Uma crise anunciada

Quando você pensa que já viu tudo neste país no que se refere às mazelas e os chamados malfeitos (pomposo nome que deram para as roubalheiras e falcatruas), surgem sempre fatos novos que mudam os focos anteriores, e assim vamos rolando e sendo enrolados, através dos escândalos em série promovidos por políticos, aos quais outorgamos as nossa procurações sem limites para agir em nosso nome.

É triste ver o país mergulhado numa crise sem precedentes, onde a recessão, a inflação e o desemprego andam de braços dados, apesar do intenso trabalho de seu povo.

Parece-nos que a crise moral e a inversão de valores que se instalaram no país não têm mais fim. São falcatruas, golpes, fraudes e corrupção das mais variadas modalidades a manipular as consciências dos indivíduos, de forma a parecer que todos esses delitos fazem parte do cotidiano, e, principalmente, que a sociedade tem a obrigação de conviver com este estado de coisas.

O cenário político brasileiro nos mostra uma nau sem comando e sem força para retomar a sua rota e ancorar em algum porto seguro.

No grupo político que comanda o país, se fizermos uma análise mais acurada, não sobra um só nome que seja capaz de aglutinar forças para juntar os cacos que restaram da catastrófica gestão lulopetista.

Temos hoje no comando do Executivo nacional uma presidenta ameaçada de impeachment, sem forças para governar, pois, além de ter a sua popularidade em queda livre, sua base de apoio está dividida à cata de mais vantagens para apoiá-la. Nas duas Casas Legislativas, os seus presidentes são figuras carimbadas e estão às voltas com a Justiça. Renan Calheiros, presidente do Senado, é réu em vários processos que tramitam no STF e vai levando o seu mandato através dos recursos disponíveis na legislação; Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, que está sendo acusado pela Polícia Federal de lavagem de dinheiro e recebimento de altas propinas, se defende apenas com negativas vazias e sua queda é apenas uma questão de tempo.

Enquanto isso, as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público andam rondando a família do ex-presidente Lula, que muito embora nada ainda esteja provado, pois tratam-se apenas de suspeitas, certamente ele terá que explicar o tráfico de influência e a sua relação com empreiteiras investigadas na Operação Lava-Jato.

As crises política e econômica nas quais está mergulhado o país são fatos anunciados há tempos, o que demonstra o tamanho da irresponsabilidade dos últimos governos que buscaram o poder a qualquer custo, apenas para locupletar-se.

Embora todos esses fatos estejam incomodando a sociedade, é preciso fortalecer e acreditar nas instituições, considerando também, que não se pode deixar que a subversão da ordem e a inversão dos valores morais possam ter espaço nas consciências dos indivíduos como se estivesse tudo dentro da normalidade, pois afinal, como sempre acontece, os trabalhadores, os bons e os justos é que continuarão a pagar a conta.

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