A arrogância não tem lugar na história

Nada melhor do que a derrota para mostrar que a arrogância jamais terá lugar no pódio. A humildade é a melhor parceira de trabalho dos vencedores. Esta semana vi várias vezes a entrevista do presidente do Vasco da Gama, Eurico Miranda, o “cartola” mais arrogante que já conheci no mundo do futebol. Já vou logo avisando que não sou vascaíno; sou botafoguense sadio, mas tenho um neto e um filho vascaínos. Torci por eles e por outros amigos para que o Vasco não fosse rebaixado. Pela primeira vez, durante todos esses anos que acompanho futebol, vi o presidente vascaíno, numa entrevista, cabisbaixo, vencido, humilhado, sem olhar para as câmeras, fazendo um “mea culpa”, confessando ser ele o único culpado pelo rebaixamento do “Gigante da Colina” para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro.

São nesses momentos que cabem as reflexões que devem levar a uma mudança de postura dos arrogantes de narizes empinados que governam e que pelo fato de terem conquistado o poder, se acham acima do bem e do mal. São pessoas que não entendem que os seres humanos passam e por mais poderosos que sejam, seus poderes são efêmeros, enquanto as instituições permanecem, ainda que dilaceradas, à espera da reconstrução.

Felizmente, como dizem, o tempo é o senhor da razão. Com o tempo, a verdade se sobrepõe à mentira e sempre haverá a possibilidade da reconstrução dos estragos promovidos pelos malfeitos. Assim é também o Brasil de hoje, pois os tempos estão mudando. Se não temos observado os roncos das ruas e o barulho dos “panelaços” como principais formas de protestar, temos hoje a força surda, mas potente, das redes sociais cujas mensagens chegam através do WhatsApp, por exemplo, em tempo real.

Vejam. Na Argentina, já caiu a “dinastia” Kirchner; na Venezuela, o todo poderoso regime chavista está amargando uma terrível derrota nas eleições para o parlamento e pode mudar totalmente os rumos da política do país. O efeito dominó está no ar e pode chegar ao Brasil, com a possibilidade de um impeachment da presidenta, ou quem sabe, até da sua chapa, pois corre no TSE um outro processo de impedimento por abuso de poder econômico e outras irregularidades na campanha presidencial de 2014. Até o ex-presidente Lula, nesta semana, numa reunião com sindicalistas, disse em alto e bom som que o Brasil está fora dos trilhos. Ou seja, o castelo formado pelo lulopetismo está ruindo. Lula está de olho, e, espertíssimo como sempre, ele já descobriu que é melhor admitir os erros praticados nos últimos governos, deixar de lado a arrogância da presidenta e tentar salvar a sua liderança antes que seja tarde.

Como comecei essa crônica falando da arrogância do Eurico, só para desintoxicar, volto ao futebol para contar uma pequena história. No ano passado, quando o meu Botafogo foi rebaixado para a segunda divisão, enquanto o Vasco subia para a primeira, um amigo vascaíno me disse que o “Fogão” tinha feito uma grande contratação para disputar a série B do Campeonato Brasileiro. Perguntei a ele qual seria essa contratação de peso, tendo ele me respondido: o Botafogo contratou, por empréstimo, o ônibus e o motorista do Vasco, pois ele já conhece bem o caminho da série B. Como bons pagadores que somos, estamos devolvendo o ônibus e o motorista vascaíno. Agora, José Wilson, estamos quites. Até a próxima, amigos.

A hora e a vez do STF

“Houve momento em que nós, brasileiros, acreditamos no mote segundo o qual a esperança tinha vencido o medo. Depois nos deparamos com a Ação Penal 470 e descobrimos que o cinismo tinha vencido a esperança. Agora, parece-se constatar que o escárnio venceu o cinismo. O crime não vencerá a Justiça” (Cármen Lúcia – Ministra do STF)

O povo brasileiro está sendo testemunha ocular de uma história política que jamais se imaginou que pudesse acontecer. Após tanta espera pela redemocratização do país, estamos vendo o maior desvirtuamento dos deveres da representatividade política, consequência de uma crescente degradação dos valores morais e éticos, os quais são considerados fundamentos e qualificações essenciais daqueles que pretendem fazer-se representar na vida pública.

