Fala sério!

Falar, escrever ou opinar sobre algum assunto que seja sério no Brasil, antes que aconteça o carnaval, vale muito pouco; é como se estivesse dando um tiro no próprio pé, como dizia o querido colunista e professor Marcos Coutinho, que por vários anos colocou a sua inteligência a serviço deste jornal, até se mudar para outra cidade.  Isso não significa dizer que o carnaval não seja bem-vindo, até porque, “são três dias de folia e brincadeira/até quarta-feira”, como diz a letra da música que muito bem o define. Enquanto o janeiro é considerado o mês das férias e dos recessos das instituições, o mês de fevereiro, não por acaso, é o mês do carnaval, a maior festa pagã do mundo e que coloca o país em evidência com a sua beleza, cores e desfiles de escolas de samba, um produto genuinamente brasileiro.

Mas como dizem, no Brasil, as coisas só começam a funcionar depois de passado o carnaval. Evidentemente, essa teoria popular não se aplica aos trabalhadores das classes mais pobres que são obrigados a “ralar” mal começa o novo ano.

Enquanto o carnaval não chega, a crise econômica avança gerando incertezas e desconfianças dentro e fora do país, e o que se vê, nesse início de ano, é um governo manietado, sem criatividade para se desvencilhar das amarras que ele próprio criou por pura falta de competência, tanto na gestão da política como na gestão da economia. Não conseguiu promover nenhuma reforma estrutural. A reforma política ficou pela metade e o tal ajuste fiscal acabou derrubando o ministro da Fazenda Joaquim Levy, defenestrado, não por incompetência, mas por ter uma cara feia, ser um tecnocrata e não ser um político abençoado pelo ex-presidente Lula, além de pregar cortes no orçamento e nas despesas do governo.

Na semana passada, escrevi aqui neste espaço sobre o legado que a presidenta Dilma deixará para a História. Por certo, a maior marca do seu governo, e que ficará perpetuada na História do Brasil, será o desmantelamento total do plano de estabilização da economia, gerado a partir do governo de Itamar Franco, quando Fernando Henrique Cardoso era o ministro da Fazenda, com o qual o governo lulopetista não soube lidar.

Assim, enquanto o carnaval não chega, a paralisia continua. Para não cometer injustiças, além do povão que continua batalhando para sobreviver, apesar da crise, existem duas frentes de trabalho que vêm produzindo bastante. A primeira, trata-se da Polícia Federal e do Ministério Público, que continuam com os seus trabalhos incansáveis da Operação Lava-Jato e que não têm dado folga e nem afrouxado os nós das cordas que andam apertando os pescoços de gente poderosa. A outra frente de trabalho, que vem atuando muito antes do carnaval e cuja informação recebi pelo WathsApp, é a do mosquito Aedes Aegypti, que também, apesar da crise, já produziu três produtos: a dengue, o zica vírus e a febre chikungunya. Fala sério, não?

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