Uma facada covarde e as especulações

Francisco Laviola – 13/09/2018

O atentado sofrido pelo candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, ocorrido em Juiz de Fora, não deve ser visto como um caso isolado de uma ação de um psicopata, ou sei lá que nome se dá a um indivíduo com esse perfil, capaz de cometer um crime covarde no meio de uma multidão. As investigações de equipes de inteligência continuam e, no meio desse imbróglio, o ato covarde de um criminoso frio dá asas à imaginação de especuladores, notadamente, nas redes sociais. Nada a ver com a violência que campeia livre, leve e solta por todo o país, desafiando as autoridades. A tentativa de homicídio contra o candidato na “Manchester Mineira” tem raízes mais profundas.

A história está recheada de fatos assim e, com elas, surgem as especulações. Basta puxar pela memória, que vamos encontrar, por exemplo, o assassinato de Jonh Lennon em 1980 e o atentado ao Papa João Paulo II, em 1981. No caso do ex-integrante dos Beatles, a notícia de que teria havido uma briga entre ele e a esposa, Yoko Ono, fez com que, inicialmente, ela fosse considerada suspeita de mandante do assassinato. Depois, as investigações chegaram à conclusão de que um fã (?) maluco teria agido por conta própria. No caso do Sumo Pontífice, especulou-se que a antiga União Soviética estaria por trás do atentado, onda dissipada posteriormente, chegando-se à conclusão de que um terrorista turco, sabe-se lá o porquê, também agiu por conta própria.

Já no Brasil, deixando de lado os atentados, as mortes de Juscelino Kubitscheck (agosto de 1976) Tancredo Neves (abril de 1985) e Eduardo Campos (agosto de 2014), também foram, a princípio, alvos de especulações. No caso de Tancredo, especulou-se que, para impedi-lo de tomar posse na Presidência da República, cargo para o qual tinha sido eleito indiretamente, ele teria levado um tiro no abdômen e não vitimado por uma diverticulite mal tratada; e as mortes de Juscelino (acidente de automóvel) e Eduardo Campos (acidente aéreo), também foram alvos de grandes especulações, cujas investigações deram conta, posteriormente, de que se trataram realmente de acidentes.

Depois destas divagações e, voltando ao caso do atentado ao candidato Jair Bolsonaro, o fato de ele estar liderando as pesquisas na corrida presidencial, embora o caso ainda esteja sob investigação, as especulações já ocupam os espaços nas redes sociais. Afinal, o criminoso agiu por conta própria ou a mando de alguém interessado em tirá-lo do páreo? Longe, muito longe de insinuar qualquer ação criminosa de mando, há de se considerar, entretanto, que o ódio disseminado por militantes radicais de esquerda por causa do impeachment de Dilma e a condenação de Lula, pode sim, incentivar o instinto criminoso de indivíduos como Adélio Bispo de Oliveira. Frases ditas como “…se querem briga, o João Pedro Stédile põe o exército do MST na rua” (Lula), “eles não sabem do somos capazes” (Lula) e, “…se Lula for preso, vai morrer gente” (senadora Gleisi Hoffmann), inflamam a militância e podem instigar os instintos criminosos de indivíduos como o tal Adélio, mesmo que eles hajam por sua conta e risco. Não é raro ver e ouvir discursos de lideranças da esquerda radical feitos com sangue nos olhos.  É esta a questão que deve ser analisada. Estimular a violência em palanques não é o melhor caminho para quem quer ser um elemento ativo na manutenção da nossa jovem democracia. O que o país precisa hoje é de pacificação para levar a bom termo as eleições de outubro.

A facada covarde no candidato Bolsonaro, além de ter o poder de criar especulações maldosas sobre o fato, configurou-se como um atentado vil ao estado democrático de direito.

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