Valores do reino

É muito comum ouvir as pessoas dizendo que tomaram tal decisão ou deixaram de tomar porque todo mundo pensa assim. Gostamos de agir de acordo com a opinião pública. Ninguém quer sofrer o desconforto de ser criticado por ser o diferente. Esta é uma virtude para poucos. É justamente o que Jesus queria para seus discípulos: que fossem capazes de serem e de fazerem o diferente.

Em uma sociedade marcada pela dominação romana, onde as pessoas somente sabiam reproduzir o sistema opressor do Império Romano, Jesus é capaz de pegar uma criança e abraçá-la como pedagogia de ensino para seus seguidores. Diante do anúncio do reino, o humano fala mais alto. Durante a caminhada, os discípulos vêm comentando pelo caminho qual deveria ser o mais honrado para sentar ao lado do mestre em seu reino. Jesus, como resposta, abraça, então, uma criança e a elogia diante de todos. As crianças no tempo de Jesus simbolizavam aqueles que eram desprezados pela sociedade, os marginalizados. É aos pequeninos que a comunidade de Jesus deve acolher e servir. O que marca a honra no reino de Deus e, consequentemente, ser grande no reino de Jesus são aqueles capazes de acolher, amar e servir os pequeninos. Poder, domínio e grandeza eram tudo o que a sociedade e a cultura do tempo de Jesus reproduziam. Para que o seu reino fosse capaz, Jesus queria discípulos capazes de romper com este esquema de dor, morte e dominação. O seu reino não pode em nada ser comparado a nada do seu tempo.

É triste perceber, que ainda hoje, nossas comunidades de fé não conseguem se diferenciar de uma sociedade que produz e gera a morte em suas escolhas: busca desenfreada pelo poder, tentativas de domínio, ambição e tantos outros sentimentos que destroem e obscurecem a proposta da boa nova de Jesus Cristo.

É bonito e reconfortante para nós ver as ações proféticas do papa Francisco: não morar no Palácio Apostólico, não usar o tradicional sapato vermelho da marca Prado e nem a tradicional cruz peitoral, pagar a conta do hotel, andar de ônibus público, lavar os pés dos presos de Roma, convocar mulheres para fazerem parte representativa dos apóstolos na Quinta-feira Santa, convocar um ano da misericórdia concedendo perdão e graça especial aos presos e às pessoas que cometerem pecados graves e tantos outros. Não é exibição barata, embora infelizmente a mídia o faça. É, sim, convocação para que um maior número de batizados coloque em prática o que nos pede Jesus neste final de semana: “Quem quiser ser o primeiro, seja o servo de todos”. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

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