Os sucessivos escândalos que explodem a cada dia nos labirintos do subterrâneo do Poder Central, frutos de uma megaoperação meticulosamente projetada para a permanência no poder de um grupo político sem escrúpulos, já não causam perplexidades, a não ser a eles próprios, diante da segurança que sempre tiveram de que nada seria descoberto.

A prisão de políticos influentes pertencentes aos dois últimos governos, como foram os casos de José Dirceu, ex ministro-chefe da Casa Civil de Lula, já condenado no processo do mensalão e do senador Delcídio do Amaral, líder do atual governo, é apenas a ponta do iceberg que pode fazer naufragar um novo “Titanic”. As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público continuam a todo vapor, e, diante das novas provas da existência da ramificação criminosa, organizada para pagamento de propinas a partidos e políticos, a Operação Lava-Jato tomou um novo fôlego e, certamente, terá todo o respaldo do STF, se considerarmos que a declaração da ministra Cármen Lúcia expressa o pensamento dos seus pares da Suprema Corte.

Somando-se a tudo isso, temos hoje uma presidenta sob a ameaça de um impeachment, um presidente da Câmara dos Deputados, que como todos sabem, está sendo julgado pelo Conselho de Ética, suspeito de receber uma verdadeira fortuna em propinas e um presidente do Senado, que já é réu em vários processos, também no Supremo Tribunal Federal.  Esse é o quadro em que se encontra estampada hoje a política nacional.

A democracia devidamente consolidada e o tão propalado Estado Democrático de Direito, se bem vividos segundo a Constituição, garantem a independência dos Poderes entre si, a total liberdade de ação, além dos direitos e as garantias individuais dos cidadãos. Porém, jamais poderá a Justiça permitir que a representação outorgada pelo povo seja jogada no lixo, como vem ocorrendo nos últimos anos em nosso país.

Com a ameaça do impeachment da presidenta e os julgamentos dos presidentes do Legislativo, certamente, começará uma verdadeira batalha no Congresso e no Supremo Tribunal Federal. A indignação da ministra Cármen Lúcia mostra que essa é a hora e a vez do STF. Como a ministra bem frisou, o crime não vencerá a Justiça.

Lula e o seu inconformismo com a democracia

É bastante sintomática a prisão do líder do governo, o senador Delcídio Amaral (PT-MS), como também fora, anteriormente, a do empresário José Carlos Bumlai, amigo íntimo do ex-presidente Lula. No caso do senador, ele foi preso por querer atrapalhar as investigações da Polícia Federal, ao tentar dificultar uma colaboração premiada de um dos diretores da Petrobras – Nestor Ceveró -, já preso há algum tempo e que falaria sobre uma possível participação sua em irregularidades na refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

Há aproximadamente 15 dias, um dos filhos do ex-presidente também teve a sua empresa devassada, numa ação conjunta, feita pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

A presidenta Dilma, em um de seus discursos logo após a sua posse, querendo avocar para si e para o seu governo o sucesso da Operação Lava-Jato, disse que todos os casos de corrupção continuariam a ser investigados e que “não ficaria pedra sobre pedra”. Certamente, ela já se arrependeu do que disse, pois, debaixo das pedras, existem muitas cobras “criadas”, extremamente peçonhentas e um risco inimaginável para o lulopetismo.

Um dos pontos críticos das divergências entre Lula e a atual presidenta é a aproximação das investigações que andam rondando o ex-presidente, embora nada, até o momento, possa indicar que haja provas capazes de incriminá-lo. Preocupado com o rumo que anda tomando as operações da Polícia Federal e do Ministério Público, Lula vem atuado nos bastidores e já conseguiu plantar dentro do atual Ministério dois dos seus maiores aliados: o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, designado para ministro-chefe da Casa Civil e Ricardo Berzoini, para o Ministério das Comunicações.

Ainda, sem nenhuma cerimônia, Lula vem tentando que a presidenta atire pela janela o ministro José Eduardo Cardozo, justamente ele, que é o titular do Ministério da Justiça, ao qual a Polícia Federal está subordinada. Portanto, a sua tentativa nesse sentido não é por acaso.

Da mesma forma, ele vem agindo na economia ao pressionar a presidenta para trocar o atual ministro da Fazenda, Joaquim Levy, por Henrique Meireles, seu fiel escudeiro econômico nos seus dois mandatos, pois ele tem a percepção de que se a economia continuar mal, o prejuízo do seu capital político será incalculável, sendo apenas uma questão de tempo e que a carruagem desgovernada da presidenta pode atropelar os seus planos para 2018.

