Editorial 12/04/2019

Para as pessoas que têm o hábito de ver certos programas de televisão, especialmente esses informativos policiais de final de tarde e início de noite, já devem ter percebido tudo o que os apresentadores fazem com o objetivo de conquistar alguns pontos a mais de audiência. Todos sabem que a violência urbana, principalmente nos grandes centros, é uma doença crônica que sempre foi e será amplamente debatida por antropólogos, psicólogos e vários outros estudiosos do comportamento humano, por causa das questões sociais que envolvem o tema.

Embora seja uma realidade existente no nosso meio e que faz parte do dia a dia de todos, existem casos em que as reportagens mostram as ações criminosas praticadas com tanta riqueza de detalhe que acabam mostrando o “caminho das pedras” rumo à delinquência.

Os órgãos de imprensa que detêm o direito e acesso às informações têm o dever de bem informar a população. Entretanto, não há dúvida de que devem ter os cuidados necessários para que ao invés de levar apenas a informação ao público, estar correndo o risco de resultar numa forma de incentivo à prática de crimes por indivíduos que já têm as suas tendências criminosas.

No caso específico desses programas policiais que são vistos diariamente, não se justifica de forma alguma, que na busca da audiência a qualquer custo, haja a exploração do sensacionalismo e a exposição de oportunistas, que aproveitam para aparecer na mídia à custa dos crimes cometidos contra a sociedade.

A liberdade de imprensa é um direito consagrado na Constituição, mas, olhando por esse prisma, a publicidade excessiva e mal dirigida de fatos delituosos, principalmente os não punidos exemplarmente, pode ser uma “faca de dois gumes” e até constituir-se numa apologia ao crime.

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