IMUNIZAÇÃO COGNITIVA

Adellunar Marge

O ser humano, apesar de ser a obra prima da natureza, carrega consigo certas distorções que o fazem pagar, por sua própria culpa, um elevado preço em sua existência. É o único ser que tem consciência de si mesmo e do mundo que o cerca. Por isso, como dizia Pascal, “o mais mesquinho dos homens vale mais do que todo o Universo, pois esse ser, ainda que mesquinho, tem consciência do Universo que o cerca e o imenso Universo, com toda a sua grandeza, não tem consciência desse homem…”

Mas mesmo com toda essa pujança o ser humano tropeça em seus próprios pés em sua caminhada existencial ao abdicar de sua condição de ser individual e se transformar em apenas mais um membro de um imenso rebanho a ser tangido pelas ideologias e pelos oportunismos demagógicos, uma “massa de manobra”. Sem dúvida, não se deixar levar por outra pessoa demanda uma postura crítica, o que não é fácil, pois ser crítico é examinar com a razão todo e qualquer problema que se apresente diante de nós.

Aceitar o que lhe falam sem o exame da razão é alienar-se. E o que é alienar-se se não deixar se conduzir como um cego intelectual por outra mente que não a sua. Afinal, alienar tem sua origem no termo “alienus”, que no latim significa “que pertence a outro, alheio, estranho”.

Há pouco tempo a Senadora Ana Amélia, com o brilhantismo que lhe é peculiar, lembrava um comportamento típico da esquerda, que é ilustrado pelo que a Neurolinguística chama de “Imunização Cognitiva”.  Esse tipo de comportamento seria a negação obsessiva de uma verdade que, apesar de clara e evidente para a maioria dos seres comuns, incomoda aquele que insiste em negá-la. É o caso daqueles que negam insistentemente a culpa de um político condenado por crime de corrupção, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, etc.

É comum, nos noticiários da mídia, os envolvidos sempre negarem a participação em qualquer esquema de corrupção de que são acusados. Por extensão, os seguidores dos tais envolvidos prosseguem na mesma linha. Para convencerem a si próprios de que estão corretos em sua negação, imunizam-se contra o conhecimento, praticando a “imunização cognitiva”.

Isso é comum no mundo todo e em todas as épocas e não se restringe apenas ao campo da política, podendo ser observado também nas áreas da Religião, da Moral, etc. Daí o fanatismo daqueles que a praticam.

Assim se deu na longa e trágica época dos Tribunais da Inquisição da Igreja Católica, em que milhares de pessoas eram queimadas vivas em fogueiras nas Praças públicas, processo também utilizado pelos Calvinistas da Igreja Reformada. Fanatismo semelhante observamos em algumas alas do Islamismo que escandalizam o mundo até os nossos dias,  com os terríveis “homens-bombas”. Na política, o mundo tem na memória os mais de 50 milhões de pessoas assassinadas pelo Ditador Joseph Stalin na URSS comunista; os assassinados por Hitler na Alemanha nazista; os milhares levados ao “Paredon de Fuzilamento” pela Ditadura de Fidel Castro e tantos outros regimes de alienação e opressão.

Em todos esses casos, apenas alguns poucos que lideram o processo, induzem grandes contingentes humanos a seguirem cegamente uma ideologia impedindo-os de procederem a uma análise crítica daquilo que estão seguindo.O rebanho imuniza-se assim contra o conhecimento praticando a chamada “Imunização Cognitiva”.

O grande problema é que essa aberração não aconteceu apenas nas épocas chamadas de “trevas do conhecimento”. Aconteceram em épocas de grande desenvolvimento cultural e intelectual como no Nazismo e no Comunismo nas primeiras décadas do século XX. O Comunismo ainda permanece presente em algumas Ditaduras que pontificam pelo mundo afora ou no regime que, em uma década e meia, tanto mal provocou em nosso país.

 

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