Acrescentando-se a todo esse histórico, é público e notório que o ex-presidente tem pouquíssimo apreço pela imprensa, a quem acusa de persegui-lo e de deturpar os seus pronunciamentos, resquícios de uma identificação velada com o sistema ditatorial imposto por Fidel Castro aos cubanos durante anos e também com o sistema antidemocrata chavista, na Venezuela. Portanto, democracia é uma palavra que, embora o ex-presidente não fosse louco o bastante para admitir, certamente hoje, ele gostaria mesmo é de riscá-la dos dicionários.

Mas alguém tem que avisar ao ex-presidente que, na democracia, as instituições funcionam. Que os poderes são independentes entre si, que a liberdade de imprensa e o direito da sociedade à informação são princípios prescritos na Constituição; que a Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal são instituições livres e que estão fora do alcance das pressões, e que, finalmente, tentar obstruir as investigações pode dar cadeia, mesmo que seja por poucos dias, em prisão temporária.  O senador Delcídio que o diga.

Vêm aí as eleições municipais

No próximo ano, teremos novamente as eleições municipais, quando o povo brasileiro mais uma vez voltará às urnas para eleger os novos prefeitos, vice-prefeitos e os seus representantes na Câmara municipal. As eleições municipais são de fundamental importância, não só para a democracia, mas principalmente pelo fato delas significarem a formação da representatividade política mais próxima da população,  permitindo que o povo tenha a real possibilidade de fazer um tipo de cobrança mais efetiva de seus representantes.

Embora possa ser considerado por alguns que as eleições municipais ainda estejam longe, já é preciso começar a pensar nelas.

As eleições municipais, em fase de contagem regressiva, estão marcadas pelo Tribunal Superior Eleitoral para os dias 2 de outubro de 2016, quando se realizará o primeiro turno, e para 30 de outubro, para as cidades com mais de 200 mil habitantes e que tiverem a necessidade de votação em segundo turno.

Escrevo sobre o assunto num momento em que uma pesquisa da Confederação Nacional dos Municípios dá conta de que, dos 5.563 prefeitos eleitos em 2010, 383 já não estão no exercício dos seus mandatos. Destes, 210 foram cassados. As cassações por infração eleitoral representam 22,8%, e, em 36,6 % dos casos, foram cassados por atos de improbidade administrativa, sendo que o restante encontra-se fora do mandato por questões de morte, renúncia ou outros motivos.

Os números mostram o alto índice de cassações por fraudes, desvio de dinheiro público, licitações fraudulentas e compra de votos. A pesquisa ainda mostra que a ocorrência de fraudes que levaram à cassação da maioria dos prefeitos está entre as cidades mais pobres, onde o IDH – Índice de Desenvolvimento Humano – é mais baixo.

Infelizmente, existe um enorme despreparo, tanto do eleitor quanto de candidatos. Para se ter uma ideia, nas campanhas eleitorais municipais, é comum encontrarmos candidatos a vereadores, por exemplo, prometendo obras para os bairros da cidade, se forem eleitos. São candidatos que não têm noção alguma da função de um vereador na Câmara municipal, que é, dentre outras atividades, a de fiscalizar o Executivo e de legislar, levando em conta os anseios da população.

Quando começarem efetivamente as campanhas, será necessário que o eleitor esteja atento, principalmente aqueles “calouros” que votarão pela primeira vez, para que possam, através das eleições municipais, promover as transformações deste quadro de deficiências que impera na política nacional.

É preciso que o eleitor estabeleça a sua representatividade política através de candidatos mais bem preparados, com um histórico de honestidade e capacidade de trabalho, pois assim ele estará exercendo o seu direito de voto como uma opção eficiente no sentido de moralizar o ato de administrar a coisa pública com eficiência.

Eduardo Cunha na trilha de Maluf

O povo anda magoado e realmente cansado com a política emporcalhada que se pratica no Brasil atualmente. Isto é um fato. Um dia desses, durante uma entrevista coletiva do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, um manifestante indignado atirou-lhe um punhado de cédulas de dólares falsos, as quais continham a sua imagem.

A atitude do manifestante, mesmo que não seja a mais adequada, é o retrato da indignação popular com tudo o que vem acontecendo desde o mensalão, passando pela queda de ministros dos governos Lula/Dilma envolvidos em corrupção, o famigerado petrolão, desencantos com CPI’s que não dão em nada e todo um histórico de uma política que pode ser considerado na História como um período de vergonha nacional.

A situação de Eduardo Cunha tem uma identificação muito clara com a história de outro “artista” da política brasileira, o deputado Paulo Maluf. A gênese e o modus operandi é o mesmo, ou seja, rouba-se aqui e manda o produto do roubo para paraísos fiscais, bastando, para tanto, continuar a dar as entrevistas, jurando, “de pé junto” e mãos postas, que não são eles os titulares das contas abertas no exterior, apesar dos evidentes e fartos documentos comprobatórios enviados pelas autoridades estrangeiras.

Para bem definir a arte de desviar verbas que ocorrem no país, já inventaram até o verbo “malufar”, que, se procurado, não existe em nenhum dicionário.  O fato é que, enquanto para os acusadores do deputado, o “verbo” malufar quer dizer roubar, para Maluf, que tem uma cadeira cativa na Câmara e desfila feliz da vida nos corredores do Congresso Nacional sem ser incomodado, apesar de ser procurado pela Interpol em mais de 180 países, “malufar” é apenas sinônimo de muito trabalho e de realização de grandes obras na cidade de São Paulo, quando foi prefeito, e no estado, quando foi governador. Portanto, Maluf é um fenômeno nacional. Ele simboliza tudo o que há de polêmico e contraditório na vida pública de um político no Brasil, pois, apesar de ser considerado um autêntico ficha suja – foi condenado pela 10ª Câmara de Direito Público, um órgão colegiado, como define a Lei da Ficha Limpa -, continua exercendo o seu mandato, livre, leve e solto, na Câmara dos Deputados.

Quanto ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha, foi aberto, nesta semana, um processo para que ele seja julgado pelo Conselho de Ética da instituição, e, ao que parece, ele pretende seguir a mesma trilha percorrida por Maluf, pois, apesar de todas as evidências e provas materiais enviadas pelas autoridades suíças, ele continua negando que as recheadas contas de dólares e francos suíços não são suas.

A certeza de que todo esse imbróglio envolvendo o presidente da Câmara pode não dar em nada está nitidamente estampada no seu rosto e nos seus atos, e, seguindo os passos de Paulo Maluf, ele vai negando os fatos e continua tranquilamente sentado na sua cadeira comandado as votações da Casa, como se nada estivesse acontecendo.

O fato indiscutível é que, até o momento, permanece a dúvida: ou o presidente da Câmara, por causa dos “bicos” que andou dando na canela da presidenta Dilma, é uma vítima de retaliações da tropa de choque do governo, ou então, a exemplo do deputado Paulo Maluf, ele é mesmo um tremendo “cara de pau”.

A história que se repete

“… de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a rir-se da honra e ter vergonha de ser honesto.” (Senado Federal – RJ – Obras Completas – Rui Barbosa, v. 41,  t. 3, 1914, p. 86)

Esta semana, recebi um vídeo através do WhatsApp, mostrando um trecho do discurso feito pelo senador Magno Malta (PR-ES) – creio que muitos leitores também tomaram conhecimento –  feito na sessão plenária do Senado, no qual ele destacava a vergonha de ser um político e empresário nos dias de hoje, se comparado ao “sucesso” meteórico de dois dos filhos do ex-presidente Lula, que, em quatro anos de atuação como empresários, acumularam uma verdadeira fortuna.

O vídeo está lá nas redes sociais para quem quiser ver, curtir, ou distribuir. Neste vídeo de pouco mais de três minutos, o senador salienta também a política emporcalhada do país, citando que o povo, já cansado de ver as falcatruas praticadas pelos maus, vai jogando na vala comum todos eles.

É claro que existem algumas exceções. Mas quando se analisa o quadro como um todo, o que se vislumbra, à primeira vista, é o caos total. Se não, vejamos: a presidenta Dilma, por causa das famosas “pedaladas fiscais” e também pela acusação de utilizar-se do cargo para fazer campanha extemporânea e receber financiamentos com recursos provenientes de propinas pagas por diretores da Petrobras, anda com a corda no pescoço, sob a ameaça de um impeachment.

