter resultados diversos. No final, como diria um amigo, todo esse burburinho que ronda o Palácio do Planalto pode resultar em qualquer coisa, inclusive em nada.

Atualmente, a presidenta e seu vice, Michel Temer, enfrentam quatro ações, movidas pelo PSDB junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pedindo a cassação da chapa por supostas práticas de irregularidades nas eleições de 2014.

Enquanto o PT e seus aliados se preocupam em se defenderem, dizendo que as doações de campanha foram legais e que se encontram contabilizadas e aprovadas pelo órgão fiscalizador, o juiz Sérgio Moro, que julga as ações oriundas das investigações da Operação Lava-Jato, deu demonstrações de convicção diferente do que está sendo alegado pela “tropa de choque” do governo. O juiz Moro enviou dados dos inquéritos e dos processos ao TSE, dados esses que sugerem uma ligação das doações de campanha da chapa Dilma e Temer ao recebimento de propinas originadas do assalto já comprovado que diretores, na época em exercício, fizeram no caixa da Petrobras, para abastecer os partidos e vários políticos da base aliada, ou seja, dinheiro sujo.

Todos os investigados ou os que já foram condenados que aceitaram fazer a colaboração premiada ou os donos de empreiteiras, que aceitaram fazer o acordo de leniência, são unânimes em afirmar a existência do pagamento das propinas destinadas a abastecer as campanhas de partidos como o PP, PMDB, PT e outros, ou seja, os partidos que compõem o tal governo de coalizão engendrado ainda durante o mandato de Lula.

Além da descarada roubalheira, da gastança sem limites, das pedaladas fiscais, o atual governo desmantelou todo um plano de estabilização vigente desde 1994, permitindo a volta da inflação e colocou o país numa recessão terrível. Pior. Agora, querem tapar os rombos e os ralos com a criação de uma série de impostos, inclusive com a volta da CPMF, um imposto cobrado em cascata, que vai fundo no bolso de cada um dos brasileiros.

Por maior que seja a corrupção descoberta dentro dos governos Lula/Dilma, já comprovadamente definida como o maior assalto aos cofres públicos da História republicana e que foi “plantada” criminosamente com o único objetivo de conseguir a permanência do PT no poder, qualquer um que por ventura venha a assumir o lugar da presidenta nesse momento, teria imensas dificuldades para recolocar o país nos trilhos nos próximos três anos.

A dúvida que passa a existir é se o impeachment da presidenta ou a cassação da sua chapa, a essa altura dos acontecimentos, resultaria ainda em algum benefício para o Brasil e para o povo brasileiro.

Estamos vivendo o pior governo da História da República, com rebaixamentos sucessivos das notas de crédito do país junto às agências de classificação de risco.  Na impossibilidade de qualquer melhora do cenário econômico nos próximos três anos, que é o que se vislumbra neste momento de incertezas, e, se não restarem provados os crimes de responsabilidade da presidenta que possam levá-la a responder a uma ação penal, na dúvida, talvez seja até melhor que ela continue onde está, para continuar comendo o pão que o diabo, ou melhor, que o lulopetimo amassou.

As histórias que vamos contando

Há mais de oito anos, estamos ocupando este espaço fazendo nossas crônicas semanais, que versam sempre sobre a política e a atualidade deste Brasil, orgulho dos brasileiros que honram o lema da nossa Bandeira – Ordem e Progresso – e que, desde os tempos de outrora, é cantado em versos e prosas por nossos poetas, que com os seus talentos cantos, poesias e músicas, dão a exata dimensão da felicidade que sentimos de ter nascido nesta terra.

Se assim não fosse, o que seria de Ary Barroso sem a sua famosa “Aquarela”, ou de Olavo Bilac sem a sua poesia a “A Pátria”? De um lado, o compositor, no auge de sua inspiração, cantou versos como “meu Brasil brasileiro… Terra de Nosso Senhor”, enquanto o poeta escrevia e instigava as crianças: “… não verás nenhum país como este… olha que céu, que mar, que rios, que florestas…”. E foi assim que ambos cantaram e encantaram, cada um à sua maneira, demonstrando e expressando nesses versos o orgulho e a felicidade  de   ser um brasileiro. Estas duas obras de arte, uma do compositor e a outra do poeta, já foram citadas aqui numa crônica anterior. Aos que leram, que me perdoem o “retrô”. Mas é que o nacionalismo está acabando e precisamos reativá-lo.

