Mais médicos ou mais “mutreta”?

Francisco Laviola  – 28/11/2018

“A saúde é um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação” (Artigo 196 da Constituição Federal).

Quando você pensa que viu acontecer de tudo na administração da ex-presidente defenestrada, eis que aparece mais um imbróglio a ser desvendado. Se não bastassem as pedaladas fiscais que caracterizaram crime de responsabilidade; se não bastassem os represamentos dos preços de energia elétrica e de combustíveis, medidas de caráter meramente eleitoreiras; se não bastassem o “balcão de negócios” instalado nos gabinetes do Planalto e a gastança que afundou o país na maior crise fiscal da sua História; se não bastassem o legado da recessão e os mais de 13 milhões de desempregados; se não bastassem aqueles discursos enrolados, sem nexo, que diziam sem nada dizer, escancara-se agora mais uma farsa de um verdadeiro desgoverno, que acabou em impeachment de uma presidente que não deixou saudade para nenhum brasileiro. E se querem saber o que penso, não deixou saudade nem para os seus próprios eleitores.

O tal programa “Mais Médicos”, do governo Dilma, que resultou na contratação de médicos cubanos, anunciado pelos quatro cantos do país como a grande solução para a saúde dos brasileiros não passou, segundo relatos oficiais, de uma grande negociata de caráter pecuniário em benefício da ditadura cubana. Foi através da embaixada brasileira que se descobriu que partiu de Cuba a proposta do  “Mais Médicos” no Brasil, justamente para viabilizar o regime cubano, que tem na exportação de serviços médicos um de seus principais produtos. Foi simplesmente um acordo comercial entre os dois países e não uma cooperação humanitária, como foi ruidosamente anunciado nos palanques.

A carência na saúde serviu apenas de pano de fundo para acobertar mais uma “tramóia” do governo petista. Enquanto os médicos cubanos contratados ficavam apenas com 30% dos salários pagos pelo governo brasileiro, 70% desses salários eram pagos diretamente ao governo cubano para sustentar a   sua ditadura. Bastou a eleição do novo presidente no Brasil e o anúncio de que ele iria rever o tal acordo, para que Cuba promovesse imediatamente a rescisão unilateral do contrato e mandasse levar de volta a sua “mercadoria” humana.

Agora, depois deste imbróglio todo, resta saber quanto se pagou nestes cinco anos em que os médicos cubanos estiveram no Brasil e se existem empreiteiras também envolvidas no caso. Por ora, sabe-se apenas que há um envolvimento do BNDES e desconfia-se de uma triangulação financeira para, mais uma vez, beneficiar o partido da ex-presidente.

Quando um presidente da República coloca aquela faixa verde e amarela no peito, ao assinar o ato de posse, ele jura cumprir a Constituição. E o artigo 196 da Carta Magna é muito claro. Saúde é direito de todos e dever do Estado. É um crime fazer política com uma carência tão grande do povo como tem sido a questão da saúde no Brasil.

Como já vimos acontecer tanta coisa neste país nos últimos anos, não será nenhuma surpresa se nas investigações ficar comprovada mais uma farsa, como diversas outras, que só serviram para colocar dinheiro no bolso de políticos corruptos.

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