Caso isso ocorra, e se houver também o impedimento do vice-presidente, Michel Temer, quais seriam os seus sucessores? O primeiro da linha seria o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que está para ser cassado pelos seus pares, caso ele não tenha uma explicação bastante plausível para as suas contas irregulares, descobertas na Suíça. O segundo da linha sucessória seria o presidente do Congresso, Renan Calheiros, bastante conhecido no meio judicial e que já é réu em diversos processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Este é o quadro negro da política nacional que se vislumbra, sem contar que na Operação Lava-Jato já existe a acusação de envolvimento de outros 62 políticos cujos nomes ainda não puderam ser divulgados para não atrapalhar as investigações sigilosas da Polícia Federal e do Ministério Público, na “Lava-Jato”.

Portanto, faz sentido o pronunciamento do senador Magno Malta, que parece um político do bem, embora o povo esteja cansado de ver os corruptos agirem impunemente, e por certo, não vai quer por a mão no fogo por ninguém.

Quanto ao trecho do discurso de Rui Barbosa, que foi senador, jurisconsulto, diplomata, ministro, escritor, jornalista, filósofo e tradutor, além de, é claro, ter sido um grande orador brasileiro, sem mais delongas, independe de mais comentários, fala por si e retrata a realidade atual da política brasileira.

Um “papo” com um amigo

Temos acompanhado com muito interesse esta fase ruim que o Brasil está passando, até porque, todas as questões que envolvem as diversidades da política e da economia nos dias atuais encontram-se estampadas em todos os meios de comunicação.

Como um bom brasileiro, acho impossível ficar alheio aos acontecimentos. Tomar partido, ser um elemento ativo, procurar formar opinião é, sem dúvida, um dever daqueles que têm uma consciência mais politizada e que se preocupam com o futuro do seu município, do seu estado, e, principalmente, com o futuro do país. Há uma necessidade premente de uma transformação radical para alterar essa lógica perversa que campeia pelo Brasil afora. E essa transformação só poderá ser feita se ela for plantada e germinada a partir da base da pirâmide que compõe a sociedade brasileira. Esta é uma convicção minha.

Há alguns dias, conversando informalmente com um amigo do meio político aqui da nossa cidade, critiquei a forma e o modelo de se fazer política no país. Apesar dos acontecimentos desagradáveis, dos quais todos somos testemunhas oculares, disse a ele que, ainda assim, acreditava nas instituições, principalmente na Justiça, apesar da morosidade e da burocracia mantidas em função do cipoal de leis que emperram os processos. Concordamos em alguns pontos, discordamos de outros, principalmente porque ele é um “lulista” apaixonado. Mas ele me confidenciou: “Infelizmente, com as alianças, o PT perdeu a sua identidade”.

Durante a conversa, me lembrei de um pronunciamento do ex-presidente Lula, que disse: “Quando eu deixar a presidência, vou continuar morando no mesmo apartamento, na mesma distância do sindicato que me projetou na política. O que vai mais me dar orgulho é que vou poder acordar de manhã e olhar para qualquer trabalhador e dizer a ele: Bom dia, companheiro”. Passado o tempo, não se sabe se o ex-presidente está hoje com essa confiança toda, pois o rastilho de pólvora começa a chegar à sua família pelas mãos de outra zelosa juíza, Célia Regina Bernardes, que parece ser da mesma linha do juiz Sérgio Moro.

Desta vez, trata-se da Operação Zelotes, que autorizou a busca e apreensão de documentos na empresa do filho de Lula, de quem a polícia quer explicações sobre o recebimento de R$ 1,5 milhão de uma empresa de lobby. Além disso, pode ser que o ex-presidente ainda mantenha o seu endereço onde disse que iria morar.  Mas é certo também que a Polícia Federal anda investigando a respeito de uma reforma feita em um apartamento triplex de sua propriedade, num condomínio de luxo, na praia do Guarujá-SP, localizado bem longe do tal sindicato que o projetou, segundo ele, cuja reforma, supostamente, teria sido paga pela empreiteira OAS, empresa que é um dos alvos de investigação na Operação Lava-Jato.

Depois de muita conversa sobre as trapaças, corrupção e maracutaias, o meu amigo lulista, que é um evangélico fervoroso, foi embora, não sem antes de expressar a sua convicção, dizendo: “O mundo está perdido. Se todos obedecessem o princípio bíblico que diz: ‘amarás o teu irmão como a ti mesmo’, não precisaríamos de  juízes, promotores, polícias  e nem de leis para vivermos”,  fazendo, por certo, uma alusão ao que eu disse anteriormente sobre a Justiça.