Quando fazemos nossas crônicas sobre qualquer assunto da atualidade do nosso país, não temos a pretensão de nos posicionarmos como formadores de opinião, mas, uma vez feitas e publicadas, vamos retratando a realidade em que vivemos, e ao levarmos aos nossos estimados leitores as informações fidedignas, estamos, de certa forma, ajudando a contar, com toda a fidelidade possível, a história desta “Mãe Pátria” chamada Brasil.

Ao longo desse tempo, denunciamos aqui neste espaço toda a malvadeza que os últimos governantes e seus asseclas vêm fazendo com a nossa pátria e, principalmente, com o nosso povo.

Agora, passado o carnaval, é chegada a hora dos brasileiros trabalharem duro para tentarem sobreviver, mesmo sabendo que não há emprego, que não há saúde nem educação, que grande parte das moradias são indignas de abrigar um ser humano, e que além de tudo isso, terão que enfrentar a epidemia da corrupção que se instalou no Poder Central, onde, hoje, muito distante e ao contrário dos cantos e encantos de Ary Barroso e Olavo Bilac,  mesmo após o carnaval,“há mais de mil palhaços” nos salões nobres de Brasília, mascarados, desfilando suas fantasias representadas pelo  terno, gravata ou o tailleur da moda feminina.

Este é o retrato deste Brasil, que um dia já foi o país do futuro, mas que hoje sobram tão somente os paradoxos representados pela certeza das incertezas, da verdade das mentiras e a indignação do povo, que ainda ousa, apesar de tudo, dignificar o país com o seu trabalho árduo.

Uma crise anunciada

Quando você pensa que já viu tudo neste país no que se refere às mazelas e os chamados malfeitos (pomposo nome que deram para as roubalheiras e falcatruas), surgem sempre fatos novos que mudam os focos anteriores, e assim vamos rolando e sendo enrolados, através dos escândalos em série promovidos por políticos, aos quais outorgamos as nossa procurações sem limites para agir em nosso nome.

É triste ver o país mergulhado numa crise sem precedentes, onde a recessão, a inflação e o desemprego andam de braços dados, apesar do intenso trabalho de seu povo.

Parece-nos que a crise moral e a inversão de valores que se instalaram no país não têm mais fim. São falcatruas, golpes, fraudes e corrupção das mais variadas modalidades a manipular as consciências dos indivíduos, de forma a parecer que todos esses delitos fazem parte do cotidiano, e, principalmente, que a sociedade tem a obrigação de conviver com este estado de coisas.

O cenário político brasileiro nos mostra uma nau sem comando e sem força para retomar a sua rota e ancorar em algum porto seguro.

No grupo político que comanda o país, se fizermos uma análise mais acurada, não sobra um só nome que seja capaz de aglutinar forças para juntar os cacos que restaram da catastrófica gestão lulopetista.

Temos hoje no comando do Executivo nacional uma presidenta ameaçada de impeachment, sem forças para governar, pois, além de ter a sua popularidade em queda livre, sua base de apoio está dividida à cata de mais vantagens para apoiá-la. Nas duas Casas Legislativas, os seus presidentes são figuras carimbadas e estão às voltas com a Justiça. Renan Calheiros, presidente do Senado, é réu em vários processos que tramitam no STF e vai levando o seu mandato através dos recursos disponíveis na legislação; Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, que está sendo acusado pela Polícia Federal de lavagem de dinheiro e recebimento de altas propinas, se defende apenas com negativas vazias e sua queda é apenas uma questão de tempo.

Enquanto isso, as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público andam rondando a família do ex-presidente Lula, que muito embora nada ainda esteja provado, pois tratam-se apenas de suspeitas, certamente ele terá que explicar o tráfico de influência e a sua relação com empreiteiras investigadas na Operação Lava-Jato.

As crises política e econômica nas quais está mergulhado o país são fatos anunciados há tempos, o que demonstra o tamanho da irresponsabilidade dos últimos governos que buscaram o poder a qualquer custo, apenas para locupletar-se.

Embora todos esses fatos estejam incomodando a sociedade, é preciso fortalecer e acreditar nas instituições, considerando também, que não se pode deixar que a subversão da ordem e a inversão dos valores morais possam ter espaço nas consciências dos indivíduos como se estivesse tudo dentro da normalidade, pois afinal, como sempre acontece, os trabalhadores, os bons e os justos é que continuarão a pagar a conta.