O lixo nas ruas e as enchentes

É certo que pesquisadores apregoam em altas vozes que as ações dos homens sobre o meio ambiente têm provocado alterações climáticas em todo o planeta, ocasionando tempestades como há muito tempo não se via. É claro que, (com muitos exageros), o homem tem sido visto como o grande vilão das desgraças do mundo, mesmo se levarmos em conta que na época das catástrofes que dizimaram os dinossauros e grandes florestas, o homem ainda nem existia sobre a face da terra. Mas não podemos negar que o homem tem tido, através dos tempos, uma considerável parcela de culpa nos problemas que afligem o mundo e ao próprio homem, o maior algoz de si mesmo.

As últimas terríveis enchentes que ocorreram nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro podem ser debitadas à incompetência de governos anteriores em solucionar os graves problemas de infraestrutura das cidades, principalmente no que se refere às redes pluviais urbanas. Mas é impossível não se debitar a maior parcela de culpa a uma grande parcela deseducada da população, que inunda as ruas de lixo, entupindo as redes urbanas de escoamento. Basta que se olhe os bueiros entupidos das cidades e toda a sorte de entulho espalhado pelas ruas pelas próprias pessoas que nelas transitam.

Em nossa Muriaé a situação não é diferente. É claro que os administradores municipais têm sim uma relevante parcela de culpa em não dotarem a nossa cidade de números necessários de lixeiras, de não manterem limpas de mato e de lixo as margens do nosso maltratado rio e, até mesmo, de não efetuarem limpezas mais frequentes dos bueiros da cidade. Mas seria injusto crucificar apenas a administração pública municipal pelos problemas da limpeza urbana. A maior parcela de culpa é mesmo da população.

As margens do nosso rio, ainda que não estejam capinadas e com o mato retirado com mais frequência, é um imenso depósito de lixo a céu aberto. As pessoas descartam diariamente naquelas margens, milhares de sacolas de mercado cheias de lixo caseiro, restos de materiais de construção, restos de móveis usados e plásticos de toda a ordem. É só olhar as margens do nosso rio Muriaé na extensão da Avenida Kubitschek. Uma operação de limpeza desses entulhos diários pelo Poder Público seria uma infrutífera tarefa de “enxugar gelo”.  Isso sem falar no lixo que se joga pelas ruas em forma de papéis, plásticos e cascas de frutas de toda a ordem.

A famosa tese de “conscientização” da população a respeito desses problemas parece não surtir muito efeito. As escolas ensinam essas noções fundamentais de cidadania mas parece que as pessoas já trazem de casa certos hábitos difíceis de serem corrigidos.

Há alguns anos, quando ainda lecionava em um curso superior, um aluno, durante uma aula de Ética, degustava balas na sala de aula. À sua volta, ele atirava dezenas de papeis das balas que consumia. Quando o interpelei educadamente sobre aquele acúmulo de lixo a sua volta ele respondeu, a mim e diante da turma, que ele pagava à Instituição pelo curso que fazia e que, portanto, era “obrigação” dos serventes da área procederem a limpeza do local.

Assim ocorre nas ruas das cidades e “conscientização”, ainda que aconselhável, não seria suficiente para a solução do problema. Talvez, uma medida mais eficaz fosse a instalação de câmeras por toda a cidade para flagrar os “sugismundos” urbanos e aplicar uma multa por ato de infração contra a limpeza urbana. Às vezes não adianta apenas apelar para a consciência das pessoas, pois muitos ainda não a possuem desenvolvida em nível de uma efetiva cidadania, mas uma sanção em dinheiro teria um efeito mais rápido e formador. Afinal, o órgão mais sensível do ser humano é o bolso…

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