Enquanto o amigo se despedia, me lembrei de uma sugestão atribuída a Capistrano de Abreu, famoso historiador, morto em 1927, época em que já se criticava a existência de corrupção no país. Segundo a história, Capistrano de Abreu sugeriu o seguinte: “A Constituição brasileira deveria ter apenas dois artigos: Artigo 1º – Todo brasileiro fica obrigado a ter vergonha na cara; Artigo 2º – Revogam-se as disposições em contrário”.

Mesmo considerando que as duas opiniões sejam um pouco radicais, até que elas fazem algum sentido. Ou não?

Uma luz para a presidenta

Quando o ex-presidente Lula iniciou o seu primeiro governo, em janeiro de 2003, após a sua quarta tentativa para chegar ao poder, começou a buscar nos pomposos títulos de programas chamado de sociais a sua autoafirmação como chefe de governo.

Em seu primeiro discurso, lançou o Programa “Fome Zero”, certamente, uma utopia, se consideradas todas as diversidades de um país continental como o Brasil, mas que, em se tratando de Lula e do seu poder de convencimento com o microfone nas mãos, acabou por ganhar a confiança das camadas mais pobres da população. Na época, dizia ele que em seu governo cada brasileiro teria que alimentar pelo menos três vezes ao dia.

E assim, começou uma enxurrada de programas que, embora servissem para dar um pouco de alento às classes mais pobres da população, serviam, principalmente, como um ato promocional da pessoa do presidente. Parafraseando o próprio Lula, nunca antes na História deste país arranjaram tantos nomes de programas sociais, dos quais a propaganda e a publicidade chegavam quilômetros à frente, fazendo com que o povo acreditasse em todos eles. Foi assim que começaram os programas assistencialistas do governo Lula e Dilma, fazendo com que se criasse nas classes mais populares uma dependência infinita para com o Estado.

O mais famoso deles, o “Bolsa Família”, que o governo proclama como uma  transferência de renda, na verdade, não passa de uma transferência de numerários para famílias carentes, que, além de causar a dependência já mencionada, ele desestimula o indivíduo a buscar o seu sustento através do trabalho digno. A verdadeira transferência de renda só se faz com o crescimento do país, com investimentos na produção para gerar mais empregos, que, por sinal, se encontra hoje em queda livre; transferência de renda se faz com taxas de juros que sejam capazes de financiar bens e serviços, alavancando a produção; transferência de renda se faz com o controle da inflação, pois esta sim, é a pior inimiga das classes mais pobres.

Muitos desses programas anunciados como solução não saíram do papel e serviram apenas para alterar o foco por causa das cobranças feitas pela sociedade, insatisfeita com a má administração do país. A lista é enorme. Podemos citar alguns como o ”Brasil Sem Miséria”, como se isso fosse possível a curto prazo, dada a complexidade do problema e a extensão do país;  o “Mais Médicos”, com a contratação de médicos estrangeiros, principalmente os cubanos, que ao constatarem a má remuneração e as precárias condições de trabalho no país, muitos se mandaram de volta;  o “Minha Casa, Minha Vida” que, além de conter projetos mal elaborados, se tornou um foco de corrupção, alimentado pelos vários desvios constatados  até dentro de prefeituras em todo o Brasil. Além desses, podemos citar, ainda, “Brasil Alfabetizado”, “Pátria Educadora”, “Mais Especialidades”, “Brasil Sorridente”, “Programa Cidade Melhor”, “Água para Todos” e dezenas de outros programas anunciados com toda a pompa, como se estivessem sido realizados, acabad
os  e gerando grandes frutos para a população brasileira.

Agora, após constatados os rombos das contas públicas, fruto de uma administração catastrófica, a maioria dos programas sociais anunciados como a salvação do país terão expressivos cortes com o ajuste fiscal. Outros programas como o FIES, destinado ao ensino superior, o Pronatec, Aquisição de Alimentos, Farmácia Popular e outros tantos serão extremamente afetados pelos cortes das verbas de sustentação.

Enquanto isso, a presidenta, que anda enfrentado inúmeros pedidos de impeachment, caminha no fio da navalha, e vai, desta forma, tentando salvar o seu mandato. Ela, que anteriormente anunciou o Programa “Luz para Todos”, para se safar da escuridão na qual se meteu, quer agora ver apenas uma luz: a do fim do